Financiamento

A tara do Itaú por um negão

Walther Moreira Salles Júnior, ligado ao Itaú, é responsável por milhares de reais em doações para candidatos negros nestas eleições

De acordo com o sítio do Tribunal Superior Eleitoral, Walther Moreira Salles, ex-acionista do Itaú, é o 8° maior doador de verbas para os candidatos das eleições de 2022 — em especial para os negros.

Não é mistério para ninguém que o identitarismo é uma política direitista, financiada pelo imperialismo para mascarar os verdadeiros interesse da população, criando falsas polêmicas com problemas menores e escondendo os reais problemas do povo e suas causas — no caso, o próprio capitalismo e a burguesia.

Anteriormente, este Diário já expôs os casos de Guilherme Boulos e Walfrido Warde, assim como a ligações de diversas ONGs que se dizem progressistas e contra políticas direitistas com o imperialismo, com seus esquemas de financiamento dessas organizações e de promoção de causas por muitas vezes completamente inócuas.

Para complementar todas essas denúncias, mais uma prova desse financiamento curioso aparece: Walther Moreira Salles Junior, cineasta e, mais importante, ex-acionista do Itaú, banco gerenciado por parte de sua família, é um dos principais financiadores de candidatos negros nessas eleições de 2022.

O pai de Walther Jr., Walther Moreira Salles, foi um conhecido banqueiro e embaixador do Brasil na época de Getúlio Vargas em Washington, nos Estados Unidos. Ele também foi Ministro da Fazenda no governo de João Goulart e fundador da Unibanco, União de Bancos Brasileiros S.A., que, na época do governo de Costa e Silva, em meados da ditadura militar, era o quinto maior grupo financeiro do Brasil. Já o irmão de Walther Jr., Pedro Moreira Salles, é nada mais, nada menos, que o próprio presidente do conselho do Itaú Unibanco.

De acordo com o sítio do TSE, Walther Moreira Salles é o 8° maior doador de verbas para os candidatos das eleições de 2022 — todos eles, diga-se de passagem, são negros. Qual seria o interesse do Itaú e de seus afiliados de financiar tantas candidaturas progressistas, considerando que os bancos são grandes carniceiros do povo? Estaria o Itaú se tornando um jovem de 40 anos identitário, interessado em defender os ideais das minorias? Vejamos.

O fortunato que recebeu a maior quantia de Walther foi Douglas Belchior. O candidato a Deputado Federal pelo PT, na realidade, tem seu coração e alma ligados ao PSOL, não à toa sendo um dos fundadores da reacionária Coalizão Negra por Direitos, que reúne centenas de grupos menores ligados a essa causa, caracterizando um dos maiores expoentes do identitarismo no País. Além de que, como já denunciado várias vezes por este Diário, os grupos são financiados por organizações imperialistas.

Após Douglas Belchior, que recebeu R$ 150 mil, temos Vilma Maria Dos Santos Reis, também do PT, que não só se diz atuar na frente da luta dos negros, mas também das mulheres e da comunidade LGBT — a candidata a Deputada Federal na Bahia recebeu uma generosa doação de R$ 100 mil para sua campanha.

Em terceira posição, temos Orlando Silva de Jesus Júnior, do PCdoB — com seu nome ironicamente registrado como “Orlando Silve”, talvez numa tentativa do TSE de implantar o gênero neutro —, que recebeu R$ 75 mil de Walther Salles. O candidato a Deputado Federal é um notório realizador de ataques ao PT e já protagonizou diversas cenas de aliança de seu partido com o “centrão” e o apoio a propostas direitistas.

O próximo beneficiado é uma figura polêmica: Wesley Teixeira Silva, ex-integrante do PSOL, atualmente filiado ao PSB. Foi a pessoa que recebeu o financiamento de grandes empresários, em especial do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, durante as eleições de 2020, polêmica que resultou numa crise dentro do partido, que quis impugnar sua candidatura, e foi um dos motivos que culminou na saída de Marcelo Freixo da legenda. Mais uma vez financiado, Wesley recebeu R$ 70 mil de Walther para sua campanha.

A lista de financiamento contém mais alguns nomes como Tatiana Marins Roque (PSB), que recebeu R$ 68 mil; Marivaldo de Castro Pereira (PSOL), que recebeu R$ 50 mil; Roseli Faria (PSOL) que recebeu R$ 50 mil; José Carlos Guerreiro Galiza (PSOL), que recebeu R$ 25 mil; e, por último, e nem por isso menos importante, Carmen da Silva Ferreira (PSB), que recebeu R$ 25 mil.

É importante lembrar que Carmen da Silva foi a responsável pelas diversas calúnias feitas ao Partido da Causa Operária (PCO) em julho de 2021, uma vez que a candidata a Deputada federal pelo PSB acusou o partido de agredi-la e de roubar celulares, acusações toscas e sem provas, feitas após o episódio em que os direitistas do PSDB foram expulsos de um ato da esquerda.

Poderíamos nos estender mais e falar sobre todas as polêmicas e os “direitismos” dessas pessoas que recebem o financiamento dos grandes capitalistas, mas os fatos apresentados já são suficientemente esclarecedores. Todos os candidatos listados têm fortes ligações com a luta farsesca do negro que, assim como a da mulher, é uma das principais bandeiras do identitarismo. Isso só comprova a verdadeira natureza dessa política, adotada por todos os partidos da esquerda-pequeno burguesa atualmente, sobretudo o PSOL.

O identitarismo é financiado pelos bancos, tem como principal espalhador de suas ideias as centenas, se não milhares, de ONGs espalhadas pelo Brasil, que são financiadas não só por um ou outro empresário, mas sim por diversas organizações imperialistas como a Fundação Ford, o NED, a Open Society e tantas outras.

O motivo para isso é simples: por não ter nada a ver com os reais interesses da população, uma série de histéricos identitários, esbravejando políticas sem lastro na realidade, não incomodam a burguesia. Pelo contrário, contribuem para manter o movimento operária arrefecido.

Mesmo assim, por estarem sempre chamando atenção a supostos grandes problemas sociais, suas ações e falas são propagandeadas como grandes atitudes de luta pela população que, por algum motivo, incomodariam “os poderosos” — isso faz com que se crie uma falsa sensação de luta política, mas que, na prática, é apenas uma estratégia da burguesia para que se mantenha o controle sob a esquerda pequeno-burguesa, levando em frente as políticas dos grandes capitalistas e do imperialismo.

É por isso que vemos empresários, banqueiros e grandes empresas apoiando as supostas causas das minorias — a verdade é que o identitarismo de nada serve para a luta da população. Os candidatos que propagandeiam essa política não tem nada a ver, por exemplo, com a população negra, são financiados pela burguesia para apresentar pautas ideais e, no final das contas, não levam nenhuma política à favor do povo para frente.

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