Protestos contra confinamento

“Ciência” ou ditadura? Holanda em chamas contra toque de recolher

Medidas governamentais não querem dizer proteção, pelo contrário

Manifestações de protesto contra as medidas de confinamento para combater a COVID-19 irromperam na Holanda pela terceira noite consecutiva na última segunda-feira (25/01). Fogueiras foram acesas nas ruas, carros da polícia foram queimados e vitrines foram destruídas e lojas foram saqueadas. O país está sob toque de recolher como parte das novas medidas impostas para evitar a propagação da COVID-19.

As manifestações ocorreram nas cidades de Amsterdã, Roterdã, Haia, Harlem, Almelo, Helmond, Geleen, Veenendaal, Breda e Tilburg. A resposta do governo foi a usual: tropas de choque da polícia para enfrentar os manifestantes. Cerca de 300 pessoas foram detidas durante o fim de semana e na noite de segunda-feira feira mais 150 pessoas foram também detidas. O Primeiro-Ministro holandês usou termos fortes para condenar os manifestantes, acusou-os de terem motivações que nada têm a haver com o confinamento e prometeu medidas duras contra quem se manifestar.

O prefeito de Roterdã Ahmed Aboutaleb baixou um decreto de emergência aumentando os poderes da polícia para deter manifestantes. Prefeitos de outras cidades anunciaram medidas semelhantes. A polícia anunciou que imagens de vídeos serão usadas para identificar e prender quem estiver “infringindo a lei”. Novas manifestações violentas estão sendo esperadas para os próximos dias e semanas.

As manifestações de insatisfação com as medidas que vem sendo tomadas contra a pandemia na Holanda seguem uma tendência que se vê nos países que seguem o modelo econômico neoliberal. A pandemia está sendo usada como pretexto para pôr em marcha uma guerra de governos tirânicos contra os povos sob o disfarce de medidas para proteger a sua saúde.

As pessoas nesses países estão percebendo que suas vidas estão sendo destruídas, muitos estão mergulhando na miséria e no desespero, mas para realmente combater a pandemia nada está sendo feito na verdade. Por exemplo, no Reino Unido foi decretado um confinamento, mas aquele país é o recordista em mortes per capita causadas pela pandemia. Por outro lado, a China tem lidado com a pandemia com um mínimo de perdas de vidas humanas e um mínimo de perdas econômicas.

Diante da sua crise atual o capitalismo está em busca de uma forma de sobreviver e sua sobrevivência envolve a destruição dos meios de subsistência dos trabalhadores e sua escravização. A cada confinamento sem medidas reais para combater a pandemia a devastação econômica aumenta. Muitos pequenos negócios foram à falência. Segundo algumas estimativas o PIB mundial já foi reduzido em um terço, mas essas perdas se transformam em ganhos para o grande capital.

Somente uma movimentação das massas exigindo um combate verdadeiro à pandemia e exigindo que sejam postas em prática medidas para movimentar a economia poderá causar uma mudança de rumo.

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