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Censura

Está em marcha uma nova operação política da direita

Campanha histérica contra o apresentador Monark revelou movimento da burguesia para fechar ainda mais o regime


Na semana passada, uma polêmica envolvendo o youtuber e ex-apresentador do Flow Podcast Bruno Aiub, conhecido como Monark, tomou conta da discussão política no país. Da esquerda à direita, todos estavam comentando o caso, com o debate dividido, basicamente, entre os defensores da liberdade de expressão e os defensores da chamada “censura do bem”.

De forma breve, o que ocorreu foi o seguinte: durante um episódio do programa, o qual contava com a participação de Kim Kataguiri (DEM) e Tábata Amaral (PSB), Monark defendeu o direito à legalização de um partido nazista no Brasil. Imediatamente, diversos setores da esquerda identitária, aliados com a imprensa burguesa e a burguesia, como um todo, atacaram brutalmente o apresentador, tachando-o de nazista, quando ele havia apenas defendido um direito democrático.

Assim como em boa parte de suas campanhas, a imprensa burguesa, liderando a agitação e a propaganda do setor favorável ao escrutínio de Monark, procurou criar a ilusão de que se tratava de uma discussão fundada no humanismo. Segundo essa lógica, Monark teria infringido um princípio fundamental da existência humana ao defender a legalidade de um partido nazista. Por conseguinte, tornou-se um dever cívico atacar o youtuber de todas as maneiras possíveis. Entretanto, isso não passa de uma ilusão, uma mentira, e, para entendermos isso, é preciso voltar às origens do movimento dos trabalhadores.

Desde o começo, Karl Marx, um dos maiores revolucionários de todos os tempos e fundador do marxismo, defendia incondicionalmente a liberdade de expressão. Ele já havia entendido que, dentro do capitalismo, toda e qualquer restrição de um direito democrático acabaria se voltando contra os oprimidos. Algo que, mais tarde, seria reforçado por Leon Trótski, um dos principais dirigentes da Revolução de Outubro, na Rússia, que sintetizou poderosamente este raciocínio sob a seguinte frase:

“Nas condições do regime burguês, toda supressão dos direitos políticos e da liberdade, não importa a quem sejam dirigidos no início, no final inevitavelmente pesa sobre a classe trabalhadora, particularmente seus elementos mais avançados. Essa é uma lei da história. Os trabalhadores devem aprender a distinguir entre seus amigos e seus inimigos de acordo com seu próprio julgamento e não de acordo com as dicas da polícia.”

Divide-se claramente, então, quais são as forças envolvidas no caso Monark. De um lado, defendendo a liberdade de expressão irrestrita, está o progressismo, o movimento democrático, a doutrina marxista ortodoxa. Do outro, de maneira completamente histérica, está a defesa da censura, a defesa do fortalecimento do estado burguês e, nesse sentido, do próprio fascismo.

Ao analisarmos mais de perto quem compõe o lado histérico da coisa, somos, todavia, surpreendidos com um verdadeiro “arco-íris” político. Dentre os grandes paladinos da censura, temos os esquerdistas identitários (a esquerda pequeno-burguesa), setores da imprensa dita “progressista”, a direita “tradicional”, como o centrão, a imprensa burguesa e, até mesmo, a extrema-direita, como é o caso de Bolsonaro. Estariam todos alinhados com os “deveres morais universais” da humanidade?

Assim como mostramos acima, o que temos, na realidade, é um movimento político encabeçado pela burguesia. A esquerda pequeno-burguesa, assim como é de costume, fica a reboque da política do imperialismo, defendendo posições estupidamente reacionárias e demonstrando, portanto, uma falta profunda de princípios políticos. Com isso, pode surgir a pergunta: como sabemos que o manda-chuva aqui é a burguesia?

Além da caracterização político-ideológica da coisa, que separa bem as posições progressistas das reacionárias, temos dois indícios que matam a charada.

O primeiro, é a rapidez com a qual a campanha contra Monark se desenvolveu. Em algumas horas, ele foi desligado do programa, perdeu sua parte na sociedade dos Estúdios Flow e, além disso, sob o comando do golpista Augusto Aras, a Procuradoria Geral da República (PGR) abriu uma investigação contra ele. Aqui, devemos nos perguntar: onde está a investigação contra Bolsonaro?

O segundo está no fato de que, antes de qualquer um, foram os patrocinadores do Flow que lideraram as pressões para que Monark fosse perseguido. E quem são esses patrocinadores? Citando alguns exemplos, temos a Fatal Model, uma agência de prostituição, e a Puma, empresa que, inclusive, tem suas origens no apoio ao nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. Sem contar na observação de que a posição reproduzida pela esquerda pequeno-burguesa foi tirada diretamente dos editoriais e artigos da imprensa burguesa, como a Folha, o Estadão, o Globo etc. 

Decerto, assim, que se trata de uma campanha que serve completamente aos interesses da burguesia. Negar esta conclusão significa negar o marxismo, uma vez que se baseia no próprio materialismo histórico no sentido de que a burguesia fará o que estiver ao seu alcance para manter o seu poder e, consequentemente, nunca agirá em prol dos trabalhadores.

Ou seja, fica evidente que foi um movimento pensado, calculado, que contou com o apoio de toda a artilharia do estado burguês. E o fato de ter sido justamente no ano das eleições presidenciais mais polarizadas em quase duas décadas não é coincidência. Significa, por esse ângulo, a criação de mais uma grande operação policialesca aos moldes da decadente Lava Jato.

Vemos, além disso, que essa nova campanha visa atacar principalmente a internet. Afinal, a internet permite uma maior democratização dos meios de comunicação, possibilitando o surgimento de alternativas ao monopólio da imprensa burguesa, como é o caso deste Diário. Não é à toa que o Telegram sofre ataques parecidos por parte do judiciário sob o pretexto de combate às fake news, ataques esses que se intensificam à medida que as eleições se aproximam.

A internet significou o acesso de bilhões de pessoas ao redor do globo à informação fácil, sem necessitar comprar jornais, pagar TV por assinatura, assinar revistas. Diversas publicações faliram e se extinguiram. Canais de TV veem suas audiências despencarem nos últimos anos. Mesmo em um país como o Brasil, onde não são todos que têm acesso à internet, ela é mais popular do que os meios de comunicação tradicionais.

Porque a internet possibilita um acesso ao conhecimento quase ilimitado. Além disso, um fator determinante é que, ao contrário de todos os meios de comunicação de massas tradicionais, ela é interativo. O público não é mais apenas receptor, mas também um emissor de conteúdo, de ideias. Pela primeira vez na história da humanidade, os homens podem se dirigir a grandes públicos sem seres poderosos. Isso é graças à criação das redes sociais.

Tanto é assim que as redes sociais têm sido cada vez mais determinantes nas campanhas políticas, como visto nas eleições. Os monopólios dos meios de comunicação tradicionais veem-se perdendo uma parte da concorrência. Por sua vez, os grandes capitalistas percebem que perdem, aos poucos, uma parte de seu monopólio da palavra. O povo pode contestar, criticar, denunciar e até mesmo se organizar através da internet. Um perigo para a grande burguesia.

É por esse motivo que vem sendo realizada uma campanha pesadíssima de censura na internet. Em diversos países, mesmos as potências ditas “democráticas” (como a Alemanha), baniu-se sítios de organizações de esquerda na Internet. E também de extrema-direita. Mas são as redes sociais os maiores alvos. Há uma pressão enorme contra o Facebook, o Twitter e o Google, para aderirem à censura em massa de seus usuários. Somente o Twitter tem demonstrado alguma dose de resistência, enquanto os outros ─ com vínculos estreitos com os serviços de inteligência do governo dos EUA ─ já aderiram em peso à espionagem, vigilância, roubo de informação e censura de seus usuários.

Mas isso não é o suficiente para os grandes capitalistas. A internet é muito livre, na sua opinião. Livre demais. Afinal, dizem eles que a liberdade não pode ser absoluta. Mesmo a inofensiva (para o povo) liberdade de expressão. Preparam uma operação das mais nocivas que já existiram no Brasil, a fim de cercear de modo atroz a liberdade na internet.

No final, todos os caminhos levam a Roma. A burguesia, sob a direção do imperialismo, movimenta uma verdadeira máquina de guerra para acabar com a liberdade de expressão. E ela coincide com a sua necessidade de barrar a candidatura Lula, uma vez que representa uma oposição forte ao imperialismo americano e, dessa forma, uma força contra o processo golpista que, há quase uma década, está em marcha no País. É imprescindível, diferente do que ocorreu em 2016 e 2018, que a esquerda abandone toda e qualquer ilusão do tipo democrática no que diz respeito à corrida eleitoral deste ano. A direita vai tentar fraudá-la de todas as formas. Se a burguesia já prendeu Lula uma vez, fará de tudo para que sua eleição não se concretize. E isso passa pela censura na Internet.

Mas esse seria apenas um primeiro capítulo dessa operação. A burguesia precisa impor um fechamento do regime sob fachada democrática. Por isso usa a extrema-direita de bode expiatório. No final, o alvo verdadeiro é o povo, que será privado de sua liberdade de expressão.

A burguesia procura impor um regime extremamente fechado, uma ditadura na qual todos aqueles que se posicionarem contrários à ordem política vigente serão duramente censurados pelo aparato do estado burguês. A única forma de combatermos essa perspectiva é por meio da mobilização pela liberdade de expressão irrestrita, garantida pela própria Constituição Federal, bem como uma ampla mobilização em torno dos direitos democráticos e por um governo dos trabalhadores, onde haja plena liberdade de expressão, de organização e demais direitos democráticos.

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