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Negacionismo?

A culpa não é de quem não quer se vacinar

Contágio está se dando entre vacinados, é o que comprova os números apresentados pela prefeitura de Botucatu.

a revolta da vacina

Botucatu, no interior paulista, é um caso emblemático. A cidade tem mais de 90% dos moradores com duas doses da vacina e 67% com o reforço. E mesmo assim, o coronavírus está totalmente fora de controle. Ora, a conclusão é simples: o contágio está se dando entre pessoas vacinadas! Muitos vão alegar que nas UTI’s estão principalmente os não vacinados, ou aqueles que não completaram o ciclo vacinal. Mas a questão não é essa. O vírus continua circulando e isso representa um grande perigo. As vacinas que, como já dissemos, estão em estágio experimental, não conseguem ser realmente eficazes no combate ao vírus, embora atenue seus efeitos.

A variante ômicron tem se espalhado rapidamente e infectado pessoas vacinadas, inclusive profissionais de saúde igualmente vacinados. O aumento de pacientes procurando hospitais, somado à falta de pessoal só pode exercer uma pressão muito maior ao já combalido sistema de saúde. Não querer enxergar isso e colocar a culpa nos não vacinados é que é negacionismo.

Quando divulgam, como na Folha de São Paulo (25/jan), que no hospital Emílio Ribas quase 80% dos internados não completaram a imunização, estão dizendo com todas as letras que essas pessoas receberam pelo menos uma dose da vacina; não são, portanto, “negacionistas”. A pergunta é: por qual motivo não se completou a imunização? Só pode ser descaso no combate à pandemia.

Politização, perseguição e demagogia

Existe um falso debate sobre o negacionismo. Na verdade, é o surrado truque de se colocar a culpa nas vítimas. O povo, que tem morrido feito mosca e atirado à miséria com a pandemia, é declarado culpado pela doença não recuar. Esse tema quem pauta é a grande imprensa e a esquerda pequeno-burguesa cai na armadilha, como é de seu costume.

Qual é o intuito em se falar tanto em negacionismo, ou em se linchar um tenista que quer exercer um direito básico, o de não se vacinar? Desviar o foco do problema e dos verdadeiros culpados por esta situação.

O caso da deportação de Djokovic da Austrália é emblemático. O tenista foi alvo de duros ataques da grande imprensa devido a suas posições com relação à vacinação. O governo australiano o deportou alegando que ele poderia inspirar outras pessoas a não se vacinarem. Ou seja, o atleta cumpria as exigências sanitárias, não representava um risco à saúde pública e por isso não poderia ter sido impedido de entrar naquele país. (leia).

A esquerda moralista quer a todo custo achar um pecador para poder crucificar. E nem precisa procurar muito, recebe de bandeja das mãos da própria imprensa burguesa. Se dizem que a culpa é dos “negacionistas” está dito, nem é preciso contestar. O fato é que a pandemia coloca em xeque o próprio sistema capitalista, expõe sua extrema ineficácia e decadência. A causa dessa situação caótica está aí, não nas pessoas, mas na política e no modo de produção. O problema de se encarar essa questão é a conclusão à qual os reformistas não querem chegar: de que é preciso botar abaixo esse sistema e implementar o socialismo.

Os jornais e os noticiários são inundados com discussões sobre vacina, vacina e mais vacina. Logo, a esquerda se convence de que está aí a solução. Pensa que a vida é como no cinema, onde um cientista em seu laboratório em pouco tempo, mas com muito esforço e empenho, consegue sintetizar uma droga milagrosa utilizando o próprio sangue e finalmente salva a humanidade de uma terrível epidemia. O mundo real é bem diferente disso.

As grandes potências capitalistas só se preocuparam em produzir uma vacina, porque se trata de uma mercadoria e com isso se pode lucrar nesse grande comércio da morte. E, claro, o principal quando se trata de mercado é garantir a maior fatia possível. Outra ‘vantagem’ da vacina é que com ela os governos não precisam investir no sistema de saúde, sobra mais para o sistema financeiro.

Como garantir o mercado?

No Brasil, por exemplo, usaram a Anvisa para impedir que a vacina Sputnik V fosse trazida. Foi preciso esperar 400 mil mortes (oficiais) até que se começasse a vacinar, e ainda assim de maneira precária. Felizmente, apesar do desmonte da Saúde e da ineficiência dos governos federal e estaduais, o brasileiro tem se vacinado, estava ansioso para que a vacina chegasse, embora a esquerda preconceituosa creia que não valhamos nada.

A proteção das patentes é outro mecanismo na guerra comercial das vacinas. Pessoas morrem aos montes, uma legião fica com sequelas, novas mutações do vírus vão surgindo e não se toca no assunto, trata-se de um tabu.

A guerra ideológica também não pode ficar de lado. A desinformação e demonização das vacinas ‘comunistas’ da Rússia, China e Cuba partem tanto da presidência da República quanto da imprensa corporativa que é quem realmente detém o know-how de como manipular os fatos.

A distribuição das vacinas é outro fator perverso. Enquanto nos países ricos sobram vacinas, a ponto de lotes inteiros perderem a validade, países pobres praticamente estão sem cobertura vacinal. A Pfeizer foi acusada de fazer exigências absurdas para compra da vacina por países pobres, como a disponibilização de bens públicos como prédios de embaixadas e bases militares como garantia. Sem mencionar o fato de que queria total isenção legal sobre efeitos adversos da vacina; a garantia de não ser punida por eventuais atrasos na entrega, etc.

No final das contas, graças à maravilha da ‘livre concorrência’ e uma pilha de cadáveres, a Pfeizer detém 70% de um mercado que em 2021 rendeu às três maiores fabricantes de vacina um lucro estimado em US$ 34 bilhões.

Ação efetiva x obrigatoriedade

Desde o começo da pandemia temos insistido que seria preciso fazer testes em massa, isolar os casos positivos, fornecer auxílio financeiro de verdade, flexibilizar os horários do comércio e da indústria para desafogar o transporte público. Nada disso foi feito, pois tudo isso custa e os governos não querem gastar. Por isso não entramos nesse barco furado de ficar debatendo o ‘negacionismo’, de que a culpa é do gado bolsonarista etc.

camapanha pco
Campanha do PCO desde o início da pandemia

Em vez de defender, como fez o PCO, medidas efetivas para conter a disseminação do vírus, a esquerda caiu na discussão histérica de que se deveria obrigar a vacinação. E mais uma vez o debate foi alimentando pela grande imprensa. Ainda nem tínhamos a vacina e já se exigia do STF que obrigasse a população se vacinar. Surrealismo é pouco para descrever esse cenário. A esquerda, em vez de cobrar do governo que combata a pandemia, que quebre as patentes e comece a produzir vacinas, cobra que uma das instituições do Estado tome medidas draconianas. Em vez de denunciar o descaso estatal, a culpa é jogada sobre o povo como se este estivesse a priori se indispondo com as vacinas, o que é totalmente falso.

É de extrema importância que a classe trabalhadora não se deixe levar pelo debate desonesto que tem se formado em torno dos não vacinados ou “negacionistas”. Os verdadeiros responsáveis por essa tragédia estão lucrando como nunca. A esquerda revolucionária é a que luta pelos direitos da população e se opõe àqueles que tentam incriminar o povo, justamente quem mais tem sofrido com essa grave crise sanitária.

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