Kamala Harris

O identitarismo esconde a política de massacre do povo

O psolista Chico Alencar, louco por uma demagogia, elogiou a vice de Joe Biden e assim, sob a cobertura do identitarismo, se alia ao imperialismo mundial

Diante do resultado das eleições dos Estados Unidos, a esquerda pequeno-burguesa novamente deu demonstração de sua completa falta de independência política. Quase que a totalidade comemorou a vitória de Joe Biden, se aliando com todos os principais órgãos da imprensa imperialista mundial e golpista no Brasil. A vitória de Biden, uma vitória da ala mais poderosa da máquina genocida do imperialismo mundial, está sendo apresentada com euforia pela esquerda.

O ex-deputado federal e agora candidato a vereador pelo PSOL, Chico Alencar, expressou sua alegria pela vitória do imperialismo elogiando Kamala Harris, vice na chapa de Joe Biden. “Viva Kamala!”, afirma o psolista em seu Facebook. Kamala será a a “1a vice-presidenta mulher e negra da história dos EUA”, o que para Chico Alencar é “sinal dos tempos”.

E qual seria, então, esse “sinal dos tempos”? Aí, Chico Alencar entra na mais rasteira demagogia identitária: “Filha de indiana com jamaicano, a californiana Kamala tem uma história de vida que apenas confirma que a Humanidade é uma só. As nacionalidades representam carimbos de identidade inferiores aos corpos que somos”.

A demagogia religiosa, piegas, de Chico Alencar para elogiar Kamala Harris esconde o real significado da vitória de Biden e esconde quem de fato é Kamala Harris. Saber quem é a vice de Joe Biden, além da cor de sua pele e de sua ascendência, serve para saber o próprio significado da eleição.

Segundo Chico Alencar, Kamala Harris “tem uma história de vida”, mas não diz que história é essa, não diz, mais importante ainda, qual é a história política da vice de Biden.

Kamala Harris foi promotora e responsável por uma política repressiva, cumprindo o papel de qualquer elemento direitista nesses cargos. Inclusive, tendo sido promotora, contribuiu diretamente para o encarceramento da juventude negra. O interessante é que as alas esquerdistas do próprio partido Democrático denunciaram a política de Harris durante a campanha interna do partido, quando Bernie Sanders ainda disputava com Biden quem seria o candidato democrata.

Uma vez que essa mesma esquerda ficou a reboque da direita ao apoiar a candidatura Joe Biden, as denúncias simplesmente desapareceram. A esquerda que havia denunciado a política de Kamala Harris passou a defendê-la.

A posição da esquerda, que Chico Alencar segue, é a mais rasteira demagogia identitária. Kamala Harris não é sequer um elemento político vagamente esquerdista. Pelo contrário, a vice de Biden é uma política da direita. Mas o fato de ser negra e descentente de indianos a transformou em uma atni-fascista. Chico Alencar conclui seu comentário de Facebook afirmando: “E lá vai Kamala, afirmada, a vice que incomoda os racistas que não querem amá-la. Nem estão à altura disso.”

Para se ter uma ideia, uma das obras de Kamala Harris, a heroína de Chico Alencar, foi apoiar a lei que obriga as escolas a entregar alunos sem documentação às agências de imigração. Realmente, Harris deve incomodar os racistas.

Como uma pessoa que é o instrumento do imperialismo para encarcerar a população negra pode incomodar os racistas? Qualquer explicação seria absurda. Então, a esquerda parte para o identitarismo.

Fica claro que a política identitária vem justamente da classe dominante. Isso porque ela permite que a burguesia manipule a situação. O identitarismo impulsionado pela burguesia serve para manipular a população negra, as mulheres, os LGBTs, imigrantes. Assim, como mágica, a burguesia transforma o maior inimigo desses setores em seu maior símbolo de luta.

A esquerda pequeno-burguesa, como Chico Alencar, programada a seguir qualquer política da burguesia e sempre disposta a fazer demagogia, é a primeira a cair na manipulação, servindo como auxiliar na operação para enganar o povo. A esquerda, que deveria alertar a população sobre as manobras, é a primeira a contribuir para a manipulação.

Porque a burguesia prefere a demagogia identitária? Justamente porque é muito mais barato do que dar algum dinheiro para os milhões que se encontram na miséria só nos Estados Unidos. A demagogia identitária não custa nada para a burguesia, logo também não muda nada na vida da população oprimida.

A posição de Chico Alencar e de toda a esquerda pequeno-burguesa prova ainda mais uma coisa. Que a política identitária do imperialismo ainda tem a vantagem de arrastar atrás de si um importante setor da classe média, muito apegada a demagogia e sem preocupação com qualquer política que realmente signifique uma mudança material para a população trabalhadora.

O caso Kamala Harris mostra que a política identitária é um embuste, um conto do vigário, que não tem absolutamente nada de libertadora.

Aliás, quanto maior a demagogia, mais a população negra sofre. A política de Kamala Harris e Joe Biden de encarceramento está dirigida em primeiro lugar à juventude negra. Estão prendendo cada vez mais a população negra, mas usando um vocabulário politicamente correto.

Chico Alencar se encontra ao lado do imperialismo. A demagogia com a vice presidenta negra nãao vai mudar essa fato. A esquerda dá uma demonstração, mais uma vez, que está a reboque dos setores mais direitistas do imperialismo. O apoio ao candidato do imperialismo, apresentando Biden e Kamala Harris como grandes representantes do povo, é a falência definitiva de qualquer política minimamente independente, de defesa dos povos oprimidos. A esquerda se torna cúmplice da política genocida do imperialismo contra os povos do mundo todo e dentro dos Estados Unidos.

 

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