Crise na saúde

Pirenópolis reabre ao turismo e registra mortes pelo coronavírus

Com 100 mortes "fique em casa", com 1000 "o Brasil não pode parar".

Quando a burguesia lançou a palavra de ordem “fique em casa” para controlar crescente revolta popular que ameaçava ir às ruas pela insatisfação geral contra o governo Bolsonaro, registrava-se menos de uma centena de mortes diárias por covid-19. Passado o risco imediato veio a necessidade de retomar a atividade econômica para não afetar os lucros, então quando as mortes diárias já ultrapassavam a casa do milhar, a burguesia esqueceu o “fique em casa”.

A contradição é óbvia, mas boa parte da esquerda pequeno-burguesa acompanhou este imbróglio. Durante todo este processo o PCO denunciou através de sua imprensa, a falta de uma política própria por parte da esquerda, que insistiu em seguir a reboque da burguesia, motivo pelo qual, apesar de um enorme crise política, econômica e sanitária, o governo fascista segue no poder.

Um bom exemplo desta conduta vem da cidade de Pirenópoles (GO), que após 5 meses fechada ao turismo, principal atividade econômica do município, reabre sem nenhuma justificativa aceitável. O resultado foi que o número de mortes dobrou em pouquíssimo tempo.

Para a secretaria de saúde do município, não há relação entre aumento de mortes e a reabertura, já que as vítimas seriam pessoas já internadas quando da reabertura ao turismo. A secretária de Saúde, Luciana Rodrigues informou que monitora o número de casos de covid-19 e de leitos ocupados, e que medidas serão tomadas caso seja necessário, inclusive um novo fechamento da cidade.

Pirenópoles é uma cidade histórica fundada no ciclo do ouro e fica a 150 km de Brasília. Por ter preservado sua arquitetura colonial, pelas muitas opções de lazer propiciadas pelo rio das Almas e as serras em seu entorno, tornou-se um atrativo turístico no Centro-Oeste. A cidade possui uma população em torno de 25 mil habitantes. Como a maioria dos municípios brasileiros, a cidade está sendo afetada pela crise econômica decorrente da pandemia de coronavírus, sobretudo sua população.

A preocupação da prefeitura em retomar a atividade econômica contudo, não é com o povo ameaçado pela doença e atingida pelo desemprego, mas com o lucros cessantes dos empresários do setor de turismo. Isso fica evidente pela oportunidade em que são tomadas as medidas, em descompasso com a evolução da pandemia como explicamos anteriormente, ademais nenhuma outra medida foi tomada para minorar os efeitos devastadores da pandemia para a população trabalhadora.

O que acontece em Pirenópolis se repete na maioria dos municípios brasileiros, abandono e demagogia política tem sido em geral a postura de prefeitos, governadores e mais escancaradamente do governo central. Muitos discursos e acusações foram feitas, mas nada que fosse realmente efetivo na luta contra a pandemia. Ficou claro desde o começo que os efeitos devastadores do coronavírus seriam potencializados pela política neoliberal adotada pelos vitoriosos no golpe de 2016 e que a única forma de combater a pandemia seria interromper o golpe e colocar todo o aparato do Estado a serviço do povo.

Infelizmente, as forças políticas de esquerda, na falta de fundamentação ideológica consistente, cambaleiam em busca da aprovação de uma opinião pública, que em última instância é a opinião dos meios de comunicação burgueses do país, e permitem, sem luta, que mais brasileiros morram em decorrência da ganancia capitalista, exatamente como vemos acontecer em Pirenópolis.

 

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