Miséria

Famílias pobres são as que mais sofrerão perdas no consumo com a crise

O Fundo Monetário Internacional (FMI), no entanto, estima uma queda de 5,3% no PIB – o que faria o consumo dessa faixa 'encolher' em R$ 131 bilhões.

Com o impacto do Covid19 na economia, não resta dúvida que, se já estávamos na caso dos 40 milhões de desempregados, vai haver um salto para mais. Com isso, muitos da classe média podem perder o seu poder aquisitivo, e outros que já não estavam bem vão piorar. É o empobrecimento geral, uma tragédia anunciada pela política neoliberal que agora é agravada pela crise sanitária mundial.

Corrobora com esse cenário as projeções do Banco Central, cuja a avaliação dos seus analistas para o desempenho da economia são de queda de quase 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e alta de 2,5% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O Fundo Monetário Internacional (FMI), no entanto, estima uma queda de 5,3% no PIB – o que faria o consumo dessa faixa ‘encolher’ em R$ 131 bilhões.

A autoridade monetária pergunta semanalmente aos analistas as projeções para os principais índices macroeconômicos do país. A estimativa do indicador corresponde à mediana das respostas. Mas essas projeções tendem a piorar. À medida que o tempo passa, com certeza os reflexos da crise ficam cada vez mais evidente.

Com toda certeza, as famílias de classe mais baixa, e que dependem da renda do trabalho são as mais afetadas. Isso é o reflexo do aumento do desemprego atingindo essa faixa. Elas dependem da renda do trabalho e da renda de transferência, enquanto que as família de classes mais altas tem uma diversificação maior de rendas: lucros, dividendos, poupança e assim por diante. Na faixa mais baixa encontram-se os setores que utilizam mais emprego, principalmente o setor de serviços, onde as famílias mais pobres estão mais empregadas por possuírem baixa escolaridade e qualificação profissional. O impacto é sentido por eles e bem mais dramático, porque sem a renda do trabalho a precariedade é total.

Estamos falando de famílias com renda em torno de R$ 3 mil serão e que estão distribuídas em 13,1 milhões de domicílios no país. A estimativa é a de que este grupo deve perder 11% do seu potencial de consumo. Esses dados são de um estudo da consultoria IPC Marketing e que analisa o consumo de cada classe social definida pelos critérios da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa de Mercado (Abep).

Os integrantes desse grupo além de serem prejudicados pelo desemprego, muitos são empregados do setor privado ou atuam como conta própria,  e não são amplamente beneficiados pelos programas emergenciais do governo federal, que estabeleceu como condição renda familiar mensal per capita (por pessoa) de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total (tudo o que a família recebe) de até três salários mínimos (R$ 3.135,00).

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