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Republicanos x Democratas

Eleições nos EUA: trumpismo volta com tudo

Resultados preliminares das eleições deste ano demonstram que os republicanos são uma força que pode acabar com a base de Biden no legislativo


Nessa terça-feira (08), ocorreram, nos Estados Unidos, as eleições de meio de termo (midterm elections), que elegem os representantes de cada estado para as duas instâncias do legislativo americano, o Congresso e o Senado. Marcada por uma enorme polarização, a previsão de todos os principais jornais imperialistas é a de que o Partido Republicano varra os democratas do mapa, atingindo a maioria em ambas as casas.

Vale lembrar que apenas alguns estados estão sujeitos à eleição para o Senado e o Governo. Parte dos parlamentares manterá seus mandatos até 2024, enquanto outros, até 2026. Em relação aos governos, os Republicanos já possuem 8 assentos, e os Democratas, 6, restando 22 estados. No Senado, acontece o contrário: 36 assentos são dos Democratas e 29 dos Republicanos. No Congresso, a situação é diferente, pois todos os eleitos serão, necessariamente, renovados.

As apostas

Até o fechamento desta edição, pouquíssimos votos haviam sido apurados, de maneira que não foi possível tirar nenhuma conclusão concreta sobre a votação. Entretanto, vale registrarmos mais precisamente quais são as apostas para cada estado.

Senado

Segundo o jornal The Guardian, 4 estados tendem para o lado Republicano no que diz respeito às vagas para o Senado (Carolina do Norte, Ohio, Flórida, Iowa e Otah). Enquanto isso, 3 iriam para o lado Democrata e outros cinco estariam no meio termo, sem possibilidade de identificação de uma tendência clara.

Congresso

Já no Congresso, segundo o mesmo jornal, 25 assentos tendem para os republicanos, e 33 para os democratas. O resto, 30 cadeiras, estão ainda completamente indefinidos.

Uma história de superação

Em 2020, Trump perdeu seu espaço na Casa Branca para Biden em uma eleição que, ao que tudo indica, foi fraudada contra o republicano, justamente para que o principal setor do imperialismo pudesse voltar ao poder e controlar o país. O problema é que, apesar de derrotado, o trumpismo não parou de crescer e, principalmente com o advento da crise imperialista mundial, ocupou espaço central na situação política americana.

É uma tendência que, inclusive, pode ser vista em demais países, como é o caso da Itália, da Suécia, da França, da Alemanha e do próprio Brasil, onde a extrema-direita cresceu consideravelmente.

A vitória não é do Partido Republicano, mas do trumpismo

O mesmo ocorre no interior do Partido Republicano. Em sua primeira eleição, Trump conquistou o apoio de grande parcela dos republicanos, sendo, efetivamente, apontado para concorrer contra Hillary Clinton. Entretanto, dos últimos anos para cá, dominou quase que por completo a legenda, tornando-se a principal liderança da direita de todo o país.

Nesse sentido, a vitória dos republicanos nas eleições de meio de mandato deste ano não representa apenas isso. Mas sim, a vitória do trumpismo enquanto força política que se opõe ao principal setor do imperialismo americano. O quadro é ainda mais grave quando levamos em consideração que Biden possui toda a máquina estatal dos Estados Unidos ao seu dispor, um poder incomparável com o que Trump possui, apesar de ter grande capital e o apoio de alguns setores imperialistas. Por que não conseguiu manter o poder de maneira mais firme?

Fato é que o imperialismo passa por uma das maiores crises de toda a sua história. As derrotas no Afeganistão, Cazaquistão, Nicarágua, Ucrânia e outros desmoralizaram muito o governo Biden ao ponto de que, com a crise econômica aumentando cada vez mais, começou a ser amplamente rejeitado dentro e fora dos Estados Unidos. O povo rejeita cada vez mais o centro político que, fundamentalmente, é a raiz da crise mundial. Biden é o principal representante desse setor e, com isso, não é nada popular.

E a esquerda?

Já é sabido que, de maneira geral, não existe esquerda nos Estados Unidos. O Partido Republicano e o Partido Democrata, apesar de serem oficialmente colocados na contradição entre esquerda e direita, são reacionários e, no final, imperialistas. A diferença é que representam setores diferentes e, na maioria das vezes, antagônicos, mas, mesmo assim, da burguesia imperialista.

A esquerda americana, há décadas, desapareceu completamente do mapa, seja por conta da política stalinista, seja por conta da repressão do imperialismo, seja por outros motivos menores. Atualmente, não existe uma alternativa progressista consequente, que tenha a capacidade de fazer uma frente efetiva ao imperialismo – algo que contribui, inclusive, para o fortalecimento do trumpismo.

Talvez, com a enorme crise do sistema, comece a aparecer sinais mais claros da luta dos trabalhadores nos Estados Unidos, como, por exemplo, aconteceu na pandemia, com algumas greves aparecendo ao redor do país e o ressurgimento de alguns sindicatos. Todavia, ainda é algo, pelo menos, embrionário e, portanto, nos limitaremos a observar uma briga entre dois setores distintos da direita nas eleições deste ano.

E para o resto do mundo?

Não podemos esquecer que estamos falando da segunda eleição mais importante do mundo no que diz respeito aos efeitos que tem para os outros países. Atrás, somente, das eleições primárias dos Estados Unidos. Ou seja, seu resultado terá um impacto direto em como o principal país imperialista do mundo funciona, algo que pode mudar completamente a política americana para o exterior, principalmente em relação aos países oprimidos.

Afinal, o Congresso e o Senado possuem grande poder de decisão sobre toda a política proveniente do Executivo que, agora, está nas mãos de Biden, do Partido Democrata. Se os Republicanos obtiverem uma maioria, poderão frear parte significativa dos planos do atual presidente pelos próximos dois anos, como por exemplo o direcionamento de capital, equipamentos e recursos, em geral, à Ucrânia.

Trump já colocou que sua política deve ser voltada para os Estados Unidos. Em todo o seu mandato, ele deliberou pouquíssimas operações de intervenção em países estrangeiros, principalmente quando levamos em consideração a destruição global que Biden já promoveu em apenas dois anos. Nesse sentido, os Republicanos, dominados pelo trumpismo, podem enfraquecer justamente esse tipo de diretriz, algo que representaria uma folga para os países oprimidos.

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