Abandono e repressão

Ministério Público fascista quer estado de sítio no Amazonas

Sem condições de ficar em casa, o povo do Amazonas será reprimido se lutar pela vida

O estado do Amazonas já se aproxima dos 13 mil casos de contaminados pelo novo Covid-19 com 1.035 óbitos. O número já é assustador dado a pequena população e a baixa densidade demográfica do estado, mas é de se esperar que seja muito maior, uma vez que os testes são extremamente limitados. Até mesmo a imprensa golpista admite que há subestimação das estatísticas oficiais.

O Ministério Público do Estado do Amazonas ajuizou, nessa segunda-feira (11/05), o recurso (Agravo de Instrumento) pedindo a adoção de medidas de restrição total de circulação de pessoas em Manaus, o lockdown. Este já é o segundo recurso do MP-AM neste mês, que no dia 05 já havia pedido mais rigidez no isolamento social. Medidas da mesma natureza já foram adotadas no Pará, Maranhão e Ceará.

Em Manaus falta caixão para enterrar os mortos, imagens de enterros coletivos assombram o mundo, o sistema público de saúde não dá conta da demanda, falta hospitais, médicos e enfermeiros na capital e sobretudo no interior e sem nenhuma medida efetiva de assistência governamental à população, além da escassa esmola do Auxílio Assistencial do Governo Federal, que além de mínimo, tem seu acesso dificultado por todos os meios, a população do Amazonas se encontra à beira de uma convulsão social. É este colapso que o MP tenta a todo custo evitar por meio da imposição autoritária do isolamento social forçado.

A ação demagógica do MP, que nada mais é do que a decretação do estado de sítio, não exige que o poder público forneça testes em número suficiente, não requer a construção emergencial de hospitais, não impõe a contratação de profissionais de saúde, não pede a desburocratização do acesso nem o aumento do valor do auxílio que é ainda mais inócuo por se tratar de um dos estados mais pobres da federação, não propõe a suspensão da cobrança de alugueis, água e luz para os mais pobres e enfim, em nada contribui para tornar o isolamento social possível.

Como era de se esperar, sem os meios necessários para manter a população em casa, o índice de isolamento social que chegou a 59,3%, segundo levantamento de empresas de tecnologia, começou a cair em maio e já é inferior a 50%, muito inferior aos 70% preconizado pelos órgão de saúde.

Em Manaus, assim como em todo o Brasil, o isolamento social necessário para conter a propagação do coronavírus não será alcançado por imposição arbitrária do Judiciário, assim como também não poderá ser contida a revolta da população que cresce a cada dia.

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