O estado do Ceará não possui mais leitos de UTI destinados para pacientes com Covid-19. Todos estão ocupados e o que há são apenas previsões de expansão desses leitos. A cidade de Fortaleza tem o maior número de infectados por habitantes para uma cidade brasileira. Segundo dados do governo do estado, foram realizados apenas 15,7 mil testes e existem 3,3 mil testes positivos, 189 mortes confirmadas e 9,9 mil suspeitos de estarem infectados com o coronavírus.
Com o fim das vagas de leitos de UTI para as vítimas da pandemia e as compras de aparelhos respiradores travadas – e que ainda correm o risco de sofrer pirataria de países imperialistas –, a solução que resta ao governo do Estado é comprar covas. Um áudio recentemente divulgado revela o secretário de saúde, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Dr. Cabeto), afirmando que o governo comprou 15 mil túmulos para atender a demanda do estado.
Portanto, sem testes, sem equipamentos de proteção individual e sem UTI, já não há nem mais a tal da esperança que o capitalismo adora pregar em momentos de crise. O que há é investimento em buracos no chão. O que existe é um gerenciamento de um genocídio brutal contra a população, principalmente aqueles que não podem ficar em casa e aqueles que não tem acesso a leitos privados.
Voltando aos números, há um detalhe que não é revelado propositalmente pela imprensa burguesa com o intuito de não alarmar a população e mante-la sob controle: no dia 17/04, segundo o secretário de saúde daquele estado, o número de pacientes que aguardavam transferência para a UTI nas UPAs era de 38 pessoas. A taxa de ocupação de leitos de UTI para outras doenças que não o coronavírus era de 85% naquela data. Ou seja, já não há mais espaço para aqueles muito doentes seja de que doença for.
É preciso denunciar o total descaso de todo o estado brasileiro de conjunto para com essa crise que deveria estar sendo enfrentada de maneira firme. Porém, o que vemos é um desinteresse por medidas efetivas que levem a qualquer ruptura do sistema capitalista. Não se cogita a apropriação de fábricas para confecção de EPI e respiradores, não se cogita transferência de dinheiro dos mais ricos para atender os mais pobres, não há união nacional nem mundial. É cada um por si e, desse jeito, a população pobre sofre as piores consequências.
Já não dá mais para esperar as medidas dos governos. Eles não conseguem atender aos interesses da população em tempos normais e, em meio a uma pandemia, muito menos. O atual estágio do capitalismo impede a evolução dos povos. É uma situação em que as condições para melhorias sociais estão aí, porém o sistema não consegue utiliza-las, pois é um sistema podre, decaído, que vive de uma exploração cada vez mais brutal. Vamos esperar o genocídio ou agir antes? Fora Bolsonaro! Fora todos os golpistas!





