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Contra ataque

A direita entrou em guerra contra o Brasil, é preciso defendê-lo

O ataque à Semana de Arte de 1922 já em fevereiro deixou claro que o imperialismo prepara um intenso ataque a história nacional nesse ano de acirramento da luta política no Brasil


Se aproxima o novo curso da Universidade Marxista, Brasil 500 anos de história. Todos os anos o partido organiza mais de um curso escolhendo temas relacionados com a política do momento para serem analisados sob a ótica do materialismo. Ou seja, a conjuntura política é dos principais fatores para a escolha do tema. Em 2013, por exemplo, houve um curso sobre o anarquismo devido aos atos de rua, já em 2019, um curso sobre o fascismo, devido à vitória de Bolsonaro. No atual momento, a luta do imperialismo para oprimir a classe operária brasileira se impõe de diversas formas, não só por meio dos ataques econômicos ao nosso país, mas também por uma ampla luta ideológica, o famoso identitarismo. Neste ano de 2022, de aniversários de grandes eventos, a história do Brasil está sob duro ataque. Por isso a defesa da história do Brasil dos ataques do imperialismo faz parte da luta pela libertação da classe trabalhadora.


No ano de 2022 se completa o bicentenário da Independência e os centenários da Semana de Arte Moderna, do levante tenentista dos 18 do forte e da fundação do Partido Comunista do Brasil. Cronologicamente, o primeiro destes acontecimentos foi o da Semana de Arte Moderna, que se iniciou no dia 13 de fevereiro. Com a data se aproximando, a imprensa golpista já iniciou seu ataque total a esse que foi um dos mais importantes eventos para a cultura de toda América Latina no século XX. Diversos artigos vêm sendo publicados, principalmente na Folha de S. Paulo, o mais identitário dos jornais burgueses, que fazem acusações que chegam ao nível do terra planismo.

A insurreição do movimento modernista

Aqui é preciso explicar rapidamente o que foi a Semana de Arte Moderna de 1922. O evento, durou de segunda a sexta, e contou com a presença dos que viriam a ser os maiores nomes da arte brasileira no século XX: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Anita Malfatti, Heitor Villa-Lobos, Di Cavalcanti dentre muitos outros. Até mesmo Plínio Salgado, que viria a ser o principal líder do fascismo brasileiro, o integralismo, estava presente, não por sua política, mas por sua poesia. Qualquer evento cultural que juntasse tais artistas já seria um importante evento, mas ele não foi apenas uma reunião, e sim uma insurreição contra toda a arte estabelecida e, até certo ponto, contra o próprio regime das oligarquias.
Os artistas dessa semana produziriam obras-primas da cultura nacional ao longo de suas vidas e inspirariam gerações de artistas. Macunaíma, Manifesto Antropofágico, o Monumento às Bandeiras, as Bachianas Brasileiras, Tropical, Samba, e muitas outras. Apenas pelo nome é possível ver como o movimento é uma expressão da cultura brasileira, uma expressão do nacionalismo. Muitos dos expoentes do modernismo até mesmo se envolveram com a política. Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral se ligaram ao PCB, Patrícia Galvão foi uma militante trotskista, outros partiram para o integralismo, um nacionalismo confuso de tipo fascista, mas um fascismo ao estilo brasileiro.

A direita deu o primeiro tiro


E esse não foi o único artigo que foi divulgado na imprensa burguesa, houve outros atacando a semana de arte como “paulistocentrica”. O Globo publicou artigos alegando que o nacionalismo se aproximaria do bolsonarismo e que os artistas brancos faziam obras sobre os negros, ou seja, que o modernismo não segue os ditames do indentitarismo. Com tamanhos ataques ainda em fevereiro fica claro que a campanha da direita se tornará cada vez maior. Se um evento cultural é duramente atacado, é até difícil imaginar os absurdos que serão despejados sobre os acontecimentos políticos. Os tenentes, que derrubaram a oligarquia e realizaram a Revolução de 1930, o evento mais importante do século XX no Brasil, serão eles bolsonaristas? A Independência, que libertou a maior colônia da história mantendo a monarquia, não seria ela uma farsa? E o que dizer do PCB?

A história do Brasil é a história da luta de classes

É importante destacar que não somente a direita ataca a história do Brasil mas também a esquerda, seja ela identitária, stalinista ou ambos. O PCB será um caso clássico disso, todos irão falar uma versão sobre os 100 anos de história do partido. O atual PCB, que não tem quase nenhuma relação com o PCB de 1922, irá contar como os professores universitários da década de 1920 recebiam dinheiro da Inglaterra e isso não tinha problema. Já o PCdoB, que nasceu de um racha do antigo PCB na década de 1950, irá falar sobre como foi importante votar em Washington Luiz porque ele era o mal menor e como em 1930 não era a hora de sair às ruas. O Cidadania, que é o verdadeiro herdeiro do PCB, sabemos que não falará nada. Já a imprensa burguesa irá entrar na competição de quem fala as maiores barbaridades do identitarismo reacionário.

Sabemos que os ataques virão por que eles já existem, e, porque a luta política no Brasil em 2022 é uma das principais lutas internacionais entre o imperialismo e a classe operária, como denunciou o próprio Steve Bannon (um importante assessor de Trump). O Brasil é um país importantíssimo para o domínio do imperialismo sobre a América Latina, e para manter o domínio de nosso país o imperialismo irá lançar de todo o seu arsenal. Desde o financiamento de pseudo esquerdistas para atacar Lula durante o processo eleitoral, até o financiamento de pesquisas e artigos históricos que avacalham completamente com a história de um dos mais importantes países do mundo. O ataque à história do Brasil, assim como à cultura e ao esporte e também a economia só pode ser combatido de uma forma, por meio da luta dos trabalhadores e de suas organizações. É por isso que o PCO está organizando a Universidade Marxista.

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