Que o contato físico é inevitável no futebol todo torcedor e simpatizante do esporte sabe. Assim, diante das recomendações de distanciamento social, a FIFA, por meio de seu diretor do Comitê Médico Michel D’Hooghe, se manifestou no sentido de que as competições não deverão retornar à normalidade antes do mês de setembro.
“Se há um momento onde prioridades absolutas deveriam ser dadas a assuntos médicos, é agora. Não é questão de dinheiro, mas de vida ou morte”. As palavras do cartola belga transmitidas à emissora inglesa Sky Sports News na terça-feira passada parecem conflitar com os interesses da federação alemã que prepara o retorno do campeonato nacional já em maio. O Campeonato Inglês por sua vez deve retornar com portões fechados em junho.
Aqui no Brasil o novo Ministro da Saúde, Nelson Teich já se manifestou dizendo que avalia como prioridade o retorno do futebol no país. O pensamento deste converge com as palavras do secretário especial de Produtividade e Competitividade, Carlos da Costa que também alegou ser possível retomar as competições com portões fechados para a torcida. O que seria o fim do futebol.
Acontece que o Brasil sequer chegou ao pico da doença enquanto que na Europa a mesma já circula há mais tempo. Essa pressão ocorre, entretanto, por parte dos maiores interessados no retorno da programação esportiva, o grupo Globo e suas redes afiliadas. Sem programação, os Marinhos já começam a reprisar jogos históricos numa clara tentativa de induzir o público a exigir o retorno das partidas ao vivo o quanto antes.
Como se não bastasse a crise que também afeta os clubes de futebol, estes agora também sofrem chantagem por parte da emissora que barganha com os direitos televisivos ameaçando a retirada de valores por falta de jogos para compor a grade. Os clubes menores tendem a simplesmente aceitar a primeira proposta que aparecer para não fecharem as portas ou virarem clubes-empresa privatizados.
Nesse cenário de incerteza e crise profunda, a descapitalização dos clubes de futebol deve atingir níveis inimagináveis, o que exigirá a adaptação de toda a cadeia do futebol a uma nova realidade econômica e social. A escassez de recursos deve refletir inclusive na forma de administração dos clubes e demais entidades esportivas que necessitarão do amparo dos aficionados para continuarem existindo.
Não é de se estranhar, portanto que as torcidas organizadas e movimentos políticos das entidades iniciem um processo de pressão sobre os dirigentes dos clubes para que estes não cedam às exigências da imprensa corporativa e dos empresários do setor que, assim como em qualquer negociata capitalista, tratam a vida das pessoas algo descartável não se preocupando com nada além de seus próprios bolsos.





