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Censura

“Abaixo a liberdade”, diz a esquerda

Algumas figuras ainda afirmam que a direita e a burguesia são os grandes salvadores da democracia


É impressionante como ainda existe um setor da esquerda-pequeno burguesa que insiste em lutar contra as liberdades democráticas, levando em frente políticas reacionárias e se pondo a tarefa de pedir para que o Estado censure a população, configurando uma verdadeira ditadura.

Uma coluna do jornalista Paulo Henrique Arantes no portal de notícias Brasil 247 é um dos exemplos da afirmação acima. Intitulada “A eleição passou, mas o combate às fake news precisa continuar”, o artigo, entre diversas coisas, defende que a liberdade de expressão possui, sim, um limite, e que “Não pode haver liberdade para o que essas pessoas [neonazistas, de acordo com o autor] querem expressar”.

A esquerda insiste em defender a censura e, pior, insiste em dizer que o Estado burguês tem papel fundamental nessa questão: “Não fosse a ação proativa do Tribunal Superior Eleitoral, a máquina bolsonarista de forjar absurdos daria mais uma vez a Presidência da República ao capitão.”, diz o autor. 

O autor coloca como se uma série de mentiras, as quais por algum motivo, teriam começado apenas em 2018 com a campanha de Bolsonaro, são capazes de eleger um presidente pura e simplesmente por serem mentiras. É como se esse recurso não existisse desde sempre e nunca tivesse sido utilizado para nenhum fim político.

Sobre o argumento em específico, é importante lembrar que, no ano passado, Alexandre de Moraes, presidente do TSE, tinha dito publicamente que quem espalhasse fake news seria cassado e impedido de concorrer. Houve, efetivamente, uma espécie de caça às bruxas contra as temidas fake news espalhadas por eleitores de Bolsonaro, mas nada que nunca tivesse sido feito.

Principalmente no segundo turno a caçada incessante e ferrenha do TSE às fake news foi para o ralo, o que contradiz a fala de Arantes sobre a “ação proativa” do TSE. Não só isso, mas também o fato de que Bolsonaro acabou por obter um resultado de apenas 2 milhões de votos abaixo de Lula, uma das margens mais acirradas da história das eleições brasileiras.

Outro dado interessante é que, inclusive, dos 10 milhões de votos de outros candidatos do primeiro turno, cerca de 7 milhões foram para Bolsonaro e aproximadamente 3 milhões foram para Lula no segundo turno.

O TSE, na realidade, é conivente com as fake news de bolsonaristas, assim como com a coação patronal, com os bloqueios da PRF que ocorreram no dia da votação e com a compra de votos com dinheiro público, despejado pelo governo antes da eleição. 

A realidade que muitos que pertencem à esquerda ainda se recusam a acreditar é que Lula foi eleito pelas massas, pelo povo, não com apoio da burguesia. Essa apoiou Bolsonaro, sendo os dados apresentados acima uma prova disso tudo. Foi a mobilização popular quem garantiu que Bolsonaro não seria eleito novamente.

“Cabe à extrema direita o pioneirismo em profissionalizar a utilização em larga escala dessa ferramenta criminosa”, afirma o autor. Além de não ser uma ferramenta criminosa — que atire a primeira pedra quem nunca contou uma mentira —, é infantil, como já dito anteriormente, pensar que as fake news foram criadas em 2018 para eleger Bolsonaro. Na realidade, o que podemos afirmar é que foi nesse ano em que o imperialismo começou a difundir o termo até que um país como o Brasil começasse a utilizá-lo em inglês: em vez de apenas falar que essa foi uma campanha recheada de mentiras, falam que foi uma recheada de fake news.

O fato é que as fake news sempre existiram. Foram, inclusive, os monopólios capitalistas da imprensa os pioneiros na disseminação em massa de mentiras, começando pelos jornais, depois com os rádios e, por fim, a televisão, com grandes representantes no Brasil como a Globo, o SBT, a Band, entre outras emissoras amplamente conhecidas por manipular informações ao público. Já a mentira em formato de “fofoca” existe desde os primórdios da luta de classes.

A Internet e as redes sociais nem se comparam com a indústria de mentiras que se formou em torno dos cartéis de jornais, rádios e TVs no Brasil e no mundo, com seu poder de atingir milhões de pessoas de uma vez e, sendo um monopólio, com altas chances de sucesso, uma vez que a população não tem muitas opções do que assistir em uma televisão aberta, rádio ou jornal, diferentemente da Internet, onde qualquer um pode postar qualquer coisa.

O fato da burguesia também tentar consolidar seus meios de comunicação como confiáveis também reforça o fato de que são meios muito mais eficientes para a disseminação de mentiras, uma vez que, em tese, esses canais teriam confiança o suficiente por serem montados por profissionais e viverem sobre regras do Estado. Já a Internet, por outro lado, é descredibilizada por ser algo que pode ser usada por todos, portanto, não se pode confiar em nada do que sai dela.

Alguns exemplos do poder de disseminação de mentiras na imprensa são, inclusive, bem recentes. As mentiras sobre a Venezuela, Cuba, China, Rússia e diversos outros países oprimidos pelo imperialismo para justificar os ataques da burguesia a eles são frequentes, com a imprensa chamando os líderes desses países de ditadores, afirmando que muitos passam fome e não tem recurso para sobreviver por conta dos governos corruptos que comem criancinhas no café da manhã

Todas as acusações contra Lula, no fim das contas, também não passaram de mentiras para que o presidente ficasse mais de 500 dias preso e não pudesse concorrer às eleições de 2018. As acusações que fizeram Dilma ser derrubada em 2016 também não passaram de uma série de mentiras, armadas pela burguesia e pela direita.

A imprensa também é uma notória participante das mentiras na política. Outro exemplo foi que ela própria apoiou a ditadura militar no Brasil, assim como deu apoio a todo o regime desde seu início, encobrindo todas as suas ações com mentiras. Tudo isso não foi inventado por Bolsonaro, nem pelas redes sociais, foi inventado pela direita tradicional, pela Globo, pela CNN, pelo PSDB, pelos democratas nos EUA. 

“Ocorre que liberdade de expressão não é um direito absoluto. Por exemplo, a incitação à violência não é protegida por liberdade de expressão. Discriminação racial ou religiosa também não. Assim como não são permitidos discursos que sejam capazes de colocar em risco a integridade física de indivíduos ou populações.”, afirma Arantes em mais um ode à censura.

O argumento de que liberdade de expressão não é absoluta e tem limite seria sustentado porque a lei delimita isso, de acordo com o autor. Não passa na cabeça da esquerda, aquela que se diz luta contra o sistema, que se diz desafiar a burguesia e os países opressores, de que não é porque uma lei existe que ela está certa? Devemos concordar com todas as leis que existem só porque elas existem? E quanto às leis da Idade Média, que diziam que os hereges deveriam ser punidos, ou as leis que a esquerda tanto critica no Catar e no Irã sobre os direitos das mulheres e dos gays? O fato é que a lei que limita a liberdade de expressão é uma lei reacionária, não precisamos concordar com ela só porque é uma lei.

O autor termina o texto dizendo: “Deveria ser este o tempo da verdade, tempo de disseminar o que a ciência descobre em benefício da humanidade, tempo de consolidar os avanços civilizatórios que nada têm de esquerda ou direita – são avanços na direção do aperfeiçoamento da civilização. Não se pode permitir que ocultem-se verdades históricas e que, paradoxalmente, repliquem-se as mais abjetas mentiras.” e que “A parte civilizada do globo tenta vencer o extremismo calcado em fake news e em idolatrias inimagináveis no Século XXI”. 

O autor precisaria explicar quais seriam esses exemplos de civilização e de ciência. Talvez os ministros do STF, os maiores censuradores do País, que dão mais atenção para meia dúzia de mentiras do que para os milhares de presos sem julgamento das prisões brasileiras ou para os diversos policiais que nunca foram condenados pelos seus crimes contra a população, como no caso do Carandiru? Talvez os políticos do PSDB, que protagonizaram o golpe contra Dilma e apoiaram Bolsonaro. Ou quem sabe os governantes dos EUA e da Europa, de países imperialistas que destroem os países oprimidos e causam crises e guerras no mundo inteiro por puro interesse econômico, sem se importar com as populações locais. Segundo indica o autor do artigo, sim. Justamente aqueles responsáveis pelos maiores ataques e maiores ditaduras contra o povo que já vimos em tempos são os grandes bastiões da democracia, a parte civilizada do globo e os detentores da verdade.

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