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Análise

Rui: “Todo mundo tem o direito de contestar as eleições”

Rui Costa Pimenta analisa, de maneira resumida, alguns acontecimentos da semana


Nessa terça-feira (10) ocorreu a tradicional Análise Política da 3ª, na qual o companheiro Rui Costa Pimenta analisa os acontecimentos da semana de maneira mais resumida do que na Análise Política da Semana, que ocorre todo sábado, às 16h.

A análise de terça-feira desta semana contou sobretudo com o tema das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as chamadas midterms, as quais trocam toda a Câmara e metade do Senado norte-americano, sendo um medidor para a popularidade do atual governo.

“A avaliação da imprensa norte-americana indicaria que a eleição vai ser desastrosa para o partido democrata. O trumpismo se fortaleceu, apesar de toda a tentativa de repressão do movimento.”, afirma o companheiro Rui.

Continuando com a análise, Rui afirma que a extrema-direita não se enfraqueceu com as tentativas de repressão, considerando o crescimento do trumpismo e a baixa dos democratas nas eleições. Um ponto interessante e importante a ser destacado é que, ao falar de republicanos, se deve considerar uma grande maioria trumpista, uma vez que os republicanos tradicionais foram liquidados dentro do partido.

“Essa vitória provavelmente irá servir como trampolim para a candidatura de Donald Trump, em 2024, e a coisa parece extremamente sombria para o partido que é representante dos principais capitalistas norte-americanos.”

Ao ser perguntado sobre o comportamento dos democratas perante ao trumpismo, uma vez que este setor tem chamado essa nova ala da direita do partido republicano de “negacionistas eleitorais”, Rui responde que essas colocações estão num nível folclórico e que infelizmente acabam se estendendo para o Brasil.

“Isso de negacionista das eleições não só é uma bobagem como é uma tentativa muito clara de ditadura, como já acontece no Brasil. Quer dizer, você não teria o direito de protestar contra o que você considera que são irregularidades nas eleições. A não ser que você conseguisse provar por A+B [que as eleições são fraudadas], você teria que jurar de pés juntos que aquela eleição foi uma coisa limpa, o que é absurdo. Todo mundo tem o direito de contestar as eleições”.

De acordo com Rui, a palavra “negacionista” é introduzida, nesse sentido, para justificar que os trumpistas sejam malucos que negam qualquer coisa óbvia e, portanto, sua palavra é inválida. De fato, eles são malucos e negam coisas óbvias, mas isso não é um parâmetro para o absurdo que acontece quando se trata de liberdade de expressão.

“Felizmente para os norte-americanos, a existência de uma legislação e a divisão interna da burguesia não permite que apareça alguém que quer colocar todo mundo na cadeia por achar que a eleição é uma fraude e nem permite censurar ninguém por falar isso.”

Rui também destaca um ponto fundamental para a política brasileira, explicando que o crescimento da extrema-direita faz com que a esquerda se alinhe ao setor mais poderoso do imperialismo mundial, aquele responsável pela conhecida política externa dos EUA, aquele que interfere na política de países atrasados, começa guerras intermináveis e invade países para destruí-los por dentro.

“Isso é absurdo porque esse setor não é nem um pouquinho melhor que a extrema-direita, pelo contrário, a gente pode dizer que eles são muito mais perigosos e também que a política dita democrática da parte deles é uma política de conveniência, porque eles não teriam problema nenhum de impor um política dura, de repressão, se a situação se colocar.”

A esquerda estar se aliando com esse setor é um sinal péssimo, um abandono da política de esquerda de maneira geral e faz com que esse setor da política esteja mundialmente se agarrando ao rabo do imperialismo. De acordo com o companheiro Rui , essa não é uma tendência nova. A extrema-direita cresce pela ausência da esquerda enquanto essa está alinhada com o imperialismo.

No âmbito nacional, Rui comentou sobre a nova equipe de transição do governo Lula, a qual, liderada por Geraldo Alckmin, na parte de economia, é formada por André Lara Resende, Guilherme Mello, Nelson Barbosa e Persio Arida, todos ligados de alguma forma ao PSDB. Outros cargos que trabalharão nesses próximos dias para a transição também foram anunciados.

“É uma coisa bem do Lula, isso. O grupo da transição não é governo, é um grupo que vai analisar os dados da máquina estatal para apresentar um relatório para o presidente da república. […] o Lula chama esses delinquentes neoliberais para dar a impressão para os capitalistas de que ele ta dando a sinalização para a direita, o que para mim é uma indicação de que ele não vai para a direita, mas sim algo para enganar”.

De acordo com Rui, não existem maiores rumos que o governo vai tomar por uma questão menor como essa, é preciso ver o que vai acontecer depois. Essa mistura de elementos desprezíveis da política nacional, entretanto, causa um clima de desmoralização. Lula precisaria sinalizar para a base da esquerda que ele não vai se meter com esse pessoal. 

Alguns outros pontos abordados na análise foram a compra do Twitter pelo Elon Musk. Rui também teceu mais comentários sobre a questão da censura ao entrar no assunto da rede social, uma vez que estamos vendo a inversão de papéis na defesa dos direitos democráticos: enquanto a direita defende a liberdade de expressão, por mais que de maneira demagógica, a esquerda vai contra essa — uma total inversão de papéis considerando os princípios históricos de cada campo. Além disso, Rui comentou sobre outros aspectos do governo Lula, assim como sobre os desafios deste daqui para frente.

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