Milhões de palestinos que vivem na Faixa de Gaza estão sendo virtualmente condenados à morte pelo Estado de Israel, que deve ser responsabilizado pelas mortes que ocorrerão.
A Faixa de Gaza, que há cerca de 40 anos se encontra sob assédio militar e bloqueio econômico e naval israelenses, apoiados pelos EUA, não tem a menor condições de proteger os palestinos do contágio do coronavírus. A situação econômica de Gaza é tão grave e a precariedade dos serviços de saúde tão profunda que pode-se dizer que a população está confinada em um campo de concentração a céu aberto.
Na questão dos testes para detecção do COVID-19, Gaza tem somente 200 kits. No que tange aos respiradores mecânicos, essenciais para tratar os doentes, há somente 3 para 100.000 pessoas, enquanto que nos Estados Unidos e Israel – que têm respectivamente 52 e 40 – a quantidade é considerada inadequada.
Gaza tem 30 hospitais e clínicas importantes que proporcionam uma média de 1.3 camas por cada 1.000 pessoas, enquanto que Israel conta com 3.3 camas por 1.000 pessoas e a União Europeia conta com 5.4 camas por cada 1.000 pessoas. Na questão da renda, 53% da população de Gaza, incluindo 400.000 crianças, ganha menos que US$ 5 dólares por dia.
Mais da metade da população de Gaza não consome o mínimo de calorias necessárias para a manutenção da vida e 90% da água consumida é considerada inadequada para o consumo humano. Os governos e instituições internacionais sugerem que as pessoas lavem frequentemente as mãos para evitar a propagação do vírus. Contudo, em Gaza, não há água para lavar as mãos.
A situação precária da economia e da população, resultado de décadas de assédio, invasões e bloqueios de Israel, evidenciam que os impactos do COVID-19 serão muito profundos. É possível que Gaza passe da condição de campo de concentração a céu aberto para um cemitério a céu aberto.




