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A miséria do jornalismo

Pobreza na Argentina atrai turistas

Imprensa burguesa faz matéria de turismo se aproveitando da desvalorização da moeda argentina. No capitalismo, não é novidade, tudo vira negócio, e explorar a miséria é um sinal de decadência.


Nos últimos meses, as reportagens de turismo na imprensa burguesa tais como Record, CNN, Globo, Correio Brasilense e Info Money são dominadas pela grande oportunidade de visitar as terras platinas graças ao baixo valor do peso frente ao real, produto do governo do pretenso “esquerdista” Alfredo Fernandez.

Os altos índices de desemprego, de inflação e a incapacidade de possuir os itens básicos de sobrevivência são escamoteados pelas oportunidades de “experiências únicas” em passeios, ida aos restaurantes ou casas de tango, compra de raros vinhos, de guloseimas como doce de leite e alfajor, de roupas de inverno, principalmente couro entre outras coisas.

O quanto esta postura difere da do companheiro de palanque da deputada estadual Isa Penna (PCdoB/SP) na sua visita a Ucrânia em março deste ano? Na ocasião, um dos principais participantes do MBL, o ex-deputado estadual por São Paulo, Artur do Val, o “Mamãefalei”, se gabava em um áudio vazado nas redes sociais que as mulheres eram lindas e fáceis por não terem dinheiro.

A reportagem de Lucas Ferreira intitulada “Economia em crise e desvalorização do peso para turistas brasileiros”, destaca que, em 21 de agosto, que o peso argentino valia menos de R$0.04. Nesta terça já estava em R$ 0,035.

Na reportagem o professor de economia e relações internacionais da ESPM, Leonardo, Trevisan exulta que é uma ótima chance para quem ganha em real adquirir serviços na Argentina pagando um valor menor.

Os setores que apresentaram maiores altas foram Vestimentas e Calçados (+9,9%), Bens e Serviços (+8,7) e Produtos do Lar (+8,4). Na verdade, todos os setores avaliados apresentaram alta ainda com os índices entorno de 5%. Será realmente tão em conta viajar para Argentina?

Existem outras consequências da alta cambial e conseguinte escassez de dólares. O acesso a itens importados para a fabricação de carros, computadores e mesmo café ou embalagens de alfajor está cada vez mais difícil.

Em reportagem, a jornalista Sylvia Colombo, na Folha de São Paulo, afirma como é um problema adquirir os itens acima mencionados. Como ilustração, ela traz a fala de um gerente de uma confeitaria no bairro de Belgrano, Buenos Aires.  Gerardo Biaggi afirma que “quer algo mais portenho do ir a uma confeitaria e pedir um café? Até isso está em risco, pois não temos como garantir café depois de setembro, quando termina nosso estoque”.

A crise na Argentina não se limita ao peso desvalorizado e à subida generalizada dos preços.

Pelo menos 40% dos argentinos estão abaixo da linha de pobreza e com a taxa de desemprego em 7%. Todavia este índice se refere somente a população urbana, logo são 29,1 milhões em uma população estimada de 46,1 milhões. Não é medido o nível de desemprego nas áreas rurais da Argentina, o que deixa de fora das estatísticas 17,1 milhões de habitantes. Como a população economicamente ativa é medida em torno de 12,6 milhões, calcula-se que pelo menos em torno de 900 mil argentinos estão desempregados.

A crise argentina não começou em 2022 e nem na pandemia. Ela se arrasta desde o governo da atual vice-presidenta, Cristina Kirchner, que, no mesmo molde do governo Dilma, enfrentou uma forte oposição da burguesia, dos latifundiários, da imprensa e do judiciário, sendo o candidato dela derrotado em 2015 pelo representante da burguesia, Maurício Macri.

O governo de Macri foi tão desastroso que ele foi derrotado no 1° turno. Contudo, quando a esquerda voltou ao poder, o presidente era o advogado Alberto Fernandez, que anteriormente foi eleito vereador com o apoio de Domingos Cavalo, um ministro de economia que afundou a Argentina em uma crise enorme em 2000. A principal liderança do País, Cristina Kirchner, aceitou ser sua vice para reduzir a polarização instalada.

Os setores direitistas do peronismo consideraram mais garantido promover Fernandez como cabeça de chapa, ainda que pudesse ser caracterizado como um funcionário dos neoliberais portenhos e usar a senadora como chamariz para garantir os votos da classe trabalhadora argentina.

Esta manobra foi considerada uma jogada de mestre por praticamente toda a esquerda pequeno-burguesa brasileira. Todavia, este governo foi um acúmulo de crises principalmente entre a Kirchner e Fernandez devido as medidas dele para atender as demandas do Fundo Monetário Internacional, sem levar em conta as necessidades da população argentina.

No dia 28 de julho, milhares de argentinos se concentraram na Praça Rosad,a exigindo um salário básico universal e universalização de programas sociais, propostas antenadas com que defendia Cristina Kirchner.

Desde o inicio de julho, já ocorreram três trocas do ministro da Economia. O atual, Sergio Massa, está acumulando outras três pastas, se tornando um superministro, como FHC no governo Itamar. Ele é um notório opositor do kirchnerismo, tendo sido ficado em terceiro lugar nas eleições de 2015 com 21,9% dos votos.

Sua nomeação pode ser uma preparação para uma candidatura ainda que Fernandez ainda diz que será candidato, mesmo com um índice de rejeição de 75%.

A posição de independência de Cristina permitiu que não fosse completamente associada ao fracasso do governo Fernandez. Mas ela tem sofrido uma nova perseguição da justiça, acusada de corrupção. Ainda assim, continua uma forte candidata para 2023. Ao mesmo tempo, a extrema-direita tem crescido no país devido ao desgaste de Fernandez, como mostra o atentado que sofreu a Cristina Kirchner em 1° de setembro.

É neste turbilhão político que os turistas brasileiros estarão presenciando quando forem aproveitar as atrações do país imerso em uma miséria provocada pelo imperialismo e pelos bancos.


COTV

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