Desde meados do mês de março que as partidas de futebol foram suspensas em todo o território brasileiro. Com o avanço da pandemia do COVID-19 o mundo inteiro foi obrigado a parar. Segundo dados da OMS, Organização Mundial da Saúde, até o dia 8 de maio de 2020 foram computados 3.759.967 casos da doença e 259.474 mortes. O Brasil caminha a largos passos para se tornar o epicentro mundial da doença, com sua completa falta de política de prevenção e uma infra estrutura totalmente deficiente em termos de atendimento médico para toda a população.
Neste sentido a única medida de contenção da doença tomada pelos governos federal e estaduais foi o isolamento social, uma medida que já se provou totalmente insuficiente para o combate da doença quando se constata que não há testes suficientes para os suspeitos de estarem doentes, quando não há leitos e equipamentos adequados e faltam médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde.
Mas, mesmo com a situação ainda caminhando para o pico da pandemia, as federações estaduais de futebol já começaram a preparar a volta dos campeonatos, pressionados pelos interesses da Rede Globo, alem dos próprios clubes, empresários, empresas de propaganda e outros capitalistas que encaram a possibilidade da falência caso os jogadores não voltem a campo.
No começo desta semana foi divulgado que o time do Flamengo, no início da preparação para a volta aos campos, fez o teste para coronavírus em todos os jogadores, equipe técnica e funcionários. Em um total de 293 pessoas testadas, foram detectados 38 casos positivos para a doença, incluindo três atletas do elenco profissional, cujos nomes não foram revelados.
Isso tudo aconteceu após a divulgação do fato de que o massagista do clube, Jorge Luiz Domingos, o Jorginho, faleceu na segunda feira, dia 4 de maio, aos 68 anos, vítima do coronavírus.
Manifesto da Resistência Caipira
A torcida antifascista do Botafogo de Ribeirão Preto, a Resistência Caipira – Botafogo Antifascista, acaba de lançar um manifesto, escrito pelo seu representante Lucas Oliveira Alvares, pela editora Terra Sem Amos, o “Manifesto Popular Futebolístico”, subentitulado “Contra o Retorno dos Campeonatos de Futebol em meio ao Covid-19”.
É uma iniciativa louvável e importante, que mostra que as torcidas de futebol estão muito conscientes dos interesses que estão por trás do esporte mais popular do País, longe da idéia popularmente propagada pela imprensa capitalista de que os torcedores de futebol são apenas um bando de pessoas ignorantes e selvagens.
O manifesto trouxe um panorama atual da situação da pandemia e elencou uma série de medidas importantes para a preservação da saúde da população e do futebol como um todo.
O primeiro ponto importante é o repúdio à ideia da volta do futebol sem a presença das torcidas. Este é um ponto que interessa sobremaneira aos capitalistas, que há muito tempo visam tornar o futebol um esporte das elites. Muitas medidas tem sido tomadas ao longo dos anos para afastar os torcedores mais humildes dos estádios, especialmente pela cobrança de valores cada vez mais altos nos ingressos, alem da proibição de torcidas organizadas e mesmo a exigência de torcida única no caso dos clássicos entre times grandes. A grande beneficiária destes jogos sem torcida é a rede Globo, monopolista detentora dos direitos de transmissão dos jogos, que também dita dias e horários e manipula os campeonatos visando seus próprios interesses.
Outro ponto interessante é a proposta de preservação dos pequenos clubes, geralmente esmagados pelos interesses econômicos. O manifesto defende que a CBF e federações estaduais auxiliem os clubes pequenos, com incentivos financeiros e perdões de dívidas.
Como prova da pressão dos capitalistas pela volta do futebol constatou-se, nesta semana, que na Alemanha já foi autorizada a retomada das competições profissionais do futebol. Desse modo a Bundesliga se tornará a primeira grande liga de futebol que volta a ser disputada. Lá todas as partidas serão realizadas sem a presença das torcidas. Apesar da Alemanha ter sido menos afetada pela doença que outros países vizinhos é um procedimento de risco. Tal fato não é desconhecido por Angela Merkel e outros lideres do governo, mas eles contam com o poder do futebol para incentivar a volta ao trabalho de todas as outras atividades econômicas do país.
Este deve ser o mesmo roteiro que se adotará no Brasil. Cabe aos torcedores e a todo o povo repudiar tais medidas por todo o risco que existe na situação em que vivemos no momento.
Contra a retomada do futebol em meio à pandemia do coronavirus! Fora Bolsonaro!





