Depois de se eleger graças à popularidade do nacionalista Rafael Correa, o golpista Lenín Moreno empreendeu uma guinada política de 180 graus, fazendo uso de um mote tradicional da direita: a “luta” contra a corrupção. A intensa perseguição política aos próprios partidários foi o prelúdio de um governo radicalmente neoliberal que destruiu economicamente o país.
No final do mandato, sua impopularidade de Moreno é tão alta que ele nem mesmo entrou nos planos da burguesia imperialista para concorrer ao atual pleito eleitoral. No entanto, isso não significa que Moreno esteja de fora das manobras da direita para garantir a derrota da candidatura de Andrés Arauz, apoiado por Correa.
Além de seguir coordenando a ditadura instaurada no Equador, o golpista decretou estado de exceção em 8 das 24 províncias do país, no curto período disponível para as campanhas eleitorais do segundo turno. A exemplo dos governadores “científicos” do Brasil, Moreno encobre a destruição dos serviços públicos com medidas repressivas. De quebra, impõe um obstáculo adicional ao candidato da esquerda, pois é a esquerda que, tradicionalmente, mobiliza a população nas ruas.
O decreto presidencial impõe toque de recolher especificamente na última semana antes das eleições em 11 de abril, proibindo reuniões públicas. Vale registrar que o cronograma ainda foi encurtado graças ao pedido de recontagem de votos do primeiro turno apresentado pelo candidato identitário indígena, Yaku Pérez.
Autointitulado “ecossocialista”, Pérez se manifestou favorável ao golpe que retirou Dilma Rousseff da presidência do Brasil; à perseguição judicial contra Cristina Kirchner na Argentina e ao golpe de Estado que derrubou o governo de Evo Morales na Bolívia. Fora do segundo turno, Pérez e seu agrupamento político fazem um demagógico chamado ao voto nulo.
Contra o candidato de Correa, a burguesia aposta no banqueiro Guilhermo Lasso, que já havia disputado, sem sucesso, eleições contra Correa e Moreno nos últimos anos. O candidato é apoiado pelo presidente golpista e defende a manutenção da política neoliberal de desmonte do estado equatoriano. A vitória de Lasso funcionaria como uma espécie de validação do golpe operado por Moreno.
O atual estado de exceção é apenas a etapa mais recente das manipulações institucionais no processo eleitoral. Logo no começo do processo, o partido de Correa, a Revolución Ciudadana, foi impedido de registrar candidatos, tendo que adotar outro nome, uma típica manobra para confundir o eleitorado. A inscrição como “Fuerza Compromiso Social” foi então novamente barrada e os partidários de Correa conseguiram, na reta final, concorrer como Union for Hope (União pela Esperança).
Na etapa seguinte, a perseguição mirou o impedimento de candidatos da esquerda. Em seguida, as tradicionais campanhas difamatórias. Mesmo assim, Andréz Arauz chegou ao segundo turno como candidato mais votado no primeiro. Que novos truques e armadilhas ainda virão até o dia 11?




