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Fábio Picchi

Militante do Partido da Causa Operária (PCO). Membro do Blog Internacionalismo e do Coletivo de Tecnologia do Partido da Causa Operária. Programador.

Tudo em nome da guerra

Dois pesos duas medidas

Hipocrisia imperialista cai aos níveis mais baixos para impulsionar conflito no Leste Europeu


O conflito Rússia-Ucrânia, tao antecipado pela máquina de guerra imperialista, parecia mostrar sinais de retrocesso na última quarta-feira. Os russos anunciaram a retirada de suas tropas tanto da Bielorrússia como da Crimeia. Convenientemente, Vladimir Putin havia enviado regimentos para as regiões vizinhas à Ucrânia para realizar “exercícios militares” diante das ameaças de guerra imperialistas. Parecia que a maior das ex-repúblicas soviéticas – de maneira muito mais habilidosa que as antigas administrações stalinistas – havia, por um misto de demonstração de força e diplomacia, evitado um confronto militar e conquistado uma posição política vantajosa no cenário internacional com a possível desistência do país vizinho de se integrar à Organização Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Parecia. Eis que o governo norte-americano e seus procuradores da OTAN, num apelo à inteligência do público, exigem “provas materiais” de que as tropas russas estavam realmente recuando. Como se fosse possível compartilhar algo além dos vídeos e dos compromissos dos chefes de Estado da Rússia e da Bielorrússia. Além do que, como todos sabem, não há limites para os olhos do imperialismo com seus satélites que, da órbita terrestre, espionam meticulosamente cada canto do globo. Os denunciantes possuíam recursos mais do que suficientes para provar o que cobravam dos russos. Não o fizeram porque não há como demonstrar uma falsidade, a não ser que se fabrique os fatos.

Caminhando para o fim dessa semana de baixos e altos no fronte de batalha, a guerra que parecia acabar passa a ser mais provável do que nunca. Há um atentado terrorista no Donbass. Além disso, aprofundam-se os bombardeios contra as repúblicas no leste ucraniano que buscam sua autonomia desde o golpe de Estado de 2014. Um representante de Donetsk e Luhasnk anuncia oficialmente a evacuação em massa do Donbass para Rússia. Denunciam também que as tropas ucranianas estão preparadas para uma guerra total.

Putin já havia anunciado que o que acontecia na região era um verdadeiro genocídio. A imprensa russa divulgou até mesmo fotos de valas comuns para as vítimas dos constantes ataques do governo ucraniano – que trava o combate apoiado em milícias fascistas que descendem da ocupação nazista do país.

Qual a reação do imperialismo diante dessa ofensiva ucraniana? Sedentos por sangue, clamam que os acontecimentos brutais seriam utilizados pela Rússia para justificar uma invasão do país. Vão além! Apelam para a inteligência do público e alegam que os ataques seriam autoinfringidos, planejados pelos russos em conjunto com as repúblicas do Donbass.

A tranquilidade com que órgãos da imprensa imperialista até mesmo respeitáveis – como o The Economist – veicularam tais ideias me espantou. Essa acusação, totalmente desprovida de evidências, coloca o espetáculo promovido por Collin Powell na reunião do Conselho de Segurança da ONU às vésperas da guerra do Iraque no chinelo.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, evocando habilidades circenses de sua antiga profissão, declarou em conferência com líderes imperialistas em Munique neste sábado que os separatistas estavam se atacando “por um ato de loucura”.

Não nego que os bombardeios possam ter sido uma armação, mas por que não da CIA? Por que não dos nazistas do Batalhão Azov que buscam qualquer desculpa para exterminar toda a minoria russa na Ucrânia? O que Putin tem a ganhar com a guerra? Está claro que a guerra seria bem-vinda apenas para o imperialismo que busca enfraquecer como pode o governo russo.

O mais curioso disso tudo é como o que é considerado teoria da conspiração para um lado é verdade incontestável para o outro. Muitas pessoas veiculam a ideia de que os atentados de 11 de setembro tenha sido autoinfringidos ou, ao menos, facilitados pelo departamento de Estado norte-americano. Há também a tese de que a explosão do porto de Beirute em 2020 tenha sido obra do Estado de Israel. Para a imprensa monopolista mundial e toda a classe média bem-pensante, essas proposições são teorias da conspiração. Agora, veiculam teses ainda mais espalhafatosas como se fossem a mais pura verdade e nem nos oferecem evidências. “Putin é um gênio do mal” basta para tempos de infantilização do debate político.

A denúncia russa de genocídio, as valas comuns, também: fake news. Agora os campos de concentração dos uigures na China, com supostos milhões de detentos, esses são completamente verdadeiros. Tudo o que temos para sustentar essa tese de que há um “genocídio invisível” na China são algumas fotos de satélite e foto-montagens reiteradamente desmentidas por jornalistas especializados.

É um claro caso de “double standards”, como diria nosso querido Gabriel Boric, presidente-eleito do Chile e líder máximo dos esquerdistas bem-pensantes. Boric fez uso da expressão em inglês – que traduz-se para o título desta coluna – para denunciar as supostas violações de direitos humanos de governos de esquerda como os da Venezuela e da Nicarágua. Será que o chileno vai apontar a hipocrisia imperialista no caso ucraniano? 

Acredito que a essa altura ele já esteja se preparando para pegar em armas contra os malvados russos. Afinal, o mundo é simples assim, os bons falam a verdade e os maus mentem.

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