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Reedição colonialista

Catar: a mesma campanha de sempre do imperialismo

Esquerda e direita imperialista se unem para atacar o Catar, servindo aos interesses da burguesia que quer disciplinar o país para que não se oponha à ditadura do imperialismo


Três dias após o começo da Copa do Mundo no Catar, a campanha imperialista contra o país sede deste ano continua a todo vapor.

Nessa segunda-feira (21), o ex-comentarista da Rede Globo Walter Casagrande Jr., mais conhecido como Casagrande, publicou uma coluna na Folha de S. Paulo intitulada Copa vai derrubar muitas máscaras de preconceituosos. No artigo, Casagrande ataca o Catar defendendo a tese de que, pelo fato de o futebol ser indissociável da política, seria preciso condenar o regime autoritário e preconceituoso do país.

“A bola rola, os gols acontecem, mas o esporte não deveria ser conivente com a falta de respeito aos direitos humanos, não deveria aceitar homofobia nem tratamento às mulheres como seres inferiores. A Copa no Qatar é tudo isso, com a conivência da ‘senhora’ Fifa”, afirma o comentarista aproveitando a oportunidade para incluir a Fifa em seu escárnio – ao que tudo indica, Casagrande foi contratado pela Folha justamente para atacar a Copa no Catar.

A imprensa burguesa brasileira não é nada original em sua crítica. Como sempre, está a reboque do imperialismo, que, de algumas semanas para cá, começou a infernizar a vida do país árabe. O ponto de partida, dessa vez, foi a proibição da utilização de braçadeiras com bandeiras LGBT por parte dos jogadores e dos torcedores dentro dos estádios da Copa, sendo que a prática do homossexualismo em público é considerado crime no Catar. Entretanto, o principal “escândalo” do evento teria sido a morte de 6.500 imigrantes durante a construção dos estádios da competição.

Divulgada, inicialmente, pelo jornal britânico The Guardian, essa notícia absolutamente falsa circulou o mundo inteiro. Os dados originais afirmam que 6.500 imigrantes morreram nos últimos 12 anos – data em que foi anunciado que o Catar seria sede da Copa em 2022. Ademais, não são mortes relacionadas à competição, mas sim, com os mais diversos aspectos da vida de um imigrante, como fome, acidentes, assassinatos etc. O próprio governo catarense divulgou que pouco menos de 40 pessoas teriam morrido na construção dos estádios, número 162 vezes maior do que o divulgado.

Os inimigos da Copa alegam que Catar não é um país democrático, o que é fato. Trata-se de uma monarquia que prevê punições graves para questões morais como a homossexualidade e o adultério. Mas, todos os países do Oriente Médio são, de uma forma ou de outra, ditaduras. Afinal, são países economicamente atrasados – em decorrência, diga-se de passagem, da ação do imperialismo na região -, algo que se reflete na política local. A Arábia Saudita, apoiada pelos norte-americanos, é um exemplo de ditadura brutal, mas nunca é lembrada pelos pregadores da “liberdade”.

A campanha imperialista contra o Catar não tem como objetivo resolver os problemas do país. Afinal de contas, que moral tem o imperialismo, a maior máquina de matar de toda a história, para falar em direitos dos povos oprimidos? É pura demagogia. Prova disso é que, antes da Copa, não se via uma linha de preocupação na imprensa imperialista com a situação do Catar. E mais, não é atribuição de nenhum país estrangeiro fazê-lo, mas sim, de seu próprio povo conforme as suas próprias reivindicações. Por que, então, toda essa campanha?

Historicamente, o Catar sempre foi um país mais progressista que a maioria do Oriente Médio. Durante a Primavera Árabe no Egito, por exemplo, o Catar apoiou a Irmandade Muçulmana que, na época, lutava contra a ditadura imperialista dentro do país. Antes disso, o governo catarense criou o Al Jazeera, uma rede de comunicação que faz oposição à imprensa imperialista no Oriente Médio, assim como fez a Rússia, com a RT. Nessa segunda-feira, em meio à crise energética criada pelas sanções dos Estados Unidos contra o governo russo, o Catar assinou um acordo para fornecer gás à China por 27 anos, prova de que, até hoje, representa uma força árabe em contradição com o imperialismo.

Finalmente, há aqui uma demonstração clara de como o identitarismo serve, no final das contas, para atacar os países que não querem se submeter à ditadura mundial do imperialismo. É o argumento principal de toda a campanha contra o Catar – a questão da mulher, do gay etc. – que esconde o verdadeiro motivo de tais ataques, como foi discutido acima. Em outras palavras, serve para justificar a intervenção imperialista nos países atrasados, algo que também foi visto no caso do Afeganistão no ano passado.

A campanha tradicional do colonialismo europeu

Os  críticos do Catar – tanto os ingênuos quanto os mal-intencionados – não se dão conta de que a campanha contra o país é uma reedição da campanha tradicional que o colonialismo europeu fazia contra as suas colônias. Na época, afirmavam que, nesses países, só existiam pessoas selvagens, destacando os seus rituais religiosos “bárbaros” e a violência presente em suas sociedades. Foi o caso da China, da Índia e de países menores da África.

O raciocínio é o mesmo: a Europa dos dias de hoje seria o grande exemplo de civilização, o suprassumo da democracia no mundo (será que o povo do Donbass pensa o mesmo?). Enquanto isso, os países atrasados, em especial os do Oriente Médio, principal alvo dessa campanha, seriam bárbaros que não respeitam os direitos das pessoas, que não possuem leis. Portanto, devem ser civilizados aos moldes do regime imperialista.

Vale lembrar que essa estratégia foi muito utilizada pelos Estados Unidos nas últimas décadas para justificar a invasão dos países do Oriente Médio. Vejamos o caso do Iraque: para os jornais burgueses, era um regime fundamentalista que deveria ser combatido, operação orquestrada pelo imperialismo que possuía como objetivos fundamentais derrubar o governo nacionalista iraquiano e roubar do país o seu petróleo e demais riquezas naturais. O resultado foi uma das guerras mais violentas de toda a história que resultou na morte de milhões de inocentes.

O mesmo pode ser observado no caso da Nicarágua, de Cuba, da Venezuela, da Rússia, da Bielorrússia, do Irã, da Palestina, da Coreia do Norte e de muitos outros países atrasados.

O caso do Catar não é diferente. A burguesia imperialista está criando um clima de que é preciso intervir na situação política do país para salvar os povos oprimidos de lá. Muito mais do que um ataque à Copa do Mundo, trata-se de um ataque aos países oprimidos que tentam levantar as suas cabeças contra o imperialismo. Um aviso de que esse tipo de “rebeldia” não será tolerada.

Nesse sentido, é preciso ver a coisa de maneira clara e fria. A esquerda pequeno-burguesa que defende os ataques imperialistas contra o Catar está fazendo frente com o maior regime de opressão de todos, abandonando completamente os princípios estabelecidos pelo marxismo. Antes, é preciso destacar os interesses de classe por trás de cada fato; caso contrário, torna-se um fantoche nas mãos dos inimigos da humanidade.

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