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Economia

Acabou a “lua de mel”: capitalistas iniciam ofensiva contra Lula

Após declarar guerra ao neoliberalismo, burguesia intensifica sua ofensiva contra Lula, tentando pressioná-lo a ir cada vez mais à direita


Lula, principalmente após o primeiro turno das eleições deste ano, vem tomando um posicionamento muito mais próximo àquele de 1989 – ano em que ele realizou uma verdadeira campanha de massas contra a burguesia – do que ao de 2002 – quando se comprometeu a manter a as bases da política neoliberal. Afinal, conseguiu, com o apoio da classe trabalhadora, derrotar o golpe eleitoral que os capitalistas tentaram emplacar contra ele, elegendo-se, pela terceira vez, presidente da República.

Passado o período eleitoral, setores da esquerda e da própria burguesia, apostaram que Lula seria mais comedido em seu discurso, arrefecendo os ânimos da mobilização popular em uma tentativa de ir mais ao centro. Entretanto, foi justamente o contrário que aconteceu: Lula radicalizou o seu discurso ainda mais, indicando que, no final, pretende fazer o governo mais progressista da sua história.

Nesta quinta-feira (10), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília, centro da transição governamental, Lula realizou um discurso para os parlamentares que, até o momento, compõem a sua base no Congresso. Lá, Lula declarou uma verdadeira guerra contra o neoliberalismo, afirmando discordar incisivamente do chamado teto de gastos e, assim, priorizando os investimentos públicos na condição do trabalhador.

“As empresas públicas brasileiras serão respeitadas. A Petrobras não será fatiada, o BB e a Caixa não serão privatizados […] O BNDES, o BNB e o Basa voltarão a ser bancos de investimentos para pequenos e médios investidores”, disse o presidente eleito. Ademais, rejeitou a ideia da chamada “austeridade fiscal” dos banqueiros, afirmando que “muitas coisas consideradas como gasto, temos que passar a considerar em investimento”. Sem contar em seu ataque à reforma trabalhista, a qual ele promete reavaliar.

Frente a isso, a burguesia de conjunto, principalmente a mais atrelada ao capital financeiro (também conhecida como “o mercado”), entrou em pânico. Prontamente, a bolsa de valores despencou, enquanto que o dólar subiu, algo que foi amplamente noticiado . Aqui, vale ressaltar que, na prática, esse tipo de indicador é mais uma forma da burguesia manipular a situação política do que qualquer outra coisa. Na hora do “vamos ver”, não importa, é pura especulação financeira que não se traduz para nada material.

O Estado de S. Paulo, um dos principais jornais da burguesia, publicou um editorial intitulado Lula ainda está no palanque, no qual caracteriza como irresponsável e indigna de um presidente eleito a postura de Lula frente ao mercado financeiro. Ademais, aproveitou a situação para pressionar ainda mais seu novo governo, colocando que, “Agora, somente o anúncio de um nome efetivamente comprometido com a responsabilidade fiscal poderá reverter as péssimas expectativas que se formaram a respeito de seu futuro governo”.

Os “aliados” de Lula, figuras direitistas que, falidos politicamente, estão tentando surfar na onda do petista para renascer das cinzas, também demonstraram grandes preocupações frente ao posicionamento de Lula. Copiando o Estadão, Meirelles afirmou que ele “está em modo de campanha”. Já para Jerônimo, governador eleito da Bahia, “Lula não vai conseguir chegar e dar tapa na mesa porque não é assim” – uma prova de que é digno do legado de Rui Costa. Finalmente, Pérsio Arida, direitista infiltrado na transição de Lula, também foi à imprensa defender os interesses dos banqueiros contra o povo.

É preciso lembrar que foram esses setores que, durante a campanha de Lula, afirmaram que apoiariam o petista contra Bolsonaro, em uma “nobre” cruzada em prol da democracia. Longe da realidade, fato é que parte da burguesia entendeu que não poderia frear a vitória de Lula e, para se fingir democrática, defensora do povo, apoiou o presidente eleito no discurso – algo que não se traduziu em apoio algum na prática.

Onde está tal defesa agora? Afinal, enquanto Bolsonaro gastava bilhões de reais para tentar se reeleger, não ouviu-se um pio do mercado. Seria isso um exemplo de “austeridade fiscal”? Decerto que não. Na prática, são muito mais próximos da política de Bolsonaro do que de Lula, não estão verdadeiramente preocupados com as condições de vida do povo trabalhador brasileiro.

Até parte da esquerda participa da campanha contra a política esquerdista de Lula. Leonardo Attuch, por exemplo, publicou uma coluna no Brasil 247 no qual afirma que Lula não deve perder a oportunidade que os chamados “mercados” lhe oferecem. Porém, essa é a política errada, pois, caso Lula faça isso, estará cedendo à pressão do imperialismo, abrindo uma brecha enorme para que a direita se infiltre cada vez mais em seu novo governo.

Está claro que os capitalistas estão entrando de cabeça em uma ampla ofensiva contra Lula. Sua “lua de mel”, como disse a imprensa, acabou. Agora, para a burguesia, é hora de garantir os seus próprios interesses que, fundamentalmente, colidem frontalmente com os de Lula. Ele, nesse sentido, mostra uma política econômica cada vez mais nacionalista, uma política própria que representa uma oposição à de Temer, de Bolsonaro e da frente ampla. Uma política que serve aos interesses dos trabalhadores e que promete reindustrializar o País, devolvendo-lhe o que foi roubado pelo imperialismo.

Entretanto, nada está definido. Lula ainda pode acabar por indicar um direitista para assumir o ministério da Economia. Fato é que, até aqui, Lula está comprovando que não é o candidato da burguesia e que, pelo contrário, defende uma política completamente oposta à que interessa aos banqueiros. Estes, consequentemente, farão de tudo para impedir que os objetivos de Lula se concretizem, utilizando da máquina poderosíssima que possuem para sair por cima.

Lula deve manter-se firme em suas declarações iniciais e, para tal, precisa se apoiar na classe operária. Foi ela quem garantiu a sua eleição e será ela quem pressionará Lula para continuar a sua luta contra os golpistas e levar um governo cada vez mais à esquerda. É pela defesa dos trabalhadores que se derrotará o golpe, e não pelo agrado aos patrões.

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