Greves

França: crise imperialista coloca classe operária nas ruas

Trabalhadores franceses paralisam o país reivindicando aumento salarial frente à enorme inflação na Europa

Na última terça-feira (27), trabalhadores da refinaria Esso da Exxon Mobil, em Fos-sur-Mer, no sul da França, realizaram uma greve que durou até sábado (02). A empresa está acelerando a produção para que não haja muito problema no abastecimento.

A greve resultou no fechamento temporário da refinaria na última sexta-feira (01). A unidade da Exxon em Fos tem uma capacidade de refino de 7 milhões de toneladas por ano, que corresponde a cerca de 10% da capacidade nacional, de acordo com a empresa. As paralisações na Esso começaram em 28 de junho, com trabalhadores exigindo salários mais altos para cobrir a inflação. Eles fizeram parte de esforços sindicais mais amplos esta semana que atingiram outras empresas de energia, como a concessionária pública de energia elétrica EDF.

Além disso, diversos voos foram cancelados em Paris após greve neste final de semana. A greve de trabalhadores de aeroportos na Europa, que vem ocorrendo em diversas cidades do continente como Reino Unido, Amsterdã e França, levou autoridades aeronáuticas a cancelarem 14% dos voos previstos para aeroportos de Paris neste sábado.

Na sexta-feira (01), 17% dos voos já tinham sido cancelados. Os trabalhadores pedem mais contratações, pois vários trabalhadores foram demitidos durante a pandemia, e aumento de salários para acompanhar a inflação global que foi causada pela política dos Estados Unidos de embargo à Rússia. As empresas estão tentando fazer a logística de manter os passageiros informados sobre os cancelamentos para que o caos seja minimizado.

Os sindicatos planejaram estender a greve até o domingo (03), porém, aparentemente nenhum voo foi cancelado no dia segundo a agência de notícias Reuters. Os trabalhadores ameaçam continuar com a greve no próximo fim de semana se as negociações com a administração da empresa que opera os terminais não levarem a um compromisso.

Companhias aéreas e aeroportos que cortaram empregos durante momentos mais críticos da pandemia de covid-19 lutam para acompanhar o aumento da demanda após dois anos de restrições de circulação. Neste sábado (02), diversas companhias que operam no aeroporto Charles de Gaulle tentavam restituir bagagens a passageiros de todo o mundo. Na sexta-feira (01), uma falha técnica no sistema de triagem de bagagens fez com que 15 voos partissem do aeroporto sem bagagens, deixando ao menos 1.500 malas no solo.

Frente à inflação galopante, os franceses estão exigindo seus direitos, estão se radicalizando e usando a arma que têm: as greves. A guerra na Ucrânia, que está sendo financiada, em grande parte, pelos Estados Unidos e pelos países imperialistas europeus, está saindo caro para os cidadãos. Os preços dispararam por conta dos embargos e da manutenção dos embargos à Rússia. Os efeitos colaterais já estão sendo sentidos. Como os bancos e as grandes empresas não querem pagar a conta do embargo que eles mesmo estimularam, estão repassando o prejuízo para o trabalhador, que sofre com a alta dos juros, o aumento do preço dos produtos básicos e de serviços essenciais, a diminuição de seus salários etc.

Especificamente na França, ainda existe o agravante chamado Macron, um representante fiel do neoliberalismo no país. Recordemos, entre as principais decisões de Emmanuel Macron, a abolição do ISF (imposto de solidariedade sobre a riqueza) em nome da chamada teoria do “trickle-down”, segundo a qual a menor tributação dos mais ricos leva a mais investimentos e, portanto, a mais empregos e um eventual aumento do padrão de vida dos mais pobres. Ou ainda, a redução do APL de cinco euros por agregado familiar em nome da luta contra a renda do terreno que deveria capturar em seu único benefício os subsídios públicos às rendas dos mais modestos.

As várias crises vividas pelo mandato de Emmanuel Macron (“coletes amarelos”, Covid e agora a intervenção russa da Ucrânia) podem ter dado a impressão de que as decisões tomadas no dia-a-dia se afastavam desta intenção fundamental, com o agora famoso “o que for preciso” .

Essa continuidade e esse acirramento da política profundamente imperialista de Macron, explicam, sem sombra de dúvidas, a insatisfação dos franceses com boa parte das políticas públicas do governo. Especialmente no que diz respeito às instituições onde essas políticas públicas são decididas.

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