Na reta final das eleições de 2022, o Diário Causa Operária entrevista mais um candidato ao governo pelo Partido da Causa Operária (PCO). Dessa vez, Vinicius Paixão, de Goiás, respondeu algumas perguntas deste Diário acerca de sua história, como também sobre as eleições e o judiciário brasileiro.
Historiador por formação, Vinicius atua como professor de história em seu estado e participou da mobilização da categoria no último período. Além disso, faz parte do Comitê de Luta Lula Presidente de Goiás, organização que ele considera como essencial para organizar “a luta a nível local”.
Por fim, Vinicius também destaca a perseguição que seu partido vem sofrendo por parte do judiciário e, em específico, por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).
“[…] é [a perseguição ao PCO] uma necessidade para tentar barrar não só a política do partido, como barrar a consciência das pessoas e da esquerda, como um todo, do que é o próprio judiciário”, afirmou o candidato.
Confira a entrevista abaixo na íntegra:
Diário Causa Operária: pode falar um pouco sobre a sua formação profissional e política?
Vinicius Gomes: sou formado em história pela PUC de Goiás, sou historiador e professor de história. Atuei nas lutas relacionadas ao transporte público em 2013 e 2014, atuei no movimento da educação do município nesse mesmo período, também atuei no movimento em 2017 no município e entrei no PCO em 2018, no segundo semestre das eleições.
DCO: e como você entrou no PCO?
VG: entrei no PCO indo em uma reunião de organização, na época, da campanha eleitoral de 2018, depois que o Lula tinha sido preso. Entrei no Partido a partir daquela reunião e fui convidado a ingressar como militante. Daí, já fui para São Paulo participar de atividades de mobilização e organização partidárias
DCO: você disse que trabalha, atualmente, como professor. O PCO tem alguma intervenção nessa categoria?
VG: nesse ano, houve a greve dos educadores e professores pelos 33,24% de reajuste. Nós fomos em assembleias da categoria, participamos de atividades importantes, também panfletamos em favor da luta por Lula Presidente nesses atos e nos solidarizamos com a atividade.
Temos vários companheiros militantes, filiados e simpatizantes que participam ativamente da luta dessa categoria, dos trabalhadores da educação.
DCO: além disso, como consta no site oficial de sua candidatura, você participou das lutas das últimas etapas políticas, como a luta contra o golpe e pela liberdade de Lula. Qual foi o papel dos Comitês de Luta nessas ocasiões?
VG: o papel do Comitê de Luta é fazer um esclarecimento sobre a conjuntura atual. Debater as questões locais, explicar para as pessoas o que está acontecendo, acompanhar o calendário de luta do trabalhador e discutir, também, a organização de atividades para que possamos fazer a luta a nível local, para que a mesma esteja ligada ao que nós defendemos como necessidade de atuação política do ponto de vista mais imediato.
DCO: em relação à sua candidatura, existe uma tentativa de impugná-lo, correto? Pode nos falar um pouco mais sobre o papel do judiciário nessas eleições? O PCO está sendo duramente perseguido por instâncias como o STF e o TSE, não é?
VG: depois que o STF colocou o PCO no Inquérito das Fake News e depois que houve todo o atraso envolvendo o fundo eleitoral do Partido, fica muito claro que o PCO é um partido perseguido pela justiça brasileira. Para mim, isso é muito claro, é uma necessidade para tentar barrar não só a política do partido, como barrar a consciência das pessoas e da esquerda, como um todo, do que é o próprio judiciário.
Finalmente, quem elegeu o Bolsonaro não foi o povo, mas sim a justiça, a Operação Lava Jato que estrategicamente prendeu Lula faltando pouco tempo para a eleição. Vemos que a esquerda, hoje em dia, praticamente não tem memória sobre isso. É uma esquerda tão ignorante que culpa o próprio povo do Bolsonaro ter sido eleito, o que é uma coisa muito esquisita e muito despolitizada.
Então, a nossa conscientização é uma coisa que impactou diretamente na questão do golpe e hoje não é diferente. Vemos que a própria candidatura do Lula foi aceita pelo judiciário, mas isso não vai sair de graça, e o resultado disso estamos vendo nas ruas: não tem campanha popular, mas tem acordos com setores patronais, setores da grande burguesia brasileira.




