A crise econômica Argentina tem mais um novo capítulo. Agora, o governo recém empossado decidiu não pagar mais de meio bilhão de dólares a credores internacionais e deverá entrar em moratória no próximo mês.
A Argentina sofre desde o final da sua ditadura militar, com a implementação de um forte regime neoliberal. O país que venceu a ditadura através de forte mobilização popular, vem empobrecendo ao longo dos anos, fruto de políticas de total espoliação das riquezas nacionais pelos capitalistas.
O governo de Alberto Fernández propôs aos credores uma redução drástica nos juros, pois, sem isso, a Argentina, de qualquer modo, não conseguiria arcar com seus “compromissos”.
Esta proposta foi rejeitada pelos credores. De maneira criminosa, eles pressionam o governo argentino a aprofundar, ainda mais, a austeridade fiscal.
Em consonância com os capitalistas, a maior firma de agiotagem do planeta, o Fundo Monetário Internacional (FMI), pressiona ainda mais o país, com uma dívida de 44 bilhões de dólares. O governo tentará um alargamento do prazo de pagamento, porém, já é sabido que os agiotas tentarão impor uma série de “reformas” a serem implementadas pela Argentina para aceitar a proposta.
A situação atual é resultado de toda destruição política, social e econômica que a Argentina vem sofrendo nas últimas décadas. Quando a situação esteve crítica, no fim dos anos 90 e início dos anos 2000, a burguesia “permitiu” a chegada dos Kirchner ao poder.
Durante os governos Kirchner, a população argentina conseguiu vitórias muito pequenas, verdadeiras migalhas que amenizaram a crise. Entretanto, quando a situação se estabilizou, a burguesia voltou à ofensiva, apoiando o capacho dos capitalistas, Maurício Macri.
Macri, bastante festejado pela direita golpista brasileira na época, fez um governo desastroso ao conjunto da população, implementando uma verdadeira entrega das riquezas nacionais ao FMI e demais capitalistas. No primeiro ano, a inflação superou 40%, o PIB chegou a despencar mais de 3% nos últimos trimestres da gestão e o país teve piora em todos os demais números.
O governo Macri reduziu o imposto no campo, o que beneficiou os ruralistas argentinos. Em contrapartida, aumentou as tarifas de gás, luz, água, combustível e transporte público, aumentando também o sofrimento da classe operária argentina. A pobreza chegou a 33,6% da população e as políticas implementadas pelo governo criaram uma forte especulação imobiliária.
Ele também é responsável direto pelo default do governo atual, pois, durante sua gestão, a dívida argentina em relação ao PIB não chegava a 50% e, ao fim de 2017, já ultrapassava 58%. As exportações caíram ainda mais, levando a um aumento do já existente deficit comercial.
Esses números levaram a burguesia permitir a volta do kirchnerismo, agora com Alberto Fernández como presidente. Entretanto, Fernández é muito mais moderado que os Kirchner. Esta moratória não deve ser vista como a luta nacionalista, mas a única solução possível no contexto de falência total do capitalismo e das políticas neoliberais.
Tempos difíceis se aproximam da Argentina e de sua classe trabalhadora. Caberá à população se mobilizar para impedir que as reformas desejadas pelos capitalistas não ocorram. Caso contrário, o país conhecerá uma crise de proporções inéditas em sua história.




