Saúde e pobreza

Genocídio de classe: pobres sofrem mais que o dobro com COVID-19

Os 20 municípios mais pobres de São Paulo acumularam mais que o dobro das mortes causadas pela COVID-19 do que as registradas nos 20 distritos mais ricos

Uma das maiores mentiras contadas pela direita, extrema-direita e pelos meios de comunicação da imprensa burguesa durante a pandemia de coronavírus é o dito: “a doença não tem classe social”. Segundo os números, os trabalhadores pobres, desempregados, informais e negros foram as principais vítimas do COVID-19, provando pela milésima vez o mal-caratismo de Bolsonaro, e seu projeto de governo genocida para os trabalhadores.

Os dados da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo acusam de modo claro. Segundo o apurado, os 20 municípios mais pobres de São Paulo acumularam mais que o dobro das mortes causadas pela COVID-19 do que as registradas nos 20 distritos mais ricos. Isto em 4 meses de pandemia, no período de 17 de abril a 16 de agosto.

Sabido disso, é preciso destacar, ainda, que tudo não ocorreu repentinamente, visto que entre os municípios mais pobres o aumento nos casos neste período foi vertiginoso e evidente, demostrando um salto de 870,5%, apresentando caráter de denúncia por si mesmos, pois são espantosos. Já no caso dos mais ricos, o aumento de casos foi de 584,9%.

Os dados, que não representam ainda todos os casos registrados, são dignos de um relatório de inquérito, no qual fica clara a responsabilidade do governo Bolsonaro sobre as mortes entre a classe trabalhadora pobre. Ademais, é importante lembrar que todos as capitais seguem a mesma tendência.

É preciso destacar que as mortes pela doença nesses nos municípios pobres é explicada pelo abandono do governo Bolsonaro a essas populações, jogadas à sorte. Apesar da ausência de orientação na saúde e, sobretudo, de condições para se prevenir do coronavírus como a falta de água, de sabão, de máscaras e álcool em gel, os trabalhadores das cidades pobres foram obrigados a sair de casa e correr riscos em plena pandemia para tirar o sustento. Isso fez com que estivessem entre a população mais exposta ao vírus, portanto mais contaminada e, consequentemente, a que mais morreu.

Dito de outro modo, essa população é maioria esmagadora no exército de desempregados e informais do País, que nem sequer foi cogitada em receber o auxílio, e não pôde ficar parada, ou fazer home office. Esse grupo é composto, em sua maior parte, por negros e mulheres.

Pois bem, a pandemia é intensamente impulsionada pela desigualdade, e tem levado os números de morte entre a população pobre a patamares de genocídio. Este é um quadro que não é desconhecido do governo, que não tem um pingo de remorso ao largar os trabalhadores no abismo da pandemia, ignorando a situação, fingindo que ela não existe.

Tudo isso nos revela que o abandono faz parte do projeto da extrema-direita, inimigo declarado dos trabalhadores.

Desde o início alguns grupos veem denunciando durante a situação em São Paulo, como os moradores de Paraisópolis, que realizaram atos contra o governo desde o início da pandemia, acusando a urgência da necessidade da comunidade. A exemplo deles, é preciso invadir as ruas para denunciar que o governo Bolsonaro, na verdade, é um representante dos ricos e dos interesses capitalistas, dos patrões. Sendo assim, é preciso romper completamente com o governo, exigindo a expulsão da extrema-direita.

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