A mobilização de torcedores do Corinthians, no último sábado (9) na Avenida Paulista, escancarou, de uma vez por todas, que a esquerda deve se mobilizar. Um grupo de 70 torcedores corinthianos, dos mais diversos agrupamentos, se reuniu, na mesma hora e local em que estava marcada uma manifestação a favor do governo ilegítimo, para fazer frente as este. Os torcedores entendem que é necessário o isolamento social, mas que o momento exige a mobilização e, portanto, não se acovardaram e partiram ao embate.
Na mesma linha, o Capitão Léo Ribeiro, membro e fundador da Torcida Jovem do Flamengo (TJF), em vídeo publicado no YouTube (https://youtu.be/uH34vlO2ytg), denunciou a repressão da burguesia contra as torcidas organizadas. Aproveitou para convocar as torcidas a irem às ruas pelo direito de torcer. Segundo ele, “os canalhas que estão fazendo acampamento em Brasília são frouxos” e que, por isso, os torcedores não devem ter medo do embate com os fascistas.
Circula, nas redes sociais, um manifesto de integrantes da TJF lembrando da história da torcida em se posicionar contra a ditadura, a opressão e conservadorismo. O texto lembra das manifestações da torcida em relação ao movimento “Diretas Já!”, à defesa de Cuba e do Iraque contra o imperialismo e a união latinoamericana. Na conclusão do texto, há o chamamento explícito pela adesão dos membros da torcida pelo “Fora Bolsonaro!”
Ao que parece, membros das torcidas organizadas parecem ter uma leitura melhor da realidade do que a esquerda pequeno-burguesa e seus “analistas políticos”.
O caráter popular e progressista das torcidas organizadas incomoda profundamente os capitalistas, pois sabem que o futebol possui influência direta no dia-a-dia da população brasileira. A burguesia tenta, de todas as maneiras, desarticular as torcidas para que os protestos sejam calados.
Organizações como FIFA, UEFA, Conmebol e CBF, do tipo capitalista mais desprezível e nojento, ameaçam com severas punições jogadores, clubes e torcidas que se manifestem. Isso é um claro ataque à liberdade de expressão. As gestoras do futebol utilizam o argumento de que as manifestações podem ofender alguém. Entretanto, é mais do que sabido que os únicos que se ofenderão serão seus patrões capitalistas e os governos autoritários. Há uma tentativa descarada de apagar a luta de classes, como se o futebol estivesse completamente alheio à sociedade.I
Cabe lembrar que a FIFA se omitiu completamente quando a presidenta Dilma Roussef foi ofendida por elementos reacionários durante a abertura da Copa. Vê-se aí, claramente, que a “despolitização para não ofender” tem um lado só.
Outros exemplos, como a proibição da entrada de faixas e cartazes antifascistas em estádios recentemente, escancaram a política fascista que as organizações esportivas vêm adotando. Enquanto isso, o presidente ilegímo, Jair Bolsonaro, desfila pelos estádios do Brasil fazendo propaganda.
Dados os fatos apontados, é mais do que necessário que as torcidas organizadas deixem de lado suas diferenças e mobilizem seus membros para lutar contra a repressão perpetrada pela burguesia e suas organizações. Somente assim será possível garantir que o futebol continue sendo um esporte do povo e para o povo, e não um mero produto capitalista feito exclusivamente para o lucro.




