Cerca de 180 garis de Brasília irão perder o emprego pelo fato de estarem no grupo considerado de risco para o novo coronavírus. Os trabalhadores tinham sido afastados do serviço no início da pandemia por apresentarem doenças cronicas, como diabetes e hipertensão, e ter acima de 60 anos. A alegação das empresas é que não há recursos para manter os trabalhadores, um verdadeiro cinismo e um ataque direto à condições de vida dos garis, os quais dependiam do trabalho para sobreviverem.
As demissões têm também a chancela do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). De acordo com o sindicato da categoria, o SINDlURB, o governo do DF se ausentou deliberadamente de todas as reuniões realizadas entre os trabalhadores e a empresa, deixando livre para que os patrões impusessem as demissões.
Além do apoio aos cortes, o governo do DF fez demagogia e mentiu para os trabalhadores quando no final do ano passado havia prometido recontratar cerca de 700 garis demitidos devido à abertura de um novo processo de licitação, promessa que até o momento não passou de discurso.
O sindicato da categoria denuncia também que as demissões irão aumentar ainda mais a sobrecarga de trabalho para aqueles garis que continuarão no emprego. O que levará a uma exposição ainda maior dos garis ao coronavírus, uma vez que terão que passar mais tempo nas ruas.
Assim como os trabalhadores de supermercado, da construção civil, dos correios, os entregadores de aplicativo, entre outros, os garis estão trabalhando desde o início da pandemia. Para eles não há isolamento social e as condições de trabalho em todos os lugares são muito precárias. Com baixíssimos salários e sem proteção, estes trabalhadores sofrem na pele a política criminosa dos patrões de os lançarem direto para a morte todos os dias.
Além dos garis, trabalhadores responsáveis pela coleta seletiva no DF também foram demitidos. As contaminações não param de ocorrer, somente me Ceilândia, são 10 casos registrados de trabalhadores contaminados pelo coronavírus.
Contra as demissões e a contaminação dos trabalhadores é preciso superar a paralisia da direção sindical, reabrir o sindicato e mobilizar a categoria para impedir que os trabalhadores sejam demitidos. Entrar em greve contra a política de cortes dos empresários e contra o governo patronal de Ibaneis. Exigir a readmissão imediata de todos os trabalhadores demitidos e que as empresas atendam à todas as recomendações de segurança para que os garis possam continuar trabalhando evitando a contaminação.




