A capital do terceiro estado brasileiro mais afetado pelo Covid-19, Fortaleza, anuncia o retorno de cerca de 105 mil trabalhadores oriundos de 14 cadeias produtivas nos setores da indústria, serviço e comércio, dos quais seis cadeias terão 100% dos trabalhadores de volta ao trabalho. A medida corresponde a segunda fase do plano estadual de retomada das atividades econômica.
Na primeira fase, concluída apenas, a uma semana, retornaram ao serviço mais de 105 mil trabalhadores, de 17 cadeias produtivas. Somadas as duas fases, serão mais de 210 mil trabalhadores expostos ao contato social próximo no transporte coletivo, nos canteiros de obra, nos galpões, em restaurantes, etc.
Dentre os setores liberados, destaca-se o da construção civil que já operava com 41% da capacidade desde o início da semana passada, e passa a operar agora a 100% de sua capacidade. O setor da construção civil é o que conta com maior número de trabalhadores e um dos mais suscetíveis ao contágio, dado a precariedade sanitária e proximidade física as quais se expõem os operários nos canteiros de obra.
Apesar do governador Camilo Santana ser filiado ao PT, é notório a sua fidelidade política aos irmãos Cid e Ciro Ferreira Gomes. Lembramos que o Ceará foi o único estado do Nordeste em que Haddad não ganhou no primeiro turno de 2018. Ciro Gomes foi o mais votado do estado e conta com a fidelidade do prefeito de Fortaleza e do Governador do estado. Portanto, é natural compreender a política de Camilo Santana como a política do bloco “cirista” que busca a todo custo superar a hegemonia do PT e de Lula no Nordeste.
A retomada da atividade econômica no Ceará, terceiro estado mais afetado, é criminosa e genocida, expões a camada mais pobre da população e deixa evidente que o discurso do “fique em casa” não passava de demagogia oportunista. Neste momento em que a crise política que atinge Bolsonaro chega às alturas, os Ferreira Gomes e seus comandados sentem-se livres para retirar a carapuça e jogar milhares de trabalhadores à própria sorte.
Há uma crescente insatisfação do povo com a política genocida de Bolsonaro, copiada por vários governadores, inclusive de esquerda. As organizações sociais, sindicais e os partidos de esquerda devem assumir a tarefa premente de organizar os trabalhadores e conduzi-los em grandes mobilizações, sem as quais não será possível barrar um genocídio que ameaça os trabalhadores do Brasil.





