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Arte e Revolução

Arte e Revolução: Pagu, a revolucionária do Modernismo

O Programa Arte e Revolução falou sobre a artista revolucionária ligada ao Modernismo Pagu.


No programa Arte e Revolução desta quinta, os companheiros Rui Costa Pimenta, Vicente Pietroforte e Henrique Áreas falaram sobre a vida e a obra de Patrícia Galvão, conhecida como Pagu, que foi uma das principais personalidades do movimento modernista.

O companheiro Rui iniciou a análise citando um termo que está muito em voga hoje em dia: “ícone”. Primeiramente, tal palavra revela a tendência entre a pequeno-burguesia de tratar as pessoas de uma maneira idealizada e não como ela realmente é. Por detrás do ícone, há a pessoa real.

E isso é feito em larga medida com a Pagu. Muitas feministas pequeno-burguesas e muitos identitários reivindicam seu legado e defendem a Patrícia Galvão como se ela fosse adepta do identitarismo e das teses liberais que tanto agradam aos pequeno-burgueses bem pensantes. Na realidade, ela era uma pessoa muito diferente do que se pensa: era verdadeiramente rebelde, era anticonvencional ao extremo – não só para a época, mas muitas de suas atitudes seriam extravagantes até mesmo nos dias de hoje –, além de ser muito politizada e rebelde. Mas não era uma politização estética ou uma rebeldia de forma, mas uma rebeldia e um radicalismo com um profundo conteúdo político.

Tanto é que ela entrou no Modernismo no período de maior radicalismo do movimento, que foi em 1929. Foi nesse período que, influenciado pela Crise de 29, todos os movimentos artísticos do mundo se radicalizaram e que a estrutura da sociedade capitalista se balançou profundamente. 

O melhor exemplo dessa radicalização, que tomou conta do Modernismo e que influenciou profundamente a Pagu, é o Surrealismo. A diferença do ponto de vista político do Surrealismo nos anos 1920 e nos anos 1930 é marcante; nos anos pós-crise de 29, diversos artistas se radicalizaram ao ponto que se aproximaram até mesmo do trotskismo; foi o caso de André Breton, por exemplo, que escreveu o Manifesto da FIARI junto do Trótski, e também do Benjamin Péret, que era militante da Quarta Internacional – no sentido estrito do termo, de se organizar em célula e de responder de maneira centralizada à direção – e que veio ao Brasil e ajudou Mário Pedrosa a fundar o primeiro partido trotskista do Brasil.

É fato que Pagu era radical, de tal maneira que ela era militante do Partido Comunista do Brasil (antigo PCB); e, inclusive, foi ela que arrastou Oswald de Andrade para militar no partido. Ou seja, acima de tudo, ela era uma militante política marxista e revolucionária. E tudo isso torna ainda mais contraditório que os identitários falsifiquem sua vida como se ela fosse uma feminista que defendia a repressão estatal, a mudança na linguagem e as pequenas mudanças individuais como forma de libertar a mulher.

Pelo contrário, no jornal Homem do Povo, em que ela escrevia, ela discorria sobre o problema da mulher e sempre tratou de criticar aqueles que achavam que perfumarias resolveriam tal problema. Inclusive, ridicularizava as feministas pequeno-burguesas em seus textos, que ela criticava como “feministas de elite”, bem como se opunha fortemente à tese de que reformas sem conteúdo político e mudanças na vida pessoal seriam um avanço na luta da mulher. Diferentemente disso, ela defendia que a libertação da mulher só poderia acontecer como fruto de uma revolução social – e atrelava fortemente a questão da mulher com a luta da classe operária.

Mais para frente na exposição, depois de demonstrar a completa falsificação operada na história de Pagu pelos identitários, o companheiro Rui Costa Pimenta citou mais fatos da vida pessoal de Patrícia Galvão, que permitem a descrever como excêntrica. Por exemplo, quando ela foi presa pela ditadura do Estado Novo, ela, em determinado momento na prisão, brigou com o interventor da ditadura, Ademar de Barros – e, inclusive, teve sua pena aumentada por isso.

Inclusive, a sua prisão revela o caráter militante de sua atividade. Ela é considerada por muitos como a primeira mulher presa política do Brasil: ela foi presa após uma greve dos estivadores, em Santos, no ano de 1931, da qual ela participou. Anos mais tarde, em 1938, ela voltou a ser presa, tendo ficado presa até 1940. É importante ter claro que 1935 foi o ano do fracasso da insurreição comunista, chamada de modo precipitado e desorganizado, com base na política contrarrevolucionária da III Internacional baseada no tal “terceiro período”. Com a política ultraesquerdista, o governo Vargas instaurou o Estado Novo e a imensa maioria dos militantes de esquerda ou foram presos – como Pagu –, ou tiveram de fugir do país. Com isso, as organizações de esquerda – desde as organizações trotskistas até o PCB – foram totalmente desmanteladas.

Quando Pagu sai da prisão, ela tem contato com influentes trotskistas, que faziam parte do setor vanguardista da sociedade brasileira, sendo eles importantíssimos intelectuais. Com esse contato, ela rompe com o PCB e se aproxima dos trotskistas, opondo-se profundamente ao stalinismo – muito em razão do balanço que fez do Levante Comunista de 1935 (também conhecido como Intentona Comunista, pela forma desarticulada como foi realizado). Ela se casa com o escritor Geraldo Ferraz, que era próximo do fundador do trotskismo brasileiro Mário Pedrosa, e constitui o Partido Operário Leninista, que construía a IV Internacional.

Por fim, é importante ter claro que, apesar de não ter sido muito ativa na literatura, sendo principalmente uma militante revolucionária, ela escreveu o romance O Parque Industrial. Inclusive, ela viveu o último período do Modernismo, antes de a crise política consumir tudo. Ela foi, mesmo não tendo sido a mulher mais dedicada à literatura do modernismo, a mais vanguardista de todas as mulheres do Modernismo, visto que era a única efetivamente militante.

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