Salário de fome e exploração

Salário do brasileiro não será suficiente nos próximos anos

O ataque frontal da burguesia contra os trabalhadores está levando à redução dos salários, maior desemprego e eliminação da aposentadoria

O Ministério da Economia do governo golpista já divulgou quanto será o salário mínimo no próximo ano. Sairá dos atuais míseros R$ 1.100,00 para R$ 1.147,00. Correspondendo a previsão do ministério para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Vai valer menos no ano que vem, já que todo mundo sabe que a inflação é muito superior a isso. A inflação verdadeira, aquela sentida na carne por quem vive de salário.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE, o salário mínimo é referência para 50 milhões de trabalhadores e 24 milhões de aposentados e pensionistas do INSS. É arrocho salarial para 74 milhões de trabalhadores, no mínimo. Na verdade mais trabalhadores têm seus ganhos regulados pelo salário mínimo. Diaristas de serviços domésticos, trabalhadores não formais de todas as áreas, assim por diante.

O salário mínimo já é muito inferior ao que deveria ser, se a lei fosse cumprida. Segundo o mesmo DIEESE, hoje o salário mínimo deveria ser 4,83 vezes maior do que é. Para cumprir os requisitos da lei o salário mínimo deveria ser de R$ 5.315,74.

O salário de fome é parte da estratégia golpista desde o início. Compõe com a reforma trabalhista, que retirou direitos e enfraqueceu os sindicatos, e com a reforma previdenciária, que retirou a perspectiva de aposentadoria milhões de trabalhadores que jamais vão conseguir se aposentar e ainda achatou as aposentadorias dos que esperam se aposentar nos próximos anos.

A juventude trabalhadora, que iniciou sua vida profissional nos últimos anos, especialmente os trabalhadores braçais e serviços não qualificados, vai ficar sem a garantia da aposentadoria. Uma situação que se tornará dramática daqui uns 30 anos. Assim como já é dramática a situação dos trabalhadores mais velhos que perderam seus empregos nos últimos anos.

No ano passado, 80% das vagas de emprego eliminadas eram preenchidas por trabalhadores com mais de 50 anos de idade. Centenas de milhares de trabalhadores com mais idade jamais conseguirão emprego novamente. Não em atividades que desenvolviam antes e com os níveis salariais que tinham. Experientes soldadores, ferramenteiros e torneiros mecânicos acabarão no mercado informal ou no comércio recebendo salário mínimo. E, se conseguirem se aposentar por idade, vão receber menos que o salário mínimo.

Segundo pesquisa de Ana Amélia Camarano, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) 20,6% dos lares brasileiros dependem da renda dos idosos, de trabalhadores mais velhos ou aposentados.

Das empresas que sofreram fortemente com a recessão provocada pela crise capitalista e ampliada pela Lava Jato e o golpe de 2016, notadamente a indústria naval, a indústria do gás e do petróleo, e as empreiteiras, boa parte não conseguirá se recuperar nos próximos 5 anos, tempo demasiado para um trabalhador especializado ficar fora de sua atividade. Eles não terão jamais seus empregos de volta. Isso é um verdadeiro massacre.

A crise capitalista tem reforçado no mundo inteiro a ânsia capitalista em obter mais lucro de cada trabalhador empregado. A exploração tem aumentado em níveis fenomenais. Essa exploração maior é conseguida com a redução média dos salários e com a aceitação de níveis de exploração maiores, sem que sindicatos possam defender os trabalhadores. Sindicatos enfraquecidos, maior repressão policial sobre os movimentos sociais, chacinas de trabalhadores em bairros periféricos, assassinato de lideranças, são instrumentos que os capitalistas usam para forçar a classe trabalhadora a uma maior submissão, o que lhes garante lucros estratosféricos, mesmo em meio a uma crise global.

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