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Entrevista ao DCO

Leonel Brizola:  “aonde a Globo aponta, o PSOL caminha marchando”

Neto de Leonel Brizola, ex-PSOL e PDT, conversa com o Diário Causa Operária sobre o PSOL, as ONGs imperialistas, a Rede Globo e a manipulação das eleições pela direita


O Diário Causa Operária entrevistou Leonel Brizola Neto, ex-PDT e PSOL e atualmente candidato a deputado federal pelo PT no Rio de Janeiro. O ex-vereador, neto de Leonel Brizola, já destacou em outras oportunidades suas divergências dentro do PDT, o qual já denunciou que, após a morte do avô, o partido foi controlado por “pessoas que representam a antítese do pensamento e da prática política do meu avô”.

Nesta entrevista, ele volta a falar a respeito de divergências, desta vez no PSOL, de onde saiu no final do ano passado para se filiar ao PT. Particularmente os ataques que sofreu após conceder, em 2019, a Kim Jong Un, líder da Coreia do Norte, uma Moção de Louvor na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Ele critica o PSOL, denuncia a infiltração de ONGs imperialistas na política nacional e defende a luta pela soberania do País. Também fala sobre a relação do partido com a Globo e o monopólio arbitrário da Rede Globo. Sobre a direita nacional, reafirma: ele sempre manipula as eleições.

Leia a entrevista, a seguir:

Por que você teve a atitude de defender a Coreia do Norte?

Aquilo era a defesa contra o imperialismo e pela autodeterminação dos povos. A Coreia estava desempenhando um papel muito importante em uma área geográfica onde os EUA têm bases militares. Então é uma questão de soberania nacional daquele país que vem sendo massacrado. Eu queria trazer uma discussão sobre a questão do imperialismo, que parece que fica adormecida nas esquerdas. Não se discute mais isso. E veja a situação em que nos encontramos. Aqui no Brasil, o dedo do imperialismo norte-americano, seja em 1964 ou agora, é grave. Mais de 90% do pré-sal está na mão das petrolíferas americanas e estrangeiras.

Naquela ocasião eu fui muito mal-compreendido dentro do PSOL por conta do ataque da Globo. Porque quem atacou primeiro foi a Globo. Logo em seguida, os deputados do PSOL começaram a se manifestar. Foi um verdadeiro ataque sem mesmo virem falar comigo e acabei sendo muito massacrado e sendo colocado de escanteio no partido.

E foi ali que você falou que quem manda no PSOL é a Globo?

O Lauro Jardim sempre foi o “oráculo da verdade” para eles. Essa influência ficou muito clara para mim quando o PSOL quis homenagear o Marcelo Bretas, um cara que atenta contra a democracia, um justiceiro. Me ligaram para eu participar e eu neguei, e fui novamente colocado de escanteio.

Por que você acha que o PSOL tem essas posições?

Eu acho que o PSOL se equivocou muito pela luta identitária. Tanto é que ao mesmo tempo que impulsionava isso, também impulsionava o bolsonarismo no Rio de Janeiro de maneira mais violenta. Afastava a esquerda das discussões importantes.

Você acha que ainda hoje a Globo manda no PSOL?

Eu acho que a Globo tem muita ingerência em determinados setores. Eu diria que há uma posição um pouco diferente agora por conta da saída do Marcelo Freixo. Então o PSOL está muito dividido em setores. Tem um setor que comanda de fato o partido, no Rio de Janeiro principalmente, que é de fato assim: aonde a Globo aponta, eles caminham marchando. Isso ficou muito claro em diversos episódios durante a Lava Jato.

Mesmo com a saída do Freixo isso continua assim?

Sim, principalmente por conta do Chico Alencar. Ele é quem mais trabalha em prol da Rede Globo.

A concessão da Globo vai vencer em outubro…

A Globo foi criada com capital estrangeiro, o que é ilegal. E se transformou em um monopólio. Isso não pode existir. É preciso discutir a regulamentação dos meios de comunicação para acabar com esses monopólios. A Globo criou o caldo cultural que levou ao bolsonarismo, desde a década de 1980, com sua programação atacando os pobres, os negros, os trabalhadores e o próprio País apelando para o moralismo e criando fantasmas como o comunismo. A Record também é um monopólio que é infiltrado pelo capital estrangeiro. O Edir Macedo é um bispo, político e banqueiro e a Record trabalha contra a soberania e a cultura nacionais e a favor do imperialismo americano. Teremos de fazer essa discussão, em algum momento, da entrada do capital estrangeiro nos meios de comunicação do nosso país.

E com relação à infiltração desse capital estrangeiro na política (políticos, partidos, ONGs etc.)?

Essa infiltração sempre existiu. Muitos documentos históricos comprovam isso, inclusive a presença da CIA. Tudo isso para massacrar a esquerda. Principalmente após a queda da ditadura, boa parte dessa atuação passou para as mãos de ONGs. Claro que há ONGs que não se prestam a esse serviço, mas muitas sim, que financiam candidaturas liberais às vezes transvestidas de defensoras da educação e da igualdade, mas que nesse quesito sobre a soberania são completamente entreguistas e contra os direitos dos trabalhadores. Trabalham contra o desenvolvimento nacional. E estão instaladas dentro da política brasileira, seja ela uma Fundação Lemann ou uma Fundação Roberto Marinho, ou esses institutos como o Renova. Eles inclusive financiam a instabilidade econômica para enfraquecer o país contra o domínio externo.

E nos últimos anos estamos vendo essa infiltração também na esquerda…

É porque, em um dado momento, a questão do imperialismo ficou de lado. Quando a esquerda esquece essa questão e se preocupa com pautas morais ou em determinadas questões rasas, que não se aprofundam, a gente não avança. E dá oportunidade para a extrema-direita crescer.

Com relação às ONGs e fundações estrangeiras, qual o nível do envolvimento do PSOL com elas?

Nunca ficou claro dentro do partido. Isso acaba se ingerindo por fora. As ONGs não se vinculam diretamente a partidos, mas por exemplo, impulsionam candidatos e o inserem dentro do partido. Essas são as táticas desses representantes do capital externo. Elas se infiltram por meio de outros mecanismos, talvez mais obscuros.

Elas têm um poder muito forte, não?

É o poder do dinheiro. Elas financiam uma “luta”. Mas a intenção delas é muito maior. Espero que os inocentes compreendam que não existe dinheiro de graça. Ninguém dá nada de graça para ninguém, a não ser com outra intenção. Ainda mais se tratando de fundações estrangeiras. São mecanismos do capital externo, de criar instabilidade e confusão, de abafar determinadas discussões. É um método.

Recentemente, você falou que a direita está acostumada a vencer as eleições na base da falcatrua. Você acha que isso ainda acontece no Brasil?

Sim, com certeza. Basta ver o governo do Claudio Castro aqui no Rio de Janeiro. Ele privatizou a Cedae e, com parte desse dinheiro, ele contrata funcionários como uma espécie de cabos eleitorais. Isso é um exemplo claro de como a direita trabalha, através da compra do voto. O Bolsonaro, por sua vez, vai pagar o Auxílio Brasil só até o final das eleições. O Plano Cruzado é outro exemplo histórico de como a direita ganha na base da falcatrua ─ a Justiça chegou a proibir o Leonel Brizola de fazer campanha para o Darcy Ribeiro ser governador do Rio de Janeiro, e o Brizola depois alertou que o Plano Cruzado era uma “furada”, uma grande farsa da eleição. O Real foi a mesma coisa.

Então, a direita sempre manipula a eleição. Inclusive comprando votos (ela sempre faz isso, porque é quem tem mais dinheiro, e quem tem mais dinheiro manda).

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