No último domingo, após um mês de atividades semanais no bairro de Vargem Grande (extrema zona sul de São Paulo), os militantes do PCO realizaram com os moradores a primeira reunião do Conselho Popular do bairro. A atividade foi a coroação de diversas semanas de mutirões em que os militantes batiam de porta em porta na casa das pessoas para conversar sobre o coronavírus e sobre a crise econômica que assola o país e é especialmente dura para quem vive nas condições em que se encontra Vargem Grande.
A reunião foi realizada na casa de um dos moradores e foi extremamente bem sucedida. Todos os presentes deram relatos e colocaram os problemas mais urgentes que sofre sua comunidade. Todos estão apreensivos com o coronavírus e percebem que não recebem nenhuma ajuda do governo. Muitos relataram não ter acesso às máscaras, álcool em gel ou atendimento médico. Nenhum deles conseguiu ainda fazer o teste para ver se havia contraído o coronavírus. Alguns ainda disseram que já tiveram sua luz elétrica ou água cortados por não terem condições de pagar.
Porém, a reclamação mais frequente foi a da atuação dos políticos burgueses no bairro. Segundo eles, quando chega a época das eleições, as ruas de Vargem Grande se enchem de cabos eleitorais e candidatos pedindo votos para a população, mas uma vez eleitos, eles nunca mais voltam para dar satisfação sobre as promessas que fizeram. Para todos, ficou clara a perspectiva de que com a organização do Conselho de Bairro, eles poderão lutar pelas necessidades de sua comunidade.
Além disso, a maior parte das ruas do bairro ainda não estão asfaltadas e o saneamento básico se encontra em um estágio extremamente precário. Uma boa parte dos moradores é desempregada e não recebe nenhum amparo sequer do estado. A recomendação de fazer quarentena soa para eles como algo totalmente absurdo.
Entre as resoluções do Conselho, ficaram a de realizar uma outra no próximo domingo, trazendo mais moradores e elegendo um delegado para cada rua do bairro, que irá coletar de seus vizinhos os problemas mais urgentes a serem resolvidos. Depois disso, esses problemas serão encaminhados para o poder público e o Conselho irá pressioná-los para que sejam atendidas as suas reivindicações.
A mobilização da população é o único caminho para que a classe operária possa se preparar contra a pandemia que ainda está em seus estágios iniciais no Brasil e tende a crescer muito, mas que já está matando muita gente. Enquanto a esquerda pequeno-burguesa fica em casa esperando que venha a salvação de pessoas como Dória, Ronaldo Caiado e Witzel, o PCO está nas ruas procurando organizar a classe trabalhadora para reagir ao verdadeiro genocídio que será promovido pela burguesia com a ajuda da direita e da extrema-direita.





