Desespero capitalista

FED injetará até US$ 60 bi para salvar capitalistas de outros países

Banco Central dos Estados Unidos deve injetar dólares em outros países para tentar controlar as fortes quedas nas bolsas de valores.

Numa tentativa de salvar os capitalistas, o Federal Reserve (FED), que é o Banco Central dos Estados Unidos), anunciou nesta quinta-feira (19) que estabeleceu com os Bancos Centrais de México, Brasil, Austrália, Coréia, Cingapura e Suécia, acordos cambiais em forma de linhas de swap, para tentar conter a alta do dólar nestes países. As linhas de swap servem como uma “troca cambial”, para estimular a liquidez em dólares e frear a desvalorização da moeda local. O acordo chega a U$ 60 bilhões de dólares. Além destes países, o FED também firmou acordo com os Bancos Centrais de Noruega, Dinamarca e Nova Zelândia, onde a quantia pode chegar a U$ 30 bilhões para cada um. Este tipo de acordo deve permanecer por pelo menos seis meses.

Com a medida, as bolsas de valores mostraram resultados menos desastrosos, onde o índice Ibovespa batia alta de 3,67% ás 15:33, ao contrário da queda de mais de 7% no período da manhã. É uma tentativa de controlar as quedas livres da bolsa e tentar estimular a confiança no mercado financeiro, algo difícil para os capitalistas já que nas duas últimas semanas a Ibovespa se viu obrigada a acionar seis vezes o circuit breaker, mecanismo que paralisa as negociações quando a bolsa atinge uma queda maior que 10%, o último sendo ontem (18). Além disso, o acordo é considerado um reforço aos fundos internacionais brasileiros, já que o Banco Central já injetou U$22,355 bilhões em recursos novos no mercado de câmbio só em março.

Um futuro nada animador para o capitalismo

Apesar das tentativas incansáveis, é evidente que a crise capitalista está passando atualmente por uma fase muito crítica que não víamos há muito tempo, as políticas de injeção de dinheiro e “dinheiro comprando dinheiro” que encontramos no mercado financeiro a fim de salvar os grandes bancos e as bolsas de valores não estão sendo eficazes para conter o desespero que os capitalistas se encontram. Até mesmo o ouro, que sempre foi considerado seguro em tempos de crise, já acumula uma desvalorização de 5,85% só em março.

Além disso, os grandes capitalistas precisam enfrentar ainda um futuro incerto quanto às conseqüências da crise do coronavírus, e o medo de uma recessão global sem precedentes é iminente. Os impactos já estão sendo sentidos com a desvalorização de ações de companhias aéreas, grandes agências de viagem, além de todos os outros setores da Economia, já que está tudo praticamente parado nos países onde a pandemia já se alastrou. Dentro deste pacote, ainda encontramos as companhias petroleiras, que também sentiram o golpe com a desvalorização e a guerra de preços do petróleo.

Mesmo com tantos estímulos e a introdução de bilhões e bilhões de dólares no mercado, os investidores não conseguem sentir firmeza de que o futuro do capitalismo não será catastrófico, o medo da recessão e as grandes perdas nas últimas semanas estão escancarando para o mundo todo que o sistema está em grande colapso, o que trava qualquer tentativa de recuperação econômica.

O interesse egoísta de salvar apenas os grandes capitalistas dentro da crise crônica em que o mundo se encontra só faz com que o sistema cave a sua própria cova. Não há estímulos nem políticas que visam à melhoria da vida dos trabalhadores, nem suas condições de trabalho, aliás, o que vimos nos últimos tempos foram políticas completamente opostas, implantadas pelo neoliberalismo, e o reflexo disso está claro quando vemos o mundo hoje, com grandes populações na pobreza, sem poder de compra, sem condições de trabalho dignas e sem poder contribuir para que a Economia volte a crescer. Não há crescimento econômico se o dinheiro só está circulando entre os grandes capitalistas dentro das bolsas de valores e não há nenhuma perspectiva de melhoria na vida dos trabalhadores.

É preciso uma reação do proletariado

Momentos de crise são cruciais na luta dos trabalhadores pela sua emancipação do sistema capitalista. Quando a verdade sobre o sistema falido que é o capitalismo fica escancarado aos olhos da população é mais do que chegada à hora de lutar por um sistema feito pelos trabalhadores e para os trabalhadores, por isso o proletariado pode e deve exigir isso nas ruas, o trabalhador não pode mais ficar aprisionado á um sistema que somente o explora e que joga todas as crises nas suas costas para que ele carregue o fardo e as conseqüências de políticas neoliberais que só trazem pobreza a grande maioria da população, como tem visto com o atual governo de Bolsonaro. É neste momento que precisamos da agitação social para exigir um sistema justo, igualitário e que contemple todas as necessidades dos trabalhadores. É hora de organizar a revolução socialista.

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