Após 20 anos de luta no Afeganistão, a águia americana se transformou em uma grande pomba, bateu suas asas e fugiu, deixando milhares dos seus colaboradores locais tremendo de medo, rezando pela “misericórdia” do Talibã. A derrota no Afeganistão do império dos Estados Unidos se afigura como um prelúdio do colapso do capitalismo.
O que assistimos é um fracasso humilhante, com aliados e espectadores em todo o mundo passando a duvidar da força e da competência estratégica das grandes potências imperialistas.
Agora, a o imperialismo alemão dá a mão aos Estados unidos, no caminho de volta para casa. Ao retirar suas tropas do Afeganistão, vidas de centenas de afegãos, que trabalharam para a Bundeswehr (Forças Armadas unificadas da Alemanha) e ajudaram em negociações várias com os “terroristas”, estão em risco.
A propósito do fiasco no Afeganistão, Angela Merkel, Chefe de Governo da Alemanha, em declaração no dia 25 de agosto, cala-se sobre o fracasso retumbante do seu país e do Estados Unidos e diz : “Todos nós obviamente subestimamos a velocidade dos eventos. Isso também se aplica à Alemanha”. O que equivale a dizer: os americanos erraram e nós os seguimos nisso. O “nós” nada mais é do que definir a colaboração com os estadunidenses.
Assim, a operação no Afeganistão, finalmente, teve que terminar. Fim da máquina de guerra dos EUA no país, após uma tentativa fracassada de fazer valer seus interesses geopolíticos nos quais usou de sua superioridade bélica, da sua máquina de propaganda para enganar o mundo com a retórica da democracia liberal, do Estado de direito, da boa governança, do direito das mulheres.
A arrogância ideológica e a obsessão do império americano, que lhe custou uma grande quantidade de vidas, de dinheiro e do seu prestígio no Afeganistão, acabou se tornado um retumbante nada.
Até o final do mês, os últimos aviões americanos deixarão o aeroporto de Cabul. Enquanto isto, o pessoal local colaborador do invasor teme a vingança do Talibã, para quem é considerado traidor, como não poderia deixar de ser. Mas o essencial desta circunstância extraordinária não pode ser outro: a reputação dos Estudados Unidos e da Alemanha como um parceiro confiável no mundo fez-se pó.
O equilíbrio político e os arranjos institucionais alcançados desfazem-se, como consequência da derrota. Os Estados Unidos usaram a simpatia e a bajulação de todos os países do mundo após o incidente de 11 de setembro de
2001. Agora, seu poder aderente não é o mesmo, os acontecimentos inegavelmente têm implicações significativas e de longo alcance na geopolítica global.
A cada derrota do imperialismo, mais serão abertos caminhos para emancipação de todos os países oprimidos do mundo. No presente caso, “o Talibã está capturando a imaginação popular”, diz o Jornal britânico The Economist em 28 de agosto, citando o jornalista refugiado Osama Gaweesh; refere-se aos países islâmicos, mas tal inspiração vale para todos os povos que passam por ditaduras ferozes. Este é o principal efeito da derrota dos Estados Unidos: um grupo
apoiado pelo povo, de um país paupérrimo, pulverizou as força armadas da grande potência imperialista, pondo-as para correr. Eis, em última análise, a inspiração do Talibã na imaginação popular e para as forças revolucionárias.




