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Eleições 2022

PT deve polarizar a campanha para esquerda.

O centro foi o principal derrotado, e Bolsonaro o grande vencedor. Lula, no segundo turno, precisa levar a campanha mais à esquerda.


Depois do 1º turno das eleições de 2022, o programa “Análise Política da 3ª” recebeu Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, para fazer uma análise dos acontecimentos e do resultado das urnas. Seguem os pontos centrais da análise.

Os erros grotescos das pesquisas eleitorais:

Rui Costa Pimenta aborda os erros das pesquisas eleitorais em diversos âmbitos eleitorais, tanto nos estados (governo e senado), quanto na corrida presidencial, em que Bolsonaro cresceu 10 pontos percentuais de sexta para domingo, com abertura das urnas.

A conclusão que se tira disso só pode ser uma: houve falsificação nas pesquisas eleitorais. Os institutos procuraram manipular o eleitorado de acordo com seus próprios interesses, sejam eles quais forem, com números falsificados que não retratavam o real quadro eleitoral. No caso específico dessas eleições, o grande prejudicado acabou sendo o candidato Jair Bolsonaro, o que não quer dizer que essa falsificação tenha tido o objetivo de favorecer o candidato Lula, já que esse não possui o apoio da burguesia (mercado financeiro e capital imperialista). Exatamente por isso que não se deve escorar no que dizem as pesquisas, porque não há controle sobre seus objetivos.

Nas atuais eleições, levando em consideração que a burguesia não apoiava Lula nem Bolsonaro, fica claro que a intenção dela era ter a 3ª via no segundo turno.

Essa falsificação levou o PT e a campanha de Lula a cometerem erros gigantescos, se escorando no que diziam as pesquisas. Esse erro quase levou à derrota de Lula no 1º turno. No entanto, o PCO não se furtou a alertar sobre esse perigo de fraude durante a campanha, o que foi ignorado. 

De toda forma, mesmo não sendo a primeira vez que se observa esse tipo de expediente em pesquisas eleitorais, dessa vez, a coisa ocorreu de tal maneira que enterra de vez a importância dessas pesquisas de opinião.

3ª via: apoio e recuo. Era preciso conter um Bolsonaro com muitos poderes

Agora, é preciso entender o porquê da burguesia ter apoiado a 3ª por um tempo e o porquê de ela ter recuado.

O plano da burguesia era levar a 3ª via ao segundo turno. Contudo, em determinado momento, ela descobriu que, para lograr êxito, deveria tirar votos de Lula e transferir ao candidato de plantão. Só que, como consequência, o quadro eleitoral teria um Bolsonaro extremamente fortalecido de um lado, e Lula ou 3ª via fracas de outro. Como eles já tinham noção da força que Bolsonaro teria tanto nos estados (venceu em praticamente todos os estados da região sul e sudeste) quanto no Congresso (elegendo muitos e fiéis senadores bolsonaristas). 

Dessa forma, não é interessante para a burguesia ter um político com tanto poder. A lógica é ter um político que seja manipulável aos seus interesses.

Rui Costa Pimenta disse:

“Eles (burguesia) perceberam que o Bolsonaro havia adquirido um poder político gigantesco. Se ele ganhar a eleição, estará numa posição muito superior à de Trump nos EUA. Para a burguesia, isso é um problema. O Bolsonaro em si não é um problema, mas com todo esse poder, na verdade qualquer candidato com todo esse poder, é um problema.”

Deixar a população perceber essa situação poderia fazer com que Bolsonaro dominasse completamente o poder político, o que, em certa medida, aconteceu, mas poderia ter sido muito pior.

A dissolução do “centro” político:

Um dos fatos mais importantes das eleições foi a destruição do centro. A polarização pulverizou o centro, representando um avanço da direita e da esquerda. Essa situação é uma complicação para o imperialismo, que perde o controle sobre a política no Brasil. 

Agora, se a situação já está polarizada, ela deveria estar ainda mais. Não está porque o PT decidiu fechar alianças para a chamada Frente Ampla, o que atrasou um avanço ainda maior da esquerda. 

Rui Costa Pimenta cita o exemplo das campanhas estaduais:

“A polarização liquidou o centro. Isso daí deveria se reverter num avanço espetacular da esquerda, tanto quanto do Bolsonaro, ainda que de maneira diferente. Talvez a esquerda não tivesse condições de ganhar em tantos estados como Bolsonaro ganhou, mas poderia ir bem. Por exemplo, onde o PT lançou candidato, foi bem. Onde apoiou candidatos picaretas, foi mal. Veja o Rio de Janeiro: o PT lançou todas as fichas no Marcelo Freixo, que tinha como vice o César Maia. Essa foi uma aposta totalmente errada. O PT deveria apostar numa candidatura própria, popular, uma candidatura do Lula. O Freixo nem se colocou como um candidato do Lula, foi mera formalidade. A situação está polarizada, mas poderia estar mais. Não está mais porque o PT adotou a política da Frente Ampla. Ainda assim, Bolsonaro ganhou os estados e Lula a eleição nacional, o que mostra a polarização.”

De todo modo, devemos encarar o desaparecimento do centro como algo positivo para o povo brasileiro, porque é uma força política que trabalha para atacar os direitos do povo e servir à burguesia.

Diante desse cenário debatido na Análise Política de 3ª, podemos chegar à conclusão de que o PT tem a responsabilidade de carregar a polarização mais à esquerda possível. Para isso, o Partido e a campanha de Lula devem sair do reboque da direita tradicional, chamada de “centro”, que foi a grande derrotada. Isso significa radicalizar a campanha e a militância, e, para isso. O PCO está disposto a fazer isso, e o fará, indo às ruas numa enorme campanha para Lula presidente. Sair do reboque da direita também significa desconsiderar as ferramentas da burguesia para o controle eleitoral, como é o caso dos institutos de pesquisa.

Além disso, é preciso ter uma visão real da situação para formular a política mais acertada no atual período político. E isso inclui aceitar a realidade de que Bolsonaro é o grande vencedor dessas eleições, mesmo que tenha ficado atrás de Lula. Mesmo com uma campanha muito grande, conseguiu uma votação expressiva na corrida presidencial, elegeu um Congresso forte e fiel a si e elegeu governadores nos principais estados do país.

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