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Casos Criminais

As consequências do exorcismo de Annelise Michel

Entenda como realmente ocorreu o caso que inspirou o filme “O Exorcismo de Emilly Rose”.


Nascida em Leiblfing, na Alemanha em 1952, Annelise Michel cresceu em uma família católica tradicionalista muito rígida, que cobrava das filhas um comportamento exemplar de uma mulher submissa e religiosa. A mãe da garota engravidou antes do casamento, e, como forma de punição, casou-se com o véu preto. Annelise sempre ouvia a mãe dizer que tinha pecado e corria risco de ir para o inferno, então a menina desde muito pequena fazia penitências como promessas e jejuns para livrar a mãe do castigo eterno.

Perto da casa onde ela e sua família moravam havia uma estação de trem em que muitos iam para usar drogas pesadas e álcool. A menina sentia pena e temia muito que essas pessoas fossem para o inferno, então passou a ficar horas deitada sem roupa sobre pedras, em um lugar afastado da cidade, em penitência pelos usuários de droga.

Annelise sempre foi uma boa aluna, mas, quando ficou um pouco mais velha, seu comportamento e seu rendimento na escola mudaram e em um certo dia ela teve uma convulsão. Quando levada ao médico, teve mais duas crises e foi diagnosticada com epilepsia. Ela começou a se tratar da doença com alguns remédios e ficou muito bem, terminou a escola e se matriculou em uma faculdade, mas, tempo depois, ela desenvolveu um quadro depressivo severo e passou pouco mais de um ano internada em um hospital psiquiátrico.

Com a internação, ela se afastou da religião, e, depois de um tempo, passou a relatar que ouvia vozes enquanto orava e que era satanás dizendo que ela iria para o inferno por ter se afastado da igreja. As vozes foram ficando mais frequentes e a jovem recebeu o diagnóstico de esquizofrenia. Infelizmente, Annelise não reagiu bem a nenhum tratamento, relatava que as vozes não paravam nem nos sonhos e que tinha muitos efeitos colaterais com os remédios, então ela pensou que estava possuída por um demônio, parou de se tratar e procurou um padre para exorcizá-la.

O padre conversou com Annelise e sua mãe e explicou que não era o caso de fazer um exorcismo, já que a menina não estava falando outros idiomas, tendo aversão à religião e nem machucando outras pessoas, e disse que as vozes deveriam ser manifestações da esquizofrenia. A garota voltou ao padre dias depois, e, quando ele negou pela segunda vez, ela teve um surto em que fez 600 genuflexões até um ligamento do joelho se romper, encolheu-se embaixo da mesa gritando e latindo, arremessou crucifixos, mordeu e agrediu algumas pessoas.

Ela foi levada ao médico por conta do joelho machucado e o doutor alertou a mãe que a menina não estava possuída, mas sim, doente já que ela apenas replicava tudo que a personagem do filme “O Exorcista” fazia. O médico inclusive sugeriu interná-la novamente e retomar o tratamento, mas a mãe não deu ouvidos. Depois do último surto de Annelise, o padre considera que é o caso de iniciar o exorcismo.

Os pais acompanharam todo o processo de exorcismo, que era gravado em fitas e feito no porão para evitar que as irmãs mais novas vissem e cada sessão durava de 4 a 5 horas, o que desgastava fisicamente a garota. A violência era frequentemente utilizada, a menina era acorrentada e até presa de cabeça para baixo.

Em um certo dia, Annelise contou à mãe que teve um sonho em que a Virgem Maria dizia à ela que poderia salvar a alma dela naquela noite ou a menina poderia passar o resto da vida em sofrimento e salvar várias almas do inferno e a garota escolheu a segunda opção. Ao longo de 9 meses fora 67 sessões de exorcismo, Annelise estava completamente debilitada: contraiu pneumonia, tinha hematomas e cicatrizes por todo o rosto. Ela relatou outro sonho, mas dessa vez a santa dizia que no dia 1° de julho a alma dela seria libertada. O padre disse que conseguiu concluir o exorcismo nesse dia, mas a garota morre durante a noite de sono.

Os médicos responsáveis pela autópsia ficaram horrorizados: ela pesava 30 quilos, estava em estado de inanição e completamente desidratada. Um dos médicos chegou a dizer que bastava uma semana de alimentação correta para salvar a vida da menina. Os pais e os padres foram à julgamento por negligência médica e utilizaram as fitas como prova de que ela estava possuída, mas o júri descartou e eles foram condenados a 3 anos de prisão, mas posteriormente fizeram um acordo para redução da pena em 6 meses mediante o pagamento de fiança. 

O Bispo que autorizou os padres a fazer o exorcismo disse estar muito arrependido e escreveu uma carta ao Vaticano pedindo que mudassem o ritual romano de exorcismo, que era o mesmo há 1500 anos, mas foi negado e alterações só foram feitas mais de 30 anos depois. Hoje em dia faz parte do protocolo ter um médico acompanhando todo o processo, mas mesmo assim, no território alemão, o exorcismo é proibido desde Annelise Michel.

A mãe da menina diz não se arrepender da escolha e ter plena certeza de que a filha estava possuída, e que hoje ela está com Deus confortando a alma de milhares de pessoas. Até hoje na Alemanha existe certa peregrinação em torno de Annelise, alguns acreditam que ela está passando por um processo de santificação e que ela tem o poder de livrar a alma das pessoas do inferno.

A criação conservadora e rígida que responsabilizava Annelise por fazer penitências para salvar pessoas do inferno e a obsessão dela e da família pela fé somados às doenças da menina tiveram resultados estrondosos. A história da garota ficou marcada por todo o mundo.

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