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Ataque ao Futebol Brasileiro

Casagrande: moralismo disfarçado de “responsabilidade social”

Para atacar a Seleção a imprensa burguesa usa a mesma cartilha que usa quando quer atacar seus inimigos políticos, não tratar do tema em questão, e ser o mais moralista possível

A Copa do Mundo terminou no dia 18 de dezembro mas o assunto ainda está quente o suficiente para se manter o ataque constante da imprensa burguesa ao Futebol Brasileiro. O homem que melhor expressa essa investida anti nacional é Walter Casagrande, o colunista contratado pelo banqueiro Luiz Frias para atacar tudo relacionado ao futebol nacional diariamente. Para além de falar mal do Brasil é preciso exaltar os estrangeiros, principalmente os europeus ou argentinos. E o assunto não precisa nem ser o próprio futebol, até porque falando de futebol é mais difícil atacar o Brasil, as críticas são em grande parte morais e como quase todo crítica moralista são também uma farsa.

As últimas colunas de Casagrande são uma exaltação aos jogadores da Europa, Haaland, Mahrez e Mbappé. Os dois primeiros são exaltados por visitarem hospitais infantis no dia do natal, já o último, um falso craque criado pela imprensa para exaltar a França, é chamado de “gigante” em comparação a Neymar, que seria um “menino”. Sobre o Brasil não há nenhum elogio de Casagrande, a sua última coluna sobre o país do futebol foi “Corte de cabelo e dancinha não fazem perder Copa, mas não ajudam a ganhar”, um claro deboche a Seleção Brasileira.

É gritante a diferença de tratamento dado ao Brasil e a Europa, os jogadores europeus não são só tratados como melhores que os brasileiros, mas também como santos. Essa é a questão moral que é crucial para atacar o futebol brasileiro. Julgar os jogadores pelo seu futebol inevitavelmente leva a considerar a superioridade do Futebol Brasileiro e por isso o melhor para a imprensa burguesa é avaliar outras questões que não o próprio esporte. No quesito moral é possível atacar qualquer um pois ninguém é perfeito e já que só chegam as notícias ruins dos jogadores brasileiros mas nada sobre os Mbappés, Haalands e Modrics a impressão que fica é que só os brasileiros são defeituosos.

É a mesma campanha feita na política, para atacar lideranças populares que defendem os trabalhadores não é bom entrar no âmbito da questão política, que nesse terreno não é possível vencer. É necessário fazer uma campanha moral, falar de possíveis roubos, de corrupção e até da vida pessoal das pessoas para tentar indispor os trabalhadores com quem quer que seja a vítima do ataque. Além disso existem também as calúnias e falsificações. Desta forma o manual da cobertura da imprensa burguesa de seus inimigos políticos e do Futebol Brasileiro é o mesmo.

Os elogios a Honda e Mahrez de que visitam hospitais são apenas uma subserviência aos europeus. Todos os jogadores de futebol que tem alguma equipe de imprensa, que são a grande maioria dos clubes profissionais, fazem ações de caridade para melhorar a sua imagem. Alguns de fato são simpáticos, como é o caso de Neymar que já foi flagrado várias vezes dando atenção aos fãs que invadiram o estádio. Richarlison também tem um projeto de caridade no Brasil, mas Casagrande segue à risca a regra número 1 da cobertura da imprensa burguesa: “Nenhum craque brasileiro deve ser exaltado”.

Os jogadores franceses, por outro lado, são os deuses do futebol e Mbappé é a mistura de Zeus com Odin. Por isso Casagrande dedica todo um artigo para exaltar o camisa 10 da França “Mbappé fez apenas 24 anos: é um gigante que nunca foi chamado de ‘menino’“. Aqui existe uma clara alusão a Neymar, que foi chamado muitas vezes de menino, mas curiosamente sem citar o nome do melhor jogador do mundo em todo o texto. Casagrande elogia Messi e Mbappe como os grandes nomes do PSG, clube onde joga Neymar, e ignora completamente o brasileiro. Nesse caso a bajulação aos europeus atinge o nível ridículo.

Ele afirma: “PSG tem a sua grande chance de ganhar essa Champions, graças ao momento gigantesco dos dois (Messi e Mbappé)”. Aqui fica escancarada a campanha contra o Brasil. Nem mesmo os que realmente consideram estes dois jogadores gênios discordam que Neymar é um dos melhores do mundo, não citar isso em todo artigo tem como único objetivo diminuir o jogador brasileiro ante aos jogadores argentino e ao francês. Essa tentativa de crítica sutil, que é bem grosseira na realidade, é ainda pior quando Casagrande compara Neymar a Modric, devido ao jogo de Brasil x Croácia.

O colunista da UOL escreveu “Entre Modric e Neymar, fica na Copa o camisa 10 altruísta; o egoísta se foi”. Ele, que aparentemente não assistiu o jogo, considera que Neymar foi um inútil egoísta e Modric um exemplo de ser humano, um Jesus Cristo de chuteiras. Em suas palavras: “O 10 da Croácia desfilava talento, visão de jogo, noção de tempo e espaço, parecendo um verdadeiro maestro de uma orquestra dependente do seu talento. O 10 do Brasil, nada. Muitas caras e bocas aparecendo no telão, mas sem influência positiva no jogo brasileiro” Este é um claro exemplo da necessidade das taxações moralistas, para os que assistiram o jogo a análise de Casagrande claramente está errada, Neymar foi o grande craque do jogo, inclusive marcando o gol, um dos mais bonitos da copa, em uma jogada individual e também coletiva.

O interessante é que de 2018 para 2022 o jogo virou, a Croácia foi de vilã a mocinha. Em 2018 na final da Copa França x Croácia a mesma imprensa fez uma campanha enorme em defesa da França, atacando os croatas como nazistas e os franceses como heróis anti racistas. Os mesmos nazistas, quando jogaram contra os franceses, viraram altruístas quando jogavam contra o Brasil. No jogo França x Croácia, entraram 11 Martin Luther Kings em campo contra 11 Mussolinis. Já no jogo Croácia X Brasil, foram 11 apóstolos contra 11 bandidos. Como sempre, a campanha moral aparece só quando é conveniente, o argumento negros contra nazistas serve apenas para defender os negros da Europa, os negros brasileiros, no entanto, assim como nos tribunais, não tem direito de defesa.

Terminada a Copa segue a campanha moralista para diminuir o futebol brasileiro. Os europeus são altruístas, que visitam hospitais infantis e não são “adultos”. Os brasileiros são meninos egoístas que pintam o cabelo e fazem dancinhas. Isso claramente prova que o futebol brasileiro é inferior, os técnicos são inferiores e que é preciso uma intervenção geral para fazer uma mudança total no futebol do Brasil. É uma campanha absurda que só é possível na imprensa burguesa brasileira, controlada por um punhado de famílias. Enquanto isso, até a FIFA categoriza o Brasil como o melhor futebol do mundo, mas essa notícia, ao contrário da visita de Haaland a um hospital, é ignorada na imprensa esportiva profissional.

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