Na cidade de Passo Fundo, região norte do Rio Grande do Sul, cerca de 2.000 trabalhadores dos ramos de hotéis, bares, restaurantes e casas noturnas foram demitidos durante a pandemia do coronavírus. A informação foi divulgada pelo sindicato que representa as categorias.
No Rio Grande do Sul, o município é o segundo maior em casos e mortes em decorrência do covid-19, com total de 102 casos confirmados e nove mortes até segunda-feira (27).
Além das demissões, as empresas suspenderam os contratos dos funcionários, uma vez que o movimento decaiu em 80% e os serviços estão funcionando em delivery. Os garços estão entre o maior número de demitidos.
As demissões evidenciam que o plano da burguesia, em seu conjunto, é lançar amplas parcelas da população no desemprego e, consequentemente, na miséria e na ausência de qualquer perspectiva de vida. Para esta o que importa é preservar seus negócios e seus lucros, não importando qual o destino da massa de trabalhadores que produz a riqueza do país.
O desemprego é um fator que inviabiliza completamente o enfrentamento à pandemia, uma vez que desorganiza a população e ameaça suas condições de vida. Não pode ser tolerado que o destino de uma parcela da classe trabalhadora seja rifada.
Um problema é que o Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Passo Fundo e Região do Estado do Rio Grande do Sul (STHBRSPF), representante das categorias, ao invés de convocar uma mobilização para impedir as demissões, se propõe a organizar campanhas de arrecadação de alimentos para distribuir para os desempregados e suas famílias. Isto é, o sindicato desempenha a função de tentar reparar o mal feito pela burguesia, sem nenhuma iniciativa real para impedir para impedir as demissões.
Os sindicatos e as organizações operárias, sobretudo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), devem organizar uma ampla mobilização unificada de todas as categorias profissionais no sentido de exigir a imediata proibição das demissões. Não é possível assistir passivamente amplas parcelas da classe trabalhadora serem lançadas na miséria ou entregar as sedes dos sindicatos para a direita.
A burguesia e seus governos são incapazes de apresentar uma saída para a crise econômica e a pandemia do coronavírus. Cabe às organizações dos trabalhadores (partidos políticos, sindicatos, associações) apontar saídas que contemplem seus interesses de classe e que necessariamente devem passar pela via da mobilização popular. Não se pode esperar e tampouco ficar a reboque da burguesia, que não tem preocupação alguma em salvar vidas, mas somente na manutenção de seus privilégios de classe e interesses econômicos.





