A exclusão da mulher

Reino Unido ataca mulheres com novas regras de imigração

As novas regras de imigração agravarão a situação de escassez de cuidadores de idosos e do lar, impedindo que as mulheres possam assumir profissões remuneradas fora de seus lares

Em  Janeiro  de 2021 entrarão em vigor as novas regras de imigração propostas pelo governo Britânico . As medidas ocorrem no bojo das reformas do Pós- Brexit ( saída do Reino Unido da União Européia) . De acordo com as novas normas, os candidatos à imigração terão que receber uma oferta de emprego com salário anual de no mínimo 25.600 libras, o que equivale atualmente à R$ 144.000 . Embora o limiar possa ser reduzido em áreas onde há escassez de mão de obra,  como por exemplo a área de enfermagem, a medida em geral irá prejudicar especialmente as mulheres tanto imigrantes como as cidadãs inglesas, afirmam representantes dos movimentos feministas britânicos.

A expectativa é de aumento das discrepâncias salariais entre os gêneros,  pois  esta faixa salarial exclui especialmente profissões menos valorizadas como a de cuidados de idosos. Nesta área , a faixa salarial é de 17 mil libras anuais, e é exercida em 80% por mulheres. Isto irá gerar uma falta de cuidadores no mercado e ,como tradicionalmente as mulheres tem a propensão de assumir os cuidados com a família, ocorrerá uma agravamento das discrepâncias salarias de gênero , segundo a entidade Woman’s Bodget Group que promove a a igualdade de gênero.

A explicação seria de que por ter que assumir os cuidados com o lar, filhos e idosos, as mulheres são impedidas de aprofundar-se nos estudos e aperfeiçoamento profissional, sendo este o motivo pelo qual profissões de destaque e que exigem dedicação maior , são ocupadas em sua maioria por pessoas do sexo masculino.  Pela faixa salarial imposta, o novo sistema dará prioridade a profissões onde há  prevalência de homens, principalmente na área de exatas, como engenheiros e matemáticos , além de priorizar aqueles que tem Phd e pós doutorado, facilitando sua entrada no país.

Embora o governo afirme a intenção de treinar 8 milhões de pessoas classificadas como economicamente inativas, para exercer as atividades onde faltarão mão de obra, Manu Reid , líder do Partido Igualdade da Mulher, afirma que ocorrerá um agravamento da falta de profissionais, principalmente na saúde, serviços de produção de alimentos, assistência social e hospitalar.  Segundo Reid, estas 8 milhões de pessoas já estão envolvidas nos trabalhos não remunerados, e estas medidas , aliadas à falta de investimentos governamentais em ações que propiciem a emancipação da mulher, como a criação de creches estatais, impedirão as mulheres de trabalharem fora ou dedicar-se à sua própria emancipação.

A situação das mulheres na Inglaterra, vai ao encontro das mulheres no Brasil e nos demais países, onde as mulheres assumem a responsabilidade pelo cuidado do lar e dos filhos, as impedindo de trabalhar fora ou de investir em suas próprias carreiras. Situação que só poderá ser mudada a partir de um programa governamental que ofereça creches, restaurantes comunitários e demais serviços permitindo que as mães trabalhadoras possam se afastar do lar com a tranquilidade necessária e de seus filhos e demais dependentes estejam sendo cuidados de forma adequada.

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