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Liberdade já!

Assange não é extraditado mas segue “na pior cadeia” britânica

As organizações de luta contra o imperialismo e em defesa da liberdade de imprensa devem mobilizar-se pela libertação imediata de Assange

free assange

O fundador do sítio WikiLeaks, o jornalista australiano Julian Assange, foi beneficiado por uma sentença proferida pela justiça britânica no último dia 24. A decisão permite à defesa jurídica do jornalista apresentar nova apelação contra sua extradição aos Estados Unidos diante da Suprema Corte Britânica, última instância de apelação no país, adiando com isso a possibilidade de sua transferência aos EUA, onde acusações que podem render-lhe 175 anos de cárcere o aguardam. Pesa contra o jornalista acusações baseadas na Lei de Espionagem, pretexto usado pelo governo americano para capturá-lo.

A lei fora criada durante a Primeira Guerra Mundial e é responsável por uma série de ataques à liberdade de expressão e de imprensa no país. Entre alvos anteriores, destacam-se John Reed (comunista americano autor do clássico “Os dez dias que abalaram o mundo”) e Daniel Ellsberg, autor de diversas de reportagens expondo documentos vazados, os quais traziam provas de inúmeros crimes cometidos pela máquina de guerra americana durante a Guerra do Vietnã.

Alvo de uma perseguição implacável pelo imperialismo e os EUA em especial, a caçada a Assange deve-se ao fato de o jornalista ter levado à público informações, recebidas por um terceiro, que expõem crimes de guerra cometidos pelos EUA no Iraque e no Afeganistão, a exemplo do que fez Ellsberg no início dos anos 1970. Além disso, os documentos publicados revelaram ao mundo que a base americana de Guantánamo serve à prática contumaz de tortura e humilhações criminosas contra prisioneiros de guerra.

“Já é uma punição”

No mesmo dia de divulgação da sentença, sua companheira, Stella Morris, lembrou em entrevista ao sítio americano Democracy Now que embora positiva, “a cada vitória que conquistamos, a situação de Julian não se altera. E isto já é uma punição.”(“Julian Assange Wins Right to Appeal Extradition; Stella Morris Blasts ‘Politically Motivated Prosecution’”, 24/1/2022) “Julian”, continua Stella, ”está na pior cadeia do Reino Unido, a prisão de Belmarsh, há mais de mil dias. Ele está lá apenas a pedido do governo dos EUA, não está cumprindo nenhuma sentença [do governo inglês]. E para todos os dias que passam, sua vida se deteriora ainda mais”, disse.

Os mil dias do encarceramento de Assange na prisão de segurança máxima de Belmarsh, em Londres, foram ultrapassados após o último dia 5 de janeiro, o que Stella denuncia também como um período muito mais prolongado de prisão do que o habitual. Segundo o sítio de dados estatísticos Statista, o tempo médio de duração dos períodos sob custódia do Estado na Inglaterra e no País de Gales saiu de 11,4 meses em 2000 para 18,6 meses em 2021, média inferior a 560 dias, quase metade do período enjaulado enfrentado pelo jornalista.

O estado de saúde de Assange é também uma preocupação constante de sua família: “Em outubro, no primeiro dia do apelo contra a extradição, ele sofreu um mini acidente vascular cerebral. Minis AVCs, como todos sabem, podem ser precursores de complicações muito piores”, conclui sua esposa.

Desde 2010

Sobre seu período privado de liberdade, Morris lembra que 7 anos antes de sua detenção oficial, Assange já encontrava-se isolado desde junho de 2012, refugiado na Embaixada do Equador em Londres, onde buscou asilo para escapar à extradição à Suécia sob acusação de crimes sexuais. Difamado e caluniado como estuprador para efeitos de propaganda política, uma vez na embaixada, Assange jamais conseguiu sair, até ter seu pedido de asilo cancelado durante o governo golpista de Lenin Moreno.

O sucessor de Rafael Correa permitiu à polícia britânica entrar na embaixada e levá-lo à prisão em abril de 2019. Sete meses após sua prisão, a acusação de estupro fora arquivada.

O estupro que nunca houve

A denúncia de estupro, aberta pela “democracia” sueca, foi analisada pelo Relator Especial sobre tortura da ONU, Nils Melzer, que deu uma versão dos fatos radicalmente diferente da propaganda veiculada nos órgãos do imperialismo. As declarações foram dadas em entrevista à Pública (“Relator da ONU: ‘O caso de Julian Assange é um enorme escândalo. Se ele for condenado, será uma sentença de morte para a liberdade de imprensa’”, 4/2/2020):

Por que uma pessoa seria submetida a nove anos de uma investigação preliminar por estupro, sem ser indiciado?” questiona Melzer, acrescentando ainda: 

Eu nunca vi um caso parecido. Qualquer um pode iniciar uma investigação preliminar contra qualquer pessoa simplesmente indo à polícia e acusando outra pessoa de um crime. As autoridades suecas , no entanto, nunca se interessaram em tomar o depoimento de Assange. Eles o deixaram num limbo intencionalmente. Imagine ser acusado de estupro por nove anos e meio por todo um aparato de Estado e pela mídia, sem nunca ter tido a chance de se defender porque nenhuma acusação formal foi feita.

As manipulações ficam ainda mais grotescas, conforme o relato de Melzer continua:

“Em 20 de agosto de 2010, uma mulher chamada S. W. entrou em uma delegacia de Estocolmo, junto com uma outra mulher chamada A. A. A primeira mulher, S. W., disse que ela teve relação sexual consensual com Julian Assange, mas ele não usou um preservativo. Ela disse que estava preocupada sobre ele ter possivelmente a infectado com HIV e queria saber se podia forçar Assange a fazer um teste. Ela disse que estava muito preocupada. A polícia anotou seu depoimento e imediatamente informou promotores. Antes mesmo do interrogatório acabar, S. W. foi informada que Assange seria preso sob suspeitas de estupro.

S. W. ficou chocada e se recusou a continuar o interrogatório. Ainda na delegacia, ela escreveu uma mensagem a uma amiga dizendo que não queria incriminar o Assange, que ela só queria que ele fizesse um teste de HIV, mas a polícia aparentemente estava interessada em ‘colocar suas mãos nele’”. Concluindo sua descrição do suposto “estupro”, o relator da ONU é categórico: “S.W. nunca acusou Julian Assange de estupro. Ela se negou a participar de outros interrogatórios e foi para casa.

Ainda assim, uma intensa campanha similar a adotada pela burguesia contra o governo do PT foi montada. O objetivo não poderia ser outro, mas uma mobilização para acuar defensores do australiano e tornar aceitável as barbáries que o imperialismo planejava contra Assange.

Campanha pela libertação já!

É possível que a morte de Assange no cárcere, enquanto aguarda julgamento sobre sua extradição, esteja nos planos do imperialismo, que conta com a conhecida fragilidade da saúde do jornalista para executá-lo sob um custo político menor do que ocorreria se o mesmo morresse nas infernais cadeias americanas. No meio tempo, o governo americano deixou claro sua preocupação com a denúncia de membros do governo Trump planejaram matá-lo em 2017, conforme denúncia publicada no portal Yahoo (“Kidnapping, assassination and a London shoot-out: Inside the CIA’s secret war plans against WikiLeaks“, Zach Dorfman, Sean D. Naylor e Michael Isikoff, 26/9/2021).

Por isso, as organizações de luta contra o imperialismo e em defesa da liberdade de imprensa devem mobilizar-se pela libertação imediata de Assange, um preso político esmagado pelo regime de opressão por ele denunciado e que não pode ser tolerado. Sua permanência na prisão é um convite à deterioração de sua saúde, além de um grave atentado contra a liberdade de imprensa, cujas consequências fatalmente se desdobrarão em ataques ainda maiores contra os trabalhadores.

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