A corrente interna do PSOL, de Luciana Genro e Sâmia Bonfim, o MES (Movimento Esquerda Socialista), publicou uma nota pública sobre o resultado da reunião do diretório do partido sobre a adesão ou não ao governo Lula.
A reunião deliberou que o PSOL não fará parte do governo Lula, mas libera seus filiados a fazer parte do governo Lula, desde que se afastem do partido enquanto fizerem parte do governo. Uma decisão bem típica de um partido oportunista e fisiológico.
“O PSOL definiu um limite entre apoiar as medidas progressistas e bloquear as tentativas golpistas da extrema-direita, preservando o direito de se opor a pautas que atacam os direitos dos trabalhadores e do povo. De tal forma, a resolução define que o PSOL terá autonomia, independência, para decidir por si próprio sobre o que terá seu apoio ou sua oposição.”
Segundo o MES, que foi o principal defensor da política de não adesão ao futuro governo, o PSOL seria independente do governo, livre para se opor a algumas pautas e defendendo o governo das tentativas golpistas. Eis aqui a política golpista disfarçada. O MES prepara uma reedição de sua política golpista na época do golpe contra Dilma. Na ocasião, defendera o Fora Dilma, disfarçado com o fora todos, como fez o PSTU. E para encobrir sua posição golpista diziam ser contra os ajustes de Dilma.
“O compromisso do PSOL com Lula não é um cheque em branco, comprovado pela não adesão da bancada federal no apoio à reeleição de Lira e pela resolução de não ingresso no governo.”
O MES se orgulha de ter conseguido fazer com que o PSOL não desse um “cheque em branco” para Lula. Mas o que dizer sobre a eleição, quando o PSOL não apenas deu um cheque em branco como assinou embaixo de um programa conservador, participou da chapa com Geraldo Alckmin e de todas as alianças feitas pelo PT com elementos da burguesia?
O que o MES divulga como grande demonstração de independência política não é nada mais do que o mais puro oportunismo. O PSOL usou e abusou da popularidade de Lula, da máquina do PT e dos partidos burgueses que faziam parte da coligação para obter votos e cargos. Agora, na hora H, tiram o corpo fora falando em independência política.
Mais oportunismo do que isso impossível? Não, o PSOL é capaz de mais. Na resolução do partido sobre o governo está previsto que o membro da direção do partido que quiser fazer parte do governo pode se afastar, se beneficiar com o cargo, ser “dependente” do governo, depois voltar como se nada tivesse acontecido. É uma resolução que legitima o fisiologismo dentro do partido.
Tudo isso é apresentado pelo MES como grande demonstração de combatividade e independência.
Falar em independência não transforma ninguém em independente. O PSOL sempre foi um partido reformista e. de conciliação de classes. À medida que se desenvolveu, foi se tornando cada vez mais oportunista e cada vez mais ligado a setores da burguesia imperialista.
A participação na coligação com Geraldo Alckmin foi apenas um episódio de um partido completamente degenerado, que nada tem de radical nem de independente.
No golpe de Estado, o PSOL se aliou com a direita nacional – aberta ou discretamente – para pedir a derrubada de Dilma. Setores do PSOL, liderados pelo MEs de Luciana Genro, foram. a favor da Lava jato e da prisão de Lula. Tudo isso, com o pretexto de que o PT e Lula eram “burgueses” e, portanto, não poderiam ser defendidos contra os ataques da direita. Contrariando essa ideia, entraram na aliança eleitoral com a direita, afinal, votos são muito importantes.
Agora, clamam por “independência” enquanto o futuro governo se constitui e a direita já começa seus primeiros ataques contra Lula.




