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Vinícius Rodrigues

Militante do Partido da Causa Operária no Rio de Janeiro e membro da Direção Nacional da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR).

Fora Claudio Castro!

Pela estatização da Indústria Naval do Rio!

Governo do Rio estatizou um estaleiro, localizado no centro da capital, para transformá-lo em um polo pesqueiro, uma submissão total ao imperialismo


No dia primeiro de dezembro, o governo do estado do Rio de Janeiro assumiu o controle do Estaleiro do Caneco. Em meio à destruição da indústria naval fluminense, iniciada em grande medida pela Lava Jato, essa poderia parecer uma notícia excelente, uma reestatização de um importante setor dessa indústria, um estaleiro dentro da cidade do Rio de Janeiro na Zona Portuária.

Mas, obviamente, o governo bolsonarista de Cláudio Castro, assim como todos que se sucederam após o golpe de Estado, só destrói o Rio – Castro estatizou o estaleiro não para reformá-lo, mas para transformá-lo em um polo pesqueiro.

O Estaleiro, que fica no bairro do Caju, é um dos mais antigos do Brasil, criado em 1886, ainda no império de D Pedro II. Ele possui 135 mil m², construía navios de até 5 mil toneladas e está desativado desde o ano de 2006.

A localização na cidade do Rio de Janeiro e na Baia de Guanabara faz com que o potencial para construção de navios seja gigantesco, bem como seria um grande impulso na economia empregando milhares de operários em uma indústria de ponta. Os trabalhadores da zona portuária sempre foram uma das mais importantes categorias da cidade do Rio de Janeiro.

Para reerguer a indústria naval, no entanto, é necessária a estatização de todos os estaleiros desativados e de investimentos em massa do governo para reativá-los com a mais alta tecnologia. O que ocorre com o Caneco, entretanto, é uma farsa total. Nas palavras da Claudio Castro:

“A partir de hoje, esta área de 135 mil metros quadrados é patrimônio do Estado. Após mais de 30 anos de luta, o pescador do estado voltará a ter um lugar para chamar de seu e poderá vislumbrar um futuro melhor. Com isso, estaremos beneficiando um setor fundamental para a economia do estado”

O pescador aqui é usado de demagogia para que o governo esconda que segue destruindo o estado, é um fenômeno cada vez mais comum na atual crise do capitalismo. O prefeito Eduardo Paes fez o mesmo com o campus da Gama Filho: ao invés de estatizar a infraestrutura de uma universidade de medicina privada que havia falido, ele demoliu o prédio e criou um parque.

É uma desindustrialização pintada de arco-íris, como se o governo do estado fosse aliado dos pescadores, ou como se fosse necessário destruir um estaleiro ou uma universidade que só precisam de reformas para ajudar outros setores da sociedade.

Houve o caso recente do navio à deriva que bateu na Ponte Rio Niterói, um acidente que por muita sorte não danificou a ponte e nem feriu ninguém. Mas foi um sinal de alerta sobre a situação da indústria naval do Rio.

É preciso destacar que essa destruição acontece em um estado que tem como seu principal polo econômico a exploração de petróleo em poços marítimos e que, portanto, tem uma grande necessidade de expandir a construção de embarcações para a utilização nessa indústria. E não só isso, como pode exportar as embarcações para poços em todo o planeta.

O que está por trás da destruição da indústria naval fluminense é o imperialismo. A competição internacional impõe que o Brasil, com sua mão de obra de qualidade e uma empresa estatal independente, retire os lucros dos monopólios imperialistas. Isso afetou toda a indústria nacional e, no Rio de Janeiro, afetou imensamente a indústria naval.

É evidente que um capacho do imperialismo como Cláudio Castro não irá comprar essa briga. Ele, na verdade, serve de serviçal para esses setores. Bolsonaro nem mesmo fez demagogia com a política de reindustrialização.

O presidente eleito Lula, por outro lado, visitou a cidade de São Gonçalo, a segunda maior do estado, e deixou claro que a indústria naval deve ser reerguida. Não só isso, como o polo petroquímico da Comperj, totalmente destruído pela Lava Jato.

Com esse aliado no governo federal em 2023, a classe operária do Rio deve lançar uma enorme mobilização em defesa da estatização e renovação de toda indústria naval e, em conjunto ao movimento nacional, em defesa do petróleo 100% estatal. O Rio de Janeiro pode ser ainda mais lindo.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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