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Toda licença no futebol arte!

Qual a posição do marxismo sobre o futebol?

Os marxistas defendem que a arte não deve sofrer ingerências externas para que possa se desenvolver, com o futebol não deve ser diferente


A Copa do Mundo acirrou os debates acerca do futebol. A imprensa burguesa segue atacando Neymar e a seleção brasileira, enquanto isso a esquerda assume uma posição parecida, mais esquerdista, só que com o mesmo fim, atacar o futebol brasileiro. O fato da imprensa, a mando do imperialismo, atacar o futebol nacional já seria o suficiente para defendê-lo, mas a discussão deve ser mais profunda que isso. Qual afinal deveria ser a posição da esquerda consciente, o que defende o marxismo em relação ao futebol?

A teoria dos mais importantes marxistas, Marx, Engels, Lênin e Trótski não chegou a abordar o futebol, que se tornou um grande esporte de massas apenas no final da vida do último. Mas houve um amplo debate sobre a questão da cultura e da arte, que é possível fazer uma analogia bem próxima à questão do futebol. A teoria marxista sobre a arte foi desenvolvida principalmente por Trótski, o muralista Diego Rivera e o surrealista André Breton no Manifesto da FIARI, Federação Por Uma Arte Independente Revolucionária.

O grande debate, que se realizava na década de 1930, acontecia em oposição tanto ao que existia no capitalismo como na União Soviética de Stalin. O que eles defendiam é que a arte deveria ser independente de pressões externas, ela deve ser fiel a seus próprios objetivos, se desenvolver de acordo com as suas próprias leis. Ela portanto não deveria se subjugar ao domínio econômico, que existe no mundo capitalista ou a perseguição ideológica que existia no stalinismo. A palavra de ordem da FIARI era “toda licença em arte!”

Que a pressão econômica sobre a arte a impede de se desenvolver é bem compreendido para os que vivem no Brasil, onde o artista quase não tem oportunidade e a arte fica restrita a um pequeno grupo que se adapta aos monopólios da cultura como a Globo ou aos pouquíssimos que conseguem apoio do governo. A questão da ideologia é menos compreendida pois o regime stalinista da URSS não existe mais, mas ela é a base do pensamento da esquerda pequeno burguesa. A ideia é que é preciso analisar a ideologia do artista para apreciar a sua arte, um absurdo completo, essa ideologia levada ao fim descartaria quase a totalidade do que já foi produzido pela humanidade.

O futebol, principalmente o brasileiro, se assemelha à arte em muitos aspectos. O que está sendo feito com a campanha contra Neymar, por exemplo, é justamente essa submissão do esporte à ideologia. O que está sendo analisado não é o futebol em si, que Neymar apresenta com genialidade, mas a sua ideologia, especificamente sobre a questão eleitoral. Se na questão da arte isso já é um absurdo, no futebol passa de todos os limites. Na arte a ideologia dos artistas influi de uma forma ou de outra na obra, já no futebol essa relação nem existe. Se o jogador é lulista, bolsonarista, católico, umbandista, evangélico ou ateu isso não reflete no seu jogo.

Como dito acima, essa pressão ideológica é uma ingerência externa no futebol, ela atrapalha o desenvolvimento do esporte. A desestabilização dos jogadores é muito comum com a seleção brasileira, ela já é denunciada desde 1950, inclusive foi uma das causas da derrota na Copa do Mundo no Brasil naquele ano. Isso é um claro entrave ao desenvolvimento do futebol, a Seleção Brasileira poderia já ter se aprimorado muito mais e assim ter aprimorado todo o futebol, como fez durante os últimos 100 anos.

A esquerda assim contribui com aqueles que colocam amarras no futebol arte brasileiro, mas ela passa longe de ser o principal entrave ao aprimoramento do esporte. Assim como na década de 1930 o maior problema para os artistas não era a URSS e a esquerda mundial mas sim os monopólios imperialistas, que também exercem uma pressão gigantesca sobre o futebol. Esse lado é muito conhecido por aqueles que acompanham o futebol, a ingerência do poder econômico sobre o esporte. Esse é o grande problema do futebol brasileiro há décadas e é também o problema do futebol em todo o planeta.

Os capitalistas controlam o futebol com o objetivo que tem para qualquer outra atividade, gerar o máximo de lucros. Isso é um enorme entrave para o desenvolvimento do futebol. No Brasil isso fica explícito com a exportação de todos os melhores jogadores para onde está o poderio econômico, e não o melhor futebol. O controle dos cartolas no Brasil também é uma ingerência grande, a politicagem que isso gera afetou muito o futebol nacional. E nos dias de hoje ainda existem os clubes empresas que viram diretamente a propriedade de burgueses.

A política marxista para o futebol, portanto, é combater todas essas forças externas como forma de defesa do futebol. Ao invés de fazer uma campanha ideológica policialesca contra os jogadores é preciso defender o futebol como uma forma autêntica de expressão da classe operária e denunciar como os capitalistas atacam o esporte ao colocá-lo sob o seu controle. E para além disso é preciso organizar os trabalhadores, os mais interessados no desenvolvimento do futebol, para pôr um fim a este domínio externo do esporte.

O futebol, portanto, não deve ser controlado por burgueses que não dão nenhuma relevância para o esporte em si, apenas para os seus lucros. Ele deve ser controlado pelos mais interessados, pelos jogadores e pelos próprios torcedores, tanto dos clubes quanto da Seleção. Este é o percurso independente do futebol, que pode fazer o Brasil, o país que transformou o futebol em arte, desenvolvê-lo ainda mais, pelos seus próprios caminhos.

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