Nesta terça-feira, 10 de agosto, foi realizado no canal TV 247 mais uma Análise Política com Rui Costa Pimenta. O assunto mais comentado do dia foi o desfile de carros blindados em frente ao Planalto. O evento militar aconteceu no mesmo dia da votação da PEC do Voto Impresso e foi visto como uma tentativa de intimidar os parlamentares. Entretanto, segundo o presidente do Partido da Causa Operária, o desfile resultou em mais uma derrota para o presidente, que planejava forçar o adiamento da votação.
A conversa com o apresentador do 247, Leonardo Attuch, começou com a análise sobre a visita do assessor de Biden, Jake Sullivan, para Bolsonaro, com a proposta de ingresso do Brasil na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e na OCDE (Cooperação e Desenvolvimento Econômico), contanto que deixemos de comprar equipamentos para o 5G da empresa chinesa Huawei. Para Rui, a proposta apresentada pelos EUA, além de ter um caráter extremamente colonial, não seria interessante para o Brasil, que, para entrar para a Otan terá de fazer um grande investimento para adaptar as forças armadas nacionais e ficará refém do imperialismo em futuras interferências militares na América Latina. Uma vaga na OCDE também não seria de grande importância para o Brasil, que, mesmo que consiga influenciar em certos pontos a favor do desenvolvimento do país, não conseguiria mudar as relações comerciais do Brasil com as nações imperialistas. “É uma proposta de tipo colonial, a Otan é uma força colonial, queira ou não queira”, concluiu Rui.
Diante disso, fica aparente que a política do então presidente dos Estados Unidos não é hostil a Bolsonaro, o que demonstra que em caso de uma derrota da terceira via nas próximas eleições seria ele um plano B para o imperialismo contra o ex-presidente Lula. O clima golpista na América Latina tem tomado conta desde que Biden ganhou as eleições, países como Bolívia, Argentina, Peru e até o México estão ameaçados de novos golpes arquitetados pelo imperialismo. A visita de Jake Sullivan, mostra que aqui no Brasil esses planos parecidos já estão sendo pensados, e o apoio das forças armadas ao governo Bolsonaro são muito importantes para o controle do imperialismo.
O assunto então passou para o desfile militar de Bolsonaro em Brasília, entendido por Rui como uma política de intimidação por Bolsonaro. Entretanto, tudo indica que o evento não teria passado de mais uma bravata do presidente, que não teria conseguido intimidar ninguém, mas sim feito mais um evento de campanha para 2022. “É um ato em que o Bolsonaro está fazendo política, como sempre, para o seu próprio público. Isso foi para tentar demonstrar que seu governo ainda tem poder e consegue fazer alguma pressão no congresso. Apesar de que, tudo indica que a luta do voto impresso continua desfavorável para ele e a não adição da votação representa uma derrota”.
Um golpe militar, contudo, não parece ser o plano de Bolsonaro para um futuro próximo. As ações do presidente demonstram que sua intenção é adquirir uma maior popularidade para 2022. No entanto, estamos diante de um possível enfrentamento de dois golpes. Um deles seria o do próprio Bolsonaro caso não conseguisse ganhar a eleição, já o outro será arquitetado pela terceira via e terá amplo apoio do imperialismo. Ambos os golpes teriam como principal inimigo a candidatura de Lula.
Segundo Rui, o enfrentamento de toda a mídia contra a proposta do voto impresso deixa claro que um setor grande e importante da burguesia está apostando todas as suas fichas em uma candidatura da direita dita democrática contra Bolsonaro e contra a esquerda. Para que isso aconteça será necessária uma grande movimentação golpista, não só contra a extrema direita, mas principalmente contra o Lula, que é a principal figura política para 2022. “Não dá para acreditar que o Barroso, por exemplo, faria um discurso tão emocionado contra o voto impresso para garantir a democracia, sabendo que a eleição seria entre Lula e Bolsonaro e a esquerda ganharia. Desta forma ele estaria contra o Bolsonaro e a favor do Lula, é uma versão completamente inaceitável”.
O suposto manifesto de apoio ao sistema eleitoral e à ordem democrática assinado por empresários e banqueiros deixa clara esta intenção golpista. Este manifesto teria sido organizado e assinado pelos maiores representantes da terceira via, “eles têm uma aliança muito estreita com o imperialismo dito democrático, eles foram os patrocinadores do governo FHC, considerada como um governo de destruição nacional, além de apoiarem toda a política neo-liberal de Bolsonaro. É impossível dizer que um governo do Doria seria uma recuperação da democracia, eles vão fazer uma liquidação do patrimônio nacional que é inimaginável”, afirma Rui.
Este grupo, no entanto, seria mais próximo de Bolsonaro do que de Lula. Caso a terceira via não consiga o apoio esperado por eles, é evidente que o apoio seria amplamente para a extrema-direita. Isso porque, diante da ideologia liberal e do imperialismo, as políticas de Bolsonaro não vão exatamente de encontro. Um dos problemas para a burguesia, neste caso, seria o caráter autoritário e direitista do atual presidente, que futuramente pode vir a gerar uma significativa instabilidade política, devido à euforia popular que seu governo pode causar.
A candidatura de Lula, diante disso, se encontra em um momento de decisão e, segundo Rui, o PT não está sabendo por onde progredir. Para Rui, “as colocações do ex-presidente denotam uma falta de perspectiva, como se eles estivessem esperando por alguma coisa. O PT é um partido institucional, a direção do partido não vai se voltar a favor de um levante revolucionário, mas eu defendo que um partido institucional pode ser mais audacioso do que o PT, e na situação atual precisaria ser”.
A privatização dos correios também foi comentado pelo presidente do PCO, “para termos uma ideia os Correios têm cerca de 150 mil trabalhadores, contando que cada um deles tem pelo menos mais 2 pessoas na família, serão 450 mil pessoas que serão atingidos por isso, porque não tem como privatizar uma empresa mantendo os salários pagos pelo estado. Dessa forma, será necessário diminuir os salários e os diminuir os benefícios, além de aumentar a massa de desempregados”. O problema do funcionalismo público está no mesmo barco, entretanto o número de afetados será perto de 12 milhões de pessoas.




