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Rafael Dantas

Membro da Direção Nacional do PCO e diretor de redação do Jornal Causa Operária.

Donetsk e Lugansk

As causas da independência do Donbass

Gastos sociais cortados, demissão de funcionários públicos e o corte das aposentadorias pela metade foram colocados em prática imediatamente após o golpe de Estado de 2014


– Rafael Dantas, de Lugansk

O golpe de Estado de março 2014 na Ucrânia foi coordenado pelo imperialismo europeu. Mal tendo se consolidado, em abril daquele ano, o novo governo começou a atacar as conquistas sociais obtidas ao longo de muitos anos e que ainda não haviam sido perdidas com a desintegração da União Soviética. A economia dos países da antiga União Soviética, profundamente dependente da exportação de gás, carvão e matérias primas, foi ainda mais pressionada após a crise econômica que estourou em 2008. As potências imperialistas importadoras (sendo a Alemanha a principal delas) exigiram um rebaixamento dos preços.

A União Europeia e o Fundo Monetário Internacional apoiaram o novo governo ucraniano sob a condição de que este se comprometesse a tomar – e pagar – um empréstimo no valor de 27 bilhões de dólares. A condição para tanto era a aplicação de um duro programa de austeridade contra as massas trabalhadoras.

Gastos sociais com saúde e educação foram cortados. Funcionários públicos foram demitidos em massa. As aposentadorias foram reduzidas pela metade. O povo ucraniano de conjunto e a população começou rapidamente a pagar pela crise do capitalismo europeu, como havia acabado de acontecer na Grécia.

Sequer foi preciso que a Ucrânia aderisse à União Europeia para começar a ser saqueada. A moeda foi desvalorizada, o que aumentou os custos das importações e abriu caminho para os monopólios europeus se apropriarem de todos os recursos do País, como, em primeiro lugar, das terras férteis para a agricultura, e sucatear a indústria nacional.

Ficou evidente que a mobilização das “massas nas ruas”, a “revolução da Praça Maidan”, de maneira contrária ao que o imperialismo e a esquerda pequeno-burguesa divulgavam à época, não passou de uma farsa.

Além da espoliação da Ucrânia com o objetivo de fazer com que a população pagasse pela crise capitalista europeia, o imperialismo buscou ampliar o controle do território dominado pela OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) até às fronteiras russas para conter a hegemonia da Rússia na região e ao mesmo tempo tentar criar um contrapeso para possíveis aumentos dos preços do gás do qual os países europeus dependem visceralmente.

O fascismo como tropa de choque dos grandes capitalistas europeus

Os grupos nazi-fascistas foram usados como tropa de choque contra o governo nacionalista de Victor Yanukóvich, derrubado em 2014, e a população.

Às vésperas da derrubada do governo Yanukóvich, o imperialismo norte-americano e europeu tentou chegar a um acordo com a Rússia para impor um governo de coalizão, mas os setores fascistas mais radicais, encabeçados pelo Pravy Sektor (Setor das Direitas) foram contrários e poucos dias depois acabaram derrubando o governo.

Imediatamente depois disso, o novo governo golpista e neoliberal, encabeçado por Petro Poroshenko, ordenou desarmar as gangues do Pravy Sektor, seguindo a tradicional cartilha de burocratizar o regime imediatamente e passar a atuar a partir do controle dos aparatos do Estado. Na prática, os bandos fascistas foram incorporados ao aparato repressivo estatal, integrando-se à polícia (SBU) e às Forças Armadas.

Mesmo assim, este e outros grupos nazistas continuaram muito ativos. No dia 6 de abril de 2014, menos de um mês após o golpe de Estado, uma centena de militantes neonazistas ocupou o Supremo Tribunal da Ucrânia e colocou os ministros para correr.

A aliança dos imperialismo com os fascistas data da Segunda Guerra Mundial, quando o colaborador da ocupação nazista alemã, Stepan Bandera, começou a ser financiado pelo imperialismo.

Diversas fontes ouvidas pela imprensa do Partido da Causa Operária confirmaram que, no caminho para o poder, já em fevereiro daquele ano, os fascistas ucranianos impuseram ao Parlamento ucraniano a aprovação de uma política repressiva extremamente dura contra a população russa do Donbass, proibindo o ensino da língua russa nas escolas e seu uso civil, na imprensa, nas ruas e no comércio. A maioria da população da região não fala ucraniano. Os jornais de oposição foram censurados e opositores foram presos. Os partidos de esquerda foram colocados na ilegalidade.

O movimento separatista

Cédula usada no referendo que decidiu a separação de Lugansk: “você apoia a independência da República Popular de Lugansk? Sim ou Não?” (11 de maio de 2014)

A reação aos golpistas se expressou rapidamente nas regiões orientais da Ucrânia, povoadas majoritariamente por russos.

Além da secessão da Crimeia, desejada pela Rússia muito tempo antes de 2014, as tendências separatistas cresceram imediatamente após o golpe nas províncias de Lugansk e Donetsk, e outras regiões do Leste ucraniano, que dependem das exportações de produtos manufaturados para a Rússia e das importações de gás russo, prejudicadas pelas sanções impostas pelo imperialismo diante da secessão da Crimeia. Foi um movimento que combinou a defesa da economia da região (fundamentalmente, os empregos e salários ameaçados com o plano de austeridade posto em prática) com a luta contra a repressão imposta pela extrema direita ucraniana.

Em abril de 2014, milhares manifestantes pró-russos ocuparam vários prédios públicos nas cidades de Donetsk, Jarkov e Lugansk, e declararam a independência das províncias de Lugansk e Donets e convocaram um referendo que se realizou em 11 de maio e confirmou a separação. A situação evoluiu para uma guerra civil que já dura oito anos. 

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