Após a aprovação da renda mínima de R$600 para os trabalhadores informais e desempregados, membros da equipe do governo se mostraram “preocupados” com os gastos estatais diante da crise econômica e de saúde. Para Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional, o governo está pronto para gastar mais se for necessário para proteger as pessoas que estão em situação de risco diante da pandemia, mas que isso não pode significar uma “farra fiscal”. Um tanto quanto contraditório, já que primeiramente mostra uma falsa preocupação com as pessoas que serão mais afetadas, mas que o aumento de gastos com as mesmas pode significar uma farra fiscal, como se esse tipo de gasto não devesse ser o mais importante num momento como esse.
Não surpreende que esse tipo de declaração seja feita sobre um benefício para o povo enquanto temos apenas silêncio quando o assunto são as ajudas em valores que passam a casa do trilhão para bancos diante da crise. Esse tipo de discurso é típico de governos de direita. O gasto do dinheiro público com o povo é sempre despesa, nunca investimento, os benefícios e direitos mínimos dos trabalhadores sempre são questionados. Mas o dinheiro entregue nas mãos burguesas sempre são sinônimo de investimento, até mesmo em instituições que não geram riqueza e apenas sugam o dinheiro do contribuinte, como é o caso dos bancos.
Em tempos de crise acirrada do capitalismo o gasto com a grande massa de trabalhadores não deveria ser questionado, afinal é o trabalhador que tudo produz e que verdadeiramente faz com que a Economia ande, o trabalhador é a peça central de todas as economias, não os bancos ou seus patrões. Dar as condições mínimas, não esmolas, para os trabalhadores enfrentarem a crise é uma obrigação do Estado, não “farra fiscal”. A cada dia que passa da crise, os interesses de classe estão cada vez mais claros e as contradições também. Para a burguesia, gastar dinheiro com trabalhador é prejuízo, enquanto enchem seus bolsos com o dinheiro do próprio proletariado. Do outro lado, os trabalhadores estão na luta para manterem seus empregos, sua saúde e sua existência, a questão do trabalhador é uma questão de sobrevivência dentro do capitalismo.
Há muito tempo não víamos o quanto a organização popular é importante, estamos em um momento que pede isso com urgência, afinal o trabalhador se depara com uma crise sem precedentes e está sob o comando de um governo neoliberal e golpista. A união dos trabalhadores é para que as suas vidas sejam respeitadas e que os mesmos possam ter condições necessárias para enfrentar a crise, ou mais e mais pessoas mergulharão na pobreza, na fome, no desemprego, e até mesmo na morte, se a saúde dos trabalhadores não forem preservadas. Não é questão de farra fiscal, não é questão de gastos, é uma questão de sobrevivência.



