-4,4 sendo otimista.

FGV anuncia colapso econômico: PIB pode ter pior resultado desde 1962

Sequência de políticas econômicas subordinadas aos interesses do imperialismo projetam uma catástrofe inédita para 2020. Na melhor das hipóteses, a pior recessão da história.

A Fundação Getúlio Vargas elaborou um estudo onde compara o desempenho da economia em duas situações análogas a que enfrentamos hoje, queda abrupta da bolsa de valores e paralisação do país, para projetar o que se pode esperar do PIB até o final do ano, e o resultado é no mínimo catastrófico. Se o período de quarentena durar apenas 10 dias, o que é extremamente improvável, 2020 pode terminar com uma retração no PIB de -4,4%, a pior de toda a série histórica medida pelo Banco Central, desde 1962.

Sobre a crise imobiliária de 2008, é importante lembrar que a bolsa de valores de Nova Iorque registrou perdas 32,15% no ano. Até o fim do pregão de sexta-feira, 20 de março, o acumulado para o mês projetava uma perda de -35,98%. Lembrando que a sequência de quedas começou no dia 19 de fevereiro, o que nos permite deduzir que ainda vai piorar muito, a exemplo do que projetou economistas como Noriel Roubini, famoso por ter previsto o estouro da bolha imobiliária e da crise de 2008 em artigo publico dois anos antes. Alheia à tempestade que se abatia nos países desenvolvidos por uma política nacionalista, a economia brasileira cresceu 5,1% em 2008, puxada, sobretudo, por uma três anos de alta na produção industrial (2,9% em 2006, 3,2% em 2007 e 4,8% em 2008), o que está longe do cenário atual de sucessivas quedas na produção.

O outro dado levantado pelos economistas foi o impacto da paralisação geral causada pela greve dos caminhoneiros em maio de 2018. Na ocasião, 10 dias de cortes de abastecimentos, bloqueios de estradas e suspensão quase total da atividade econômica no país produziram retração de -1,1% no PIB para o segundo trimestre. Nesse sentido, os próprios economistas da FGV advertem que a projeção para o cenário atual usa aquele período como base mas para um intervalo de tempo sob paralisia maior, tende a produzir uma retração igualmente maior. Considerando que o próprio governo vem estipulando que o pico de contágios se dará nas próximas duas semanas, podemos esperar mais duas semanas de paralisia. No mínimo.

O estudo, como é próprio da ciência burguesa, não entra no mérito político da questão, limitando-se à superficialidade técnica de dados que no final, pouco dizem. É preciso ter a clareza de que a situação da economia é a manifestação do domínio político da burguesia, cujos interesses Bolsonaro está obrigado a atender e que se manifestam desde coisas aparentemente irrelevantes, como os ataques ao principal parceiro comercial do país, a China, até as reformas de ordem fiscal, destinadas a aumentar a rapina das nações imperialistas sobre o Brasil, passando pela destruição em escala inédita da indústria nacional, o que aprofunda ainda mais crise brasileira. Assim, se a esquerda não se mexer no sentido de mobilizar a população para derrubar Bolsonaro, podemos projetar, através da experiência empírica de sequência de crescimentos meramente equivalentes ao crescimento da força de trabalho (1% e 1% respectivamente), incapazes de superar o desemprego portanto, e muito inferior as perdas da inflação (com uma média de 4% ao ano nos últimos 3 anos), esperar uma catástrofe nunca antes vista no país com muito mais desemprego, muito mais pobreza e miséria, muitas fábricas fechando e sem soluções para o problema que não sejam o arrocho por um lado e a PM pelo outro, além de vermos uma situação econômica muito pior do que os -4,4% no PIB, numa demonstração prática de que o fundo do poço, em política, é extremamente relativo. Fora Bolsonaro é uma demanda cada vez mais urgente.

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