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Farsa

Cúmplice do golpe eleitoral, TSE não vai punir patrões por coação

Patrões coagem funcionários a votar em seus candidatos impunemente, a tendência geral da burguesia nacional não se defrontou com o judiciário golpista.


Neste último ano, segundo o Ministério do Trabalho, mais de 2.700 denúncias foram registradas do chamado assédio eleitoral, a coação patronal. Nesses casos, os patrões pressionam seus empregados a votarem em seus candidatos, obrigam que os trabalhadores participem em atos políticos, e também que utilizem material de campanha, como camisetas etc. Ameaças de demissões e cortes de direitos também são comuns, assim como o oferecimento de dinheiro e de dias de folga.

Em 2018, última eleição presidencial, foram 212 casos, ou seja, para 2022, o aumento foi de quase treze vezes nas denúncias, o que por si demonstra uma tendência do patronato a este tipo de prática, já que as denúncias em si não refletem o número absoluto de casos. O aumento avassalador de denúncias registradas permite que se extrapole os dados e considere como uma tendência geral da burguesia. As denúncias estão distribuídas por mais de 2.000 empresas. Mais que isso, o fato de a coação ocorrer de maneira generalizada nas empresas demonstra o que o patronato já sabe: a impunidade nesses casos é certa.

Como repetidas vezes apontado por este Diário, o judiciário é burguês, e não se volta contra seus mestres realmente, senão por vezes em aparência, para angariar legitimidade. Enquanto às vésperas da eleição se estabeleceu uma verdadeira ditadura togada da opinião para “coibir os abusos e garantir a lisura do processo eleitoral”, durante o pleito a coisa foi deixada por si. E, ao passo em que o judiciário proibiu denúncias do próprio processo eleitoral, questionamentos das urnas eletrônicas e, logo, a reivindicação por comprovantes impressos de voto, agora terminada a eleição, não se observou uma medida sequer contra os patrões que apertaram seus funcionários para que votassem segundo os interesses deles, e nada mais de fato se pode fazer no sentido da lisura do processo, pois a eleição já acabou.

Todos os casos de grande visibilidade se deram em favor do candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro, mas o Ministério Público do Trabalho não realizou levantamento sobre quais os candidatos beneficiados por esse tipo de ação. Na prática, o judiciário acobertou e até mesmo incentivou o processo de fraude. A polícia rodoviária federal realizou operações pelo país focadas nas áreas eleitorais lulistas para impedir as pessoas de irem votar, parando ônibus nas estradas no dia da eleição, supostamente para averiguar “pneus carecas”, e essas operações foram categorizadas como procedimento padrão pelo ministro do STF, o juiz Alexandre de Moraes.

Ilusões

A esquerda, perdida em fantasias, acredita serem as eleições o único momento no país em que não há fraudes, em que o funcionamento institucional ocorre de maneira irreparável. Todo o poder judiciário, responsável por encarcerar os pobres, por acabar com o direito de greve, determinando multas e repressão, passa a salvaguardar o sacro momento da votação. Não é isso o demonstrado pela realidade.

O bem geral, a conciliação possível, é na prática uma guerra dos patrões e seus servos, na figura da polícia, dos juízes, da imprensa burguesa, contra os trabalhadores. A crença quase religiosa nas instituições por parte das direções da esquerda, acovardadas em face de qualquer discurso exaltado, quase custou a eleição presidencial aos trabalhadores, que estão massacrados pelo Golpe de 2016 que se seguiu com a Farsa de 2018, quando Lula foi impedido de concorrer. Em memória recente, o judiciário foi um canhão apontado para as massas, que jogou o povo na fome, no desemprego, na miséria e no desalento.

É preciso pôr fim a esta tendência no seio da esquerda. A capitulação custou os seis anos do golpe, com os quatro anos do governo Bolsonaro, que permaneceu de pé por inação da esquerda, aos trabalhadores. O país está em frangalhos, enquanto juízes determinam quem pode ou não falar, quem pode ou não fazer greve. A polícia mata e chacina mais do que nunca. As ilusões institucionais têm que sair da esquerda, não têm espaço neste campo.

Agora que a eleição foi vencida, apesar das direções que buscaram a todo momento descaracterizar o candidato dos trabalhadores, é preciso garantir a posse de Lula. O movimento que arrancou no dente a vitória, deve continuar e, mais que garantir apenas a posse, garantir um governo seu, do movimento das bases, dos trabalhadores. Um governo sem patrões, sem golpistas, o que só será feito com um movimento sem crenças vazias em juízes aspirantes a ditadores.


COTV

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