Francisco Weiss

Militante do PCO em São Paulo. Juntou-se ao partido em 2018, em meio à campanha da luta contra o golpe e pelo “Fora Bolsonaro”. É membro da coordenação do Grupo por uma Arte Revolucionária Independente (GARI), além de dirigente do PCO em São Paulo. Apresenta de segunda a sexta o programa Reunião de Pauta na COTV e outros programas do Canal e também da Rádio Causa Operária.

"A última sessão de música"

Milton Nascimento encerra sua carreira em grande estilo

Com apresentação lotada no Mineirão, Milton Nascimento e outros artistas convidados, executam canções da fase mais celebrada do cantor

Neste domingo, o cantor e compositor, Milton Nascimento, realizou o último show de sua carreira em Belo Horizonte, encerrando a turnê “A Última Sessão de Música”, no Estádio Mineirão. Trata-se da despedida dos palcos de um dos músicos mais influentes do que se convencionou chamar de “Música Popular Brasileira”.

A apresentação lotou o estádio, vendendo um total de 57 mil ingressos. Milton executou canções compostas entre os anos 60 e 80, o período mais celebrado e rico de sua carreira. Ele abriu a noite com “Ponta de Areia”, uma nostálgica canção que remete a uma extinta linha de trem que ligava Bahia a Minas Gerais.

Milton juntou também seus antigos colegas de “Clube da Esquina”, o álbum cujo título se tornou o nome desse grupo de artistas vindos de Belo Horizonte e que fazia músicas com uma estética inovadora para a época, totalmente diferente de movimentos anteriores como a Tropicália ou Bossa Nova, ainda assim sendo uma música completamente brasileira.

Com esses colegas do Clube – Wagner Tiso, Toninho Horta, Beto Guedes e Lô Borges – Milton cantou “Para Lennon e McCartney” e “Um Girassol da cor do seu Cabelo”. A primeira, uma espécie de rock “mineiro”, cujo nome é em homenagem aos Beatles. Ela é uma afirmação de que Milton estava saindo da sonoridade tradicional da MPB de seus álbuns anteriores e trazendo a música estrangeira para a mistura também. É a sua primeira canção com a presença de guitarras, teclados elétricos e outros instrumentos do rock, mas com uma importante defesa da cultura nacional e latino-americana na letra. Ao falar “Eu sou da América do Sul, eu sei, vocês não vão saber. Mas agora eu sou caubói, sou do ouro, eu sou vocês, eu sou o mundo, eu sou Minas Gerais” em pleno 1970, Milton se impõe sobre os estrangeiros e mostra que fazia uma música brasileira tão relevante quanto as hegemônicas americanas e inglesas.

Artistas estrangeiros da mais alta qualidade, que prestaram homenagem a Milton, não deixam dúvidas sobre isso: Wayne Shorter, um dos maiores saxofonistas do Jazz; Peter Gabriel e Jon Anderson, cantores do Genesis e do Yes, duas bandas reconhecidas por sua altíssima qualidade musical; Miles Davis, Paul Simon, Herbie Hancock, um dos maiores pianistas da história do jazz; Pat Metheny, que moldou o som da guitarra de jazz dos anos 70 em diante. Todos são artistas que já gravaram ou já prestaram algum tipo de homenagem ao cantor brasileiro.

Milton, acompanhado por Samuel Rosa, do Skank, também cantou “Trem Azul”, uma das canções mais famosas do próprio álbum “Clube da Esquina”, composta por Lô Borges. “San Vicente”, canção da autoria de Milton com toques de música latino-americana, que trata da questão do negro e da escravidão no Brasil, foi cantada por Zé Ibarra, artista que fez o show de abertura.

Também fez parte da apresentação, “Cio da Terra”, composta junto com Chico Buarque, que narra a vida do trabalhador do campo, “Travessia”, um de seus primeiros sucessos, e “Encontros e Despedidas”, que encerrou a noite. Outras músicas que marcaram a carreira de Milton também estiveram no repertório.

A turnê “A última sessão de música” encerra uma carreira de altos e baixos, prestando homenagem ao seu período mais produtivo. Num momento em que Milton já se mostra bem debilitado pela idade e por problemas de saúde, a aposentadoria parece ser um passo natural. A importância de sua obra para a música popular brasileira é inestimável e merece a homenagem que recebeu nessa última turnê.

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