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Burocracia e identarismo

O Psol nos sindicatos, corrosão das organizações classistas

A política selvagem da pequena-burguesia é um verdadeiro câncer nas entidades trabalhistas. Sua prática afasta todas as pessoas sérias, deixando os trabalhadores indefessos.


A reunião da diretoria

Há pouco tempo, fui convidado por diretores do Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior do Estado da Paraíba (SINTESPB) para participar de uma reunião. Temos um trabalho em comum de mobilização na base sindical e da comunidade acadêmica que circunda o campus.

Ao comparecer à reunião aberta da diretoria, presenciei com espanto uma cisão intransigente de um dos setores da direção colegiada. O setor da direção, advindo da
Chapa 1, defendia de forma furiosa o pagamento de pessoas que “trabalharam” em uma atividade do sindicato sem a autorização da coordenação. Do outro lado estavam os diretores que compuseram as chapas 2 e 3, defendendo o pagamento apenas das pessoas autorizadas pela coordenação.

A princípio, seria natural que alguém que tenha contratado um serviço em nome da instituição, sem devida autorização, que o mesmo arque com os ônus. Ou seja, se Marcelino Rodrigues, “militante” do Psol, ex-militante do PSTU, um dos três coordenadores-gerais da FASUBRA, ao qual, desculpem o trocadilho mal elaborado, como a política do referido, caberia melhor a pecha de “Marcelino feijoada e cerveja” ou “Limpinho”, como vamos explicar mais à frente, contratou indevidamente, que lhe recaia os ônus.

A finanças do sindicato

Todos que têm algum contato com o SINTESPB escutam sobre os problemas de saúde financeira da entidade, que teve aumento na folha de pagamento e considerável redução nas receitas.

Entretanto, no desenvolvimento da discussão na reunião de diretoria em tela, levantou-se que as pessoas contratadas para trabalharem algumas poucas horas na atividade do sindicato eram, na realidade, diretores sindicais. E mais, esses mesmos diretores já haviam recebido auxílio financeiro para alimentação, transporte, e todos moram na mesma cidade da atividade.

Em resumo, em um dia, cada um desses “combativos” diretores retirava dos cofres do sindicato frações significativas em relação ao próprio salário. Com a vantagem de não terem incidência legal sobre as mesmas. Em compensação, as atividades políticas e sindicais ficam esquecidas, na base quase não se conhece a maioria dos diretores.

Dilapidando o patrimônio

A situação é tal que o “Marcelino feijoada e cerveja”, diretor administrativo do SINTESPB, realizou uma atividade de feijoada em comemoração ao dia dos servidores. Na atividade foram distribuídos ingressos para  107 filiados do sindicato com respectivos acompanhantes.

Ocorre que o Marcelino indicou a contratação da feijoada e do open bar para 500 pessoas. Se todos que reservaram convite comparecessem com um acompanhante permitido, ainda teríamos apenas 214 pessoas na atividade, número desproporcional ao pretendido de feijoada e cerveja pelo diretor administrativo.

O “Limpinho” vem dar sua demanda por material de limpeza com valor quase duas vezes acima do mês anterior e sem justificativa plausível. O cheque já era bastante alto para material de limpeza apenas das sedes no Campus I, aproximadamente R$ 1.500,00. Caso fosse atendida a demanda do diretor administrativo, passaria para R$3.000,00. O pleito não prosperou pela divergência da diretora financeira Lourdes, mesmo sendo negado o super cheque as atividades de limpeza transcorrem normalmente, não há prejuízo, algumas até melhoraram.

Ao mesmo tempo que gasta uma parcela expressiva da receita do sindicato com uma atividade superdimensionada, que atendeu aproximadamente 2% da categoria, esse mesmo grupo tenta se desfazer do patrimônio imóvel da entidade (querem vender uma casa no Castelo Branco, ao lado do Campus I), com a desculpa de sanar as dívidas.

Os mesmos não economizam nas despesas básicas, acarretam um aumento não autorizado e injustificável de horas extras aos funcionários, superfaturam o material de limpeza. A negativa de atender a esses pedidos é um dos pontos que promove a animosidade na direção colegiada.

A política do Psol

Voltando à reunião da diretoria, as companheiras Eurídice e Rafaella, coordenadoras-gerais, seguindo posição da companheira Maria de Lourdes, coordenadora de finanças, deliberaram por não pagar o valor de R$ 100,00, para os diretores que não estavam previamente autorizados. O “Marcelino feijoada e cerveja”, como bom representante do Psol, na ausência de argumentos, estava se impondo pela força sobre os fisicamente mais frágeis.

Ele estava à vontade gritando, desclassificando e ameaçando três mulheres e o coordenador de sua Chapa 1, tentando impor o pagamento pela força. Neste momento não me contive, interrompi o  mesmo, que direcionou seus gritos e ameaças em minha direção.

Para surpresa do mesmo, respondi à altura, sem a menor intimidação, em 20 anos de militância no PCO, acabei por enfrentar a extrema-direita e burocracias bem mais ameaçadoras.

Ao perceber que não iria se impor naquela situação nem se fôssemos para vias de fato, o “Marcelino feijoada e cerveja” recuou e lançou, esse é o verbo correto, a diretora Glaucia em cima da minha pessoa. A mesma iniciou uma série de agressões verbais e físicas com o dedo no meu peitoral.

Glaucia era uma das diretoras que reivindicavam o recebimento dos valores, considerando a média de salários da categoria, esses diretores conseguem fazer por mês, um extras de 5% a 20% do salário nas receitas. Isso explica sua postura de postura histérica, próxima a cão de guarda naquele momento.

Nessa situação, apenas coloquei as mãos para trás para evitar-se qualquer falsa acusação, que ocorreu de qualquer forma, e segui denunciando que não poderíamos aceitar a situação. Neste momento, a companheira Eurídice tomou a frente de Glaucia, e tentou parar as agressões da mesma e evitar uma campanha de calúnia contra minha pessoa.

Para que serve o identitarismo

O Psol, como sempre fizeram no movimento sindical e estudantil, lançam a pecha de machista sobre aqueles que discordam de sua política. Novamente, como em todas as outras oportunidades, não há uma discussão real sobre o machismo, havendo apenas uma campanha contra a vítima que os identitários tentaram linchar no momento.

A praxe dos integrantes denuncia o caráter hipócrita de sua política identitária. O mesmo diretor da Fasubra que clama defender as mulheres, as oprime sem nenhum pudor nas reuniões e assembleias do sindicato. O episódio mais recente, além de gritos e destratos, com basicamente todas as mulheres da direção do SINTESPB, o “Marcelino feijoada e cerveja” tentou desqualificar a companheira Euridice como representante da Fasubra para enfraquecer sua posição, apenas falácia ad hominem.

As mulheres são usadas de todas as formas por esses elementos e seus interesses reais são deixados de lado. No identitarismo não há luta pelos direitos das mulheres, existe apenas a luta por interesses individuais escusos.

Os frutos dessa política

Para quem não conhece a política do Psol, é de se estranhar que no local onde está lotado um dos três coordenadores-gerais da FASUBRA, esta foi a instituição que mais sofreu com a intervenção bolsonarista. É ponto pacifico para quem acompanha a vida universitária brasileira que na UFPB a intervenção bolsonarismo, por meio de Valdiney, foi a mais incrível descida do Brasil.

Outra consequência direta dessa política é o afastamento dos servidores e consequente aniquilação da entidade representativa. Apenas nesse último semestre houve a desfiliação de 3,8% da base sindical. 

Mesmo com os esforços dos companheiros do Campus IV, que realizaram uma campanha de filiação sensível com ingresso de 38 companheiros, correspondendo a 1,6% da base à época, ainda estamos com encolhimento da base de aproximadamente 1,6%.

Qual o futuro?

Precisamos esclarecer a categoria que essa burocracia pequeno-burguesa contribui apenas com os patrões, ao enfraquecer os trabalhadores. Temos que mobilizar a base da nossa categoria para limpar esse chorume da nossa instituição, e assim pode enfrentar a intervenção bolsonarista e realizando uma campanha salarial forte, com base unida e mobilizada.

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